Dia 19: Consumista

Por que, meudeus, por que é tão difícil achar um lenço pra comprar? Nossa, já rodei tudo. Só tem lenço feio/muito curto/que não dá pra amarrar decentemente/caro/no exterior. Ou tudo isso junto.lenco cabeca02lenco cabeca04

Eu quero. :(

Eu ando com impulsos muito consumistas. Quero uns três lenços, duas batas, duas botas, mais cinco coturnos, alguns tênis, uma Havaianas que não seja azul royal pra eu poder sair à vontade, muitos livros, uma prateleira pra por os livros – porque já nem tem mais lugar -, camisetas, etc.

Preciso ganhar dinheiro.

E hoje eu acordei meio anos 80. Fire Inc. não me deixa mentir.

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Dia 18: Mudando tudo na última hora

Eu sou uma coisa. Passei três semanas ensaiando pra falar com a professora de Patrimônio sobre o meu projeto final. Três semanas em que nunca dava tempo. Aí hoje fui lá, falei, falei, falei. Ela ficou empolgada, deu dicas. E quarenta minutos depois eu tinha mudado de idéia.

Não, espera. Também não é assim. Não é exatamente que eu tenha mudado de idéia, mas eu tive um estalo sobre outra possibilidade. Eu sou lerda, porque era a coisa mais óbvia do mundo pra fazer, uma vez que eu já tenho material. E muito mais interessante e menos repetitiva. Né, porque vamos combinar, ‘imigração italiana’ é tema de todo ano. E embora eu goste da imigração em geral, eu não teria o mesmo coração pra falar de Belo Horizonte que eu tenho pra falar de São Paulo.

Então é isso. Me atolei num troço que vai dar um trabalho do cão, ainda que eu tenha achado mais material disponível do que achei que acharia no começo.

E vô Scavazzini, não se cadê você, mas dá uma mão, né, poxa! Tá achando que é só ficar olhando daí de cima?

Dia 16: Remember when we all liked Lily Allen?

Tá, eu sei que, teoricamente, eu estou infringindo a regra ao postar à 00:37 da madrugada. Mas juro que ainda é o 16º dia, porque eu ainda não dormi, e se eu não dormi o dia não mudou.

Hoje eu passei o dia cantarolando a música que eu espero que vire hit: Dear Lily, do Dan Bull.

“Dear Lily, why are being this silly? Yours sincerely, Dan Bull.”

É uma carta aberta do Dan Bull para Lily Allen, que ele transformou em música. E ficou muito bom.

Eu fui fã da Allen desde o começo. Gostei do estilo dela, de ela ser de certa forma diferente das contemporâneas. Vínhamos lado a lado nas lutas. Fuck You virou hino anti-homofobia.

E aí tem a coisa de que eu sempre liguei arte à vanguarda. Sei lá, pra mim é intrínseco. Até existe aquela coisa de conservar, mas o artista é o primeiro a dar o ‘acorda’ social.

E foi por isso que eu fui sinceramente pega de surpresa quando ela agarrou a causa antidownload com unhas e dentes. Fiquei decepcionada. Ainda gosto muito da música dela, mas já não consigo mais encarar do mesmo jeito. Parece que, de repente, ela declarou guerra ao público.

Eu sinto uma enorme vontade de comprar os discos de quem colabora com os fãs, e da mesma forma boicotar os artistas que mostram as garrinhas de forma tão explícita. Acho que agir desse jeito é burrice até mesmo de marketing, porque um artista poderia se beneficiar muito mais de uma atitude mais aberta.

Lily pra mim, agora, só no download. Meu dinheiro vai pro Dan Bull.

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Estou planejando acampar na porta do FiQ desse ano. Hugo vai, Paulo provavelmente, Victor talvez. Se alguém quiser se juntar a nós, comente, tweete me, e-mail me, MSN me ou me grite na rua.

Dia 15: Palácio das Artes

Ontem o Hugo e eu combinamos de irmos hoje ao Ciclo Tecer, no Palácio das Artes, para assistir O Céu de Suely. A sessão seria às 17:00, então eu planejei o meu dia todo, detalhe por detalhe, de modo a conseguir chegar a tempo de retirar o ingresso. Como não podia ser diferente, Murphy não deixou barato, mas consegui chegar até com 10 minutos de antecedência!

ÀS 16:30 o Hugo me encontrou na porta do Palácio, me pentelhou para ir com ele tirar foto com alguma repórter famosa – que eu não sei quem é – que estava fazendo uma matéria ali em frente, e em seguida entramos pra pegar o ingresso. Como ainda faltava meia hora pra sessão começar, resolvemos dar uma espiada em uma exposição ali ao lado. Não fazíamos idéia do que se tratava, e ficamos um bom tempo sem saber, porque só muito depois é que percebemos que começamos a galeria pelo fim.

A princípio, as pinturas e esculturas pareciam infantis, então pensamos que fosse algo do gênero. Depois, reparamos que as assinaturas se pareciam, na verdade, com a de pessoas semi-analfabetas ou com muito baixo nível escolar. Concluímos que deviam ser pessoas mais idosas em algum tipo de programa. Por fim, conforme a coisa foi evoluindo, eu palpitei que deviam ser obras de pessoas com algum tipo de comprometimento mental e estava certa: chegamos ao final – que na verdade era o começo – da exposição e descobrimos se tratar da exposição A Dois Passos do Chão, que mostra trabalhos de usuários de alguns centros de convivência de BH.

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Em seguida fomos à exposição comemorativa dos 40 anos do Centro de Artesanato Mineiro. Foi… sem noção. Adoramos. Cada obra mais linda que a outra, quase tudo em madeira. Queria ter encontrado alguma foto legal pra mostrar aqui, mas só achei a desse site e, embora seja legal e tal, não dá nem idéia do que é o evento.

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Saímos já em cima da hora e corremos pra sala de cinema. Foi a conta de sentar e o filme começar.

‘O Céu de Suely’ é intenso. A história é a de todo dia: a moça de 20 que engravida e é abandonada pelo namorado. E aí Hermila tem que se virar. Começa vendo rifa de uísque e acaba tendo a idéia de rifar a si mesma sob o pseudônimo de Suely. E daí é só esperar o desenrolar. O bom e o ruim da história é que é bem real. É bom porque é mais fácil de identificar. É ruim porque é verdade. E aí você não sabe com o que fica mais desconcertado. Porque no fundo de tudo existe a pobreza sem fim.

O+Céu+de+Suely

Saímos e fomos ao meu ponto de ônibus de sempre. Chegando, o Hugo já avistou o dele e pulou dentro. Uma sorte, porque o trânsito estava caótico e não dava mostrar de liberar outro ônibus muito cedo. O ponto estava abarrotado de gente. Quando ele se foi, me dei conta de que não tinha dinheiro e precisava de um caixa eletrônico. Aí eu agradeci muito pelo cartão mágico que me dá acesso à Faculdade de Medicina, onde eu podia encontrar um caixa sem ter que andar muitos quarteirões.

Tirei o dinheiro e rumei pra fora de novo, e foi aí que eu fechei meu passeio com chave de ouro. Ao sair, cruzei com um professor de lá que tem um certo grau de parentesco próximo com um poeta muito famoso que todos nós já invocamos um dia em alguma prova de literatura. Ele me cumprimentou e eu, como sempre, tive ímpetos de me jogar no chão e fazer reverências.

O Ciclo Tecer vai só até amanhã, com uma única sessão do filme Santiago, às 20h. A exposição A Dois Palmos do Chão vai até terça, e a dos 40 anos vai até domingo. Todos com entrada franca.

Dia 14: ‘T.G.I.T.N.*’ ou ‘Por que eu tenho que ganhar muito dinheiro’

*Thank God It’s Thursday Night

Eu já comentei que noites de quinta-feira são meus momentos favoritos da semana. Acho que a maioria das pessoas diria que é sexta, mas sexta pra mim já é começo de fim de semana, e se já começou, já começou a acabar, também. Então quinta à noite é bom porque ainda não começou, a gente ainda tá na expectativa. E aí entra na sexta bem. Porque sexta é sexta. Todo mundo vai trabalhar feliz, de calça jeans, ouve música e fica em paz, porque vai pro barzinho à noite e já tá planejando o mico de sábado. Ou não. Talvez prefiram ficar em casa fazendo coisas mais nerds, como eu, né? Vai saber.

Hoje também é uma quinta-feira feliz porque eu comprei livros. Sim, livroS. Eu tô torcendo pra que minha família não leia esse blog, porque senão eu vou tomar um esporro quando chegar em casa daqui uns dias. E eu desconfio que minha mãe esteja lendo, porque ela sabia que minha kokeshi era uma kokeshi quando eu mostrei pra ela na cam no dia seguinte.

Enfim. Livros. Eu fui comprar o Dicionário de Biblioteconomia e Arquivologia e acabei esbarrando no Guia Ilustrado Zahar de Mitologia. Aí, ai. Porque eu adoro mitologia. E ele é tão lindo e ilustrado… Aí eu tava lá paquerando o dicionário Houaiss que eu, pelo jeito, vou continuar só na paquera por muito tempo, quando outro membro da família me chamou a atenção: o Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. E ai de novo. Porque eu também adoro Língua Portuguesa, né? E assim eu continuei esbarrando no Victor Hugo, na Simone de Beauvoir e em Homero, mas resolvi que seria mais sensato fingir que não vi. Mas saibam que eu ainda estou esperando ganhar de presente.

Aí o Victor tava junto e meio que me fez sentir uma idiota por gastar tanto dinheiro com livros, mas poxa! Eu não faço nada, gente. Eu fico em casa nos sábados à noite fazendo programas nerds com o Daniel! Posso?

E é por isso que eu tenho que ganhar muito. Viu, gente que vai me contratar? Pensem nisso. Em como eu sou uma pessoa que gosta de livros e tal, e de ler. E eu sou legal. Sustentem meu vício, por favor.

-Na verdade eu acho que vou ter que passar num concurso daqueles que você tem que ir pro Piauí morrer de calor e falta de internet, mas tudo bem.-

Ah, e quintas também são felizes porque tem o Brazil’s Next Top Model, né? NOT! Hoje eu achei que a Giovahnna ia se dar mal. Colocaram umas cenas dela ‘dando em cima’ da japinha e tal. Dar em cima não foi a intenção, acho, mas ficou parecendo. Eu ri e achei engraçado, porque também brinco assim – depende com quem, obviamente -, mas acho que o resto da população homofóbica brasileira não vai ver desse jeito. Ziegler, Ziegler. Se comporte. Olha a responsabilidade.

E vou confessar que eu pegaria muito o Dudu Bertholini. Tudo bem que ele não me pegaria – e isso é óbvio duas vezes, né? Porque não sei se é, mas deve ser gay. E mesmo bi, se pega guria, é modelo. E eu sou um ser de 160 cm bem recheados. Tipo hobbit, assim. Mas que eu pegava, pegava. Ah, gente, vai falar que não? Essa coisa cabelão + étnico = andrógino me tira do sério. Pegava e pegava forte.

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Se o Herchcovitch também quiser entrar no ménage, tô aceitando.