Dia 23: As meninas, os espelhos e os países em que você não quer morar

Uma das minhas funções no estágio é catalogar as teses e dissertações defendidas na Pediatria. Quer dizer, não é bem minha função, mas como tá relacionado com os meus estudos e eu gosto de fazer, faço.

Aí quinta-feira eu cataloguei uma da Maria Tereza Cordeiro Beling, A auto-imagem corporal e o comportamento alimentar de adolescentes do sexo feminino em Belo Horizonte, MG. Achei o título já interessante, e meu interesse foi aumentando conforme eu lia o resumo.

O estudo foi feito com 705 meninas de 14 a 18 anos, estudantes do primeiro ano do ensino médio. O resultado é o que todo mundo já tá cansado de saber. Apesar de 81,7% das meninas apresentarem peso normal (12,4% estavam acima do peso, e 5,9%, abaixo), 82,5% demonstraram desejo de mudança de peso. Não só isso, como apenas 30,2% mostraram ter uma percepção adequada do próprio corpo.

O chocante veio em seguida.

“As prevalências de experimentação de drogas foram de 85,8% para álcool, 25,4% para tabaco, 6,1% para maconha, 6,5% para drogas inaláveis e 1,1% para cocaína. Foi verificada associação significativa entre prática de exercícios e EAT+ e BSQ+ e entre BITE+* e frequência de fumo de 10 a 30 vezes no último mês.”

*EAT+, BSQ+ e BITE+ correspondem, respectivamente, a tendências de anorexia, percepção de imagem corporal e tendências de bulimia.

Tá, ninguém é ingênuo e acha que adolescente não bebe e fuma. Não é o dado em si que é chocante ou novo. É a relação drogas x idade. A média de idade é de 15,4 anos. Ou seja, grosso modo, são 605 meninas de quinze anos, entre 705, que já bebem álcool.

Acho muito simbólica. Essa socialização que é ao mesmo tempo auto-destruição.

E aí eu entro na segunda parte, que é o Global Gender Gap Report. Pra quem não sabe, o GGGR é um estudo feito, atualmente, com 130 países, que procura classificá-los em um ranking conforme seu percentual de igualdade entre gêneros. O de 2009 será lançado dia 27 de outubro.

Hoje eu estava olhando a lista de 2008, porque até hoje não tinha parado pra fazer isso. Chega a ser engraçado.

Como eu comentei com o Daniel, você olha as dez primeiras posições e nem se choca. Noruega, Finlândia, Suécia, Islândia, Nova Zelândia, Filipinas, Dinamarca, Irlanda, Holanda e Letônia. Nessa ordem. Aí você começa a rolar a barrinha e ter vergonha do Brasil.

A gente muitas vezes tem idéias pré-concebidas sobre outros países que não correspondem com a realidade. Ou  por acaso você imaginou que o Sri Lanka (12º), Lesoto (16º), Moçambique (18º), Trinidad e Tobago (19º) e a Moldávia (20º) estariam na frente do Brasil? E não fique achando que acabou, não, porque ainda tem muito balde de água fria antes do 74º lugar brasileiro.

E nego ainda quer me convencer de que feminismo morreu e foi enterrado, porque obviamente ninguém precisa mais dele.

Pra constar, os países em que você nunca vai querer morar, em ordem de pior para quase menos pior: Iêmen, Chad, Arábia Saudita, Paquistão, Bênin, Marrocos, Egito, Turquia, Etiópia e Bahrain.

Portugal ficou em 39º lugar, e a Itália, em 67º. Não é só o Berlusconi que é a vergonha de lá.

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In other news, eu acidentalmente pesquisei no Google Imagens, alguns dias atrás, a palavra dieux (fr., ‘deuses). O resultado foi surpreendente. Pesquisem – ok, homens héteros, não pesquisem, porque depois vão ficar de-malzinho comigo, mimimi. O download tá aqui.

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