Dia 111: 80 anos da chegada do Zé Padeiro

Hoje, 31 de dezembro de 2009, é pra mim um dia muito mais importante do que simplesmente o último dia desse ano. Porque faz exatamente 80 anos que meu bisavô português, meu último antepassado a chegar no Brasil, pisou no Rio de Janeiro. 80 anos.

José da Silva, mais conhecido como Zé Padeiro, veio de Aveiro fugindo da Ditadura Nacional e de alguma confusão causada pelo jeito mulherengo. O nome de família era Esparrinha, mas, devido ao costume regional de só dar o sobrenome ao filho mais velho, meu biso acabou virando Silva.

Quando chegou, já tinha 22 anos. Tinha gastado todo o dinheiro a bordo do barco alemão em que veio bebendo. Se casou com a minha bisa, Maria do Carmo Graça, portuguesa de Trás-os-Montes* que havia chegado ao Brasil ainda criança, e teve cinco filhos: Hélio, Célio, Penha (minha avó), Zélia e Hilda.

Eu fui a única bisneta que ele viu, literalmente. Pouco depois do meu nascimento, meu bisavô ficou surdo e cego. Até por isso tivemos pouca intimidade. Eu o via sempre, mas, criança que era, não via muito interesse em alguém que não podia brincar comigo.

Faleceu em 1999, enquanto eu participava de um campeonato de judô. Só fui saber quando cheguei em casa.

Embora eu não tenha tido grandes ligações afetivas com ele nem conhecido minha bisavó – que todo mundo chamava de vó Quita -, a presença deles em casa é grande. As histórias e os costumes. Hoje vai ser dia de ver fotos, contar histórias e cantar fado.

O plano era fazer esse post com fotos bonitinhas, mas pelo jeito não vai ser hoje.

Feliz Ano-Novo procês e Feliz 80 Anos pra mim!

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*Quando ela veio, ainda era Trás-os-Montes, mas mais tarde a região foi dividida e deu origem ao Distrito de Bragança e ao Distrito de Vila Real.

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Dia 110: Feliz Ano-Novo!

Pra 2010, eu só espero um ano um pouco melhor.

2009 foi, em muitos sentidos, um ano miado. Especialmente se comparado com 2008. Aconteceram coisas boas, claro, mas no geral diria que foi parado e desinteressante. Espero que no ano que vem eu consiga dar sentido a vários planos que até então estiveram parados.

Feliz Ano-Novo pra todo mundo. Que 2010 seja melhor pra todos nós! :)

Dia 109: Joana D’Arc – Uma Biografia

Eu cresci adorando Joana D’Arc. Ela foi não só uma personagem importante para a unificação da França e fim da Guerra dos Cem Anos; mais do que isso, foi uma mulher forte que deve ser usada como inspiração.

No entanto, a minha visão sobre ela é, aparentemente, muito diferente do que pensam certos autores. Um deles é Donald Spoto. Nesse livro, Joana D’Arc – Uma Biografia (Joan: The Mysterious Life of the Heretic Who Became a Saint), Spoto tenta provar a santidade de Joana.

Isso em si já é uma decepção pra mim. Pessoalmente – e isso é uma visão pessoal mesmo; não sou historiadora nem tenho nenhum cacife pra provar nada -, eu vejo Joana como uma mulher que sentia que devia ir para a guerra e foi. Simples assim. Deu lá o seu jeito. Sabe como é? Se eu fosse uma mulher no século XV querendo participar da guerra, também veria Deus. Não duvido das experiências religiosas das pessoas, mas não consigo imaginar nesse caso. Tampouco concordar com quem tenta justificar as visões dizendo que eram causadas por doenças físicas ou psicológicas. Pode ser só uma bobagem, mas eu sempre imaginei que foi a forma que ela encontrou pra chegar ao rei.

Mas não é só isso que me desagrada no livro. O tom é ligeiramente sensacionalista.

Aí eu fui pesquisar e descobri as causas dos dois ‘problemas’ que me incomodaram. Donald Spoto, embora eu não conhecesse a figura, é um biógrafo famoso. De celebridades (voilà, sensacionalismo).  E ex-monge (oi, religiosidade).

Enfim, como leitura leve, indico. É fácil de ler e rápido. Mas se você quer alguma coisa menos ‘ela-foi-santa-e-nunca-fez-nada-errado’, procure outra coisa. A historiografia séria agradece.

“Jean Massieu deu o relato mais preciso do que acontecera durante o fim de semana, e seu testemunho juramentado foi baseado no que Joana lhe dissera no dia antes de sua morte. Na manhã de domingo, ela pediu aos guardas que lhe tirassem as correntes para que pudesse usar a latrina. “Eles tiraram seu vestido quando abriram os cadeados, e não o devolveram. Em vez disso, deram-lhe as roupas masculinas que ela usava antes. Ela os lembrou que estava proibida de usar aquilo, mas eles sumiram com o vestido feminino – e assim, compelida pela necessidade, Joana vestiu novamente o traje masculino. Depois de ter sido vista o dia inteiro daquela forma, os trajes tornaram-se o motivo pelo qual ela foi julgada reincidente e condenada.” A charada inteira, de acordo com Massieu, foi “completamente injusta”. (p. 250)

SPOTO, Donald. Joana D’Arc: uma biografia. São Paulo: Planeta, 2009. 299 p.

Dia 106: Livros da adolescência – Parte II

Anjos e Demônios

Esse eu li já durante a faculdade. Quando ‘O Código Da Vinci’ saiu, eu não dei muita bola. Tenho uma certa preguiça de bestsellers, e desse em especial, por causa da polêmica boba que surgiu em torno. Mas acabei ganhando o tal livro da minha vó, li e, surpreendentemente, achei interessante – como ficção. Em seguida, comprei o Anjos e Demônios.

É muito bom, interessante e fácil de ler. Prefiro ele a ‘O Código…’. Mas é aquela coisa; todos os livros de Dan Brown são iguais, só mudam a temática. Não existe muita criatividade no enredo; tudo começa e termina do mesmo jeito. Se você leu um, leu todos.

Existem outros ponto baixo. Como escritor de suspense, Brown se sai bem. O livro é cheio de ação; não fica parado. Mas o romance barato estilo Harlequin é de virar os olhos.

“Felizmente, as chamadas até então haviam sido poucas. O que talvez não fosse tão bom assim. O interesse mundial pelos negócios do Vaticano diminuíra nos últimos anos. O número de ligações da imprensa fora menor e até os malucos não ligavam mais com tanta freqüência [sic]. A secretaria de imprensa esperava que houvesse um alvoroço mais festivo em torno do acontecimento da noite. Entretanto, lamentavelmente, embora a Praça de São Pedro estivesse cheia de carros de reportagem, aparentemente a maioria dos furgões pertenciam à imprensa italiana ou européia [sic]. Só um pequeno número de redes internacionais estava presente… e sem dúvida havia enviado apenas seus giornalisti secundari.”

BROWN, Dan. Anjos e demônios. Rio de Janeiro: Sextante, 2004. 461 p.

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Os Três Mosqueteiros

O clássico dos clássicos! Esse todo mundo já deve ter lido. Perdi as contas de quantas vezes li. É inteligente e engraçado. É uma pena que até hoje não tenham conseguido produzir uma versão cinematográfica decente.

“No caminho, d’Artagnan contou ao duque tudo o que sabia. Quando Buckingham acrescentou as informações do rapaz às próprias recordações, conseguiu fazer uma idéia [sic] exata da gravidade da situação, à qual a carta da rainha, breve mas explícita, aludia. Mas o que mais o intrigava era que o cardeal, empenhado em evitar que o rapaz chegasse à Inglaterra, tivesse falhado no intento. Expressou seu espanto; d’Artagnan então lhe contou sobre as precauções tomadas, e como, graças à dedicação dos três amigos, que ficaram ensangüentados [sic] pela estrada, escapara, recebendo apenas o golpe que atravessara a carta da rainha e que ele retribuíra ao sr. de Wardes. Ouvindo a narrativa, feita com a maior simplicidade, o duque observava d’Artagnan com admiração, como se não pudesse conceber que tanta prudência, coragem e dedicação se mesclassem num rapaz que, por aquilo que o rosto mostrava, ainda não chegara aos vinte anos.”

DUMAS, Alexandre. Os três mosqueteiros. São Paulo: Nova Cultural, 2003. 510 p.