Dia 101: O Diário de Anne Frank

Estou morrendo de sono, mas me mantive acordada até agora porque queria acabar de ler ‘O Diário de Anne Frank’ ainda hoje. É um clássico, mas eu ainda não tinha lido. Quando me deparei com ele em uma banca, há alguns meses, decidi que não dava mais pra adiar.

Acredito que a maioria das pessoas saiba quem foi Anne Frank e conheça o fim da história, mas aconselho fortemente àqueles que querem manter o suspense que parem de ler por aqui.

O clima do diário não é tão tenso quanto eu esperava. Claro que não dá pra chamar a história de ‘leve’, mas na maior parte do tempo Anne é só uma adolescente – com a diferença de que é uma adolescente judia escondida na Holanda durante a Segunda Guerra. Anne é bem aberta quanto aos seus pensamentos sobre tudo. Discute sexo, política e até mesmo coisas que são consideradas tabu ainda hoje em dia, como a menstruação. As anotações são surpreendentes. Eu a descreveria como inteligente e ‘moderninha’. Uma das confissões que faz é seu ‘encanto’ por mulheres.

A situação só começa a ficar pesada de verdade a partir das anotações de 1944, quando ela passa a escrever mais e mais sobre política. O humor dos personagens – Anne, seus pais, irmã e mais quatro outros judeus escondidos no ‘Anexo’ – varia o tempo todo, indo da desilusão à esperança, conforme a guerra vai se aproximando do final.

O diário termina três dias antes do aprisionamento dos oito refugiados. Um a um foram morrendo nos campos de concentração. Apenas o pai de Anne, Otto Frank, sobreviveu. Passou a vida divulgando o diário da filha.

As descrições de como sobreviveram por dois anos escondidos são ótimas, e é interessante acompanhar os momentos em que se passa cada coisa de acordo com os comentários de Anne. O atentado de 20 de julho, por exemplo, é citado e comemorado pela garota – ainda que tenha falhado.

Por fim, é um livro pra não deixar esquecer a loucura do Holocausto, que matou tanta gente e de que tanta gente ainda tem a coragem de duvidar.

“Quem fez isso contra nós? Quem nos separou de todo o resto? Quem nos colocou neste sofrimento? É Deus que nos fez do jeito que somos, mas também é Deus que irá nos erguer no final. Aos olhos do mundo, estamos condenados, mas se depois de todo esse sofrimento ainda sobrarem judeus, o povo judeu servirá de exemplo. Quem sabe, talvez nossa religião ensine ao mundo e às pessoas sobre a bondade, e talvez este seja o único motivo de nosso sofrimento. Nunca poderemos ser apenas holandeses, ou ingleses, ou qualquer outra coisa, sempre seremos também judeus. E teremos de continuar sendo judeus, mas, afinal, vamos querer ser.” (p. 272)

O livro:

FRANK, Anne. O diário de Anne Frank. 25. ed. Rio de Janeiro: Record, 2008. 349 p.

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3 pensamentos sobre “Dia 101: O Diário de Anne Frank

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