Dia 109: Joana D’Arc – Uma Biografia

Eu cresci adorando Joana D’Arc. Ela foi não só uma personagem importante para a unificação da França e fim da Guerra dos Cem Anos; mais do que isso, foi uma mulher forte que deve ser usada como inspiração.

No entanto, a minha visão sobre ela é, aparentemente, muito diferente do que pensam certos autores. Um deles é Donald Spoto. Nesse livro, Joana D’Arc – Uma Biografia (Joan: The Mysterious Life of the Heretic Who Became a Saint), Spoto tenta provar a santidade de Joana.

Isso em si já é uma decepção pra mim. Pessoalmente – e isso é uma visão pessoal mesmo; não sou historiadora nem tenho nenhum cacife pra provar nada -, eu vejo Joana como uma mulher que sentia que devia ir para a guerra e foi. Simples assim. Deu lá o seu jeito. Sabe como é? Se eu fosse uma mulher no século XV querendo participar da guerra, também veria Deus. Não duvido das experiências religiosas das pessoas, mas não consigo imaginar nesse caso. Tampouco concordar com quem tenta justificar as visões dizendo que eram causadas por doenças físicas ou psicológicas. Pode ser só uma bobagem, mas eu sempre imaginei que foi a forma que ela encontrou pra chegar ao rei.

Mas não é só isso que me desagrada no livro. O tom é ligeiramente sensacionalista.

Aí eu fui pesquisar e descobri as causas dos dois ‘problemas’ que me incomodaram. Donald Spoto, embora eu não conhecesse a figura, é um biógrafo famoso. De celebridades (voilà, sensacionalismo).  E ex-monge (oi, religiosidade).

Enfim, como leitura leve, indico. É fácil de ler e rápido. Mas se você quer alguma coisa menos ‘ela-foi-santa-e-nunca-fez-nada-errado’, procure outra coisa. A historiografia séria agradece.

“Jean Massieu deu o relato mais preciso do que acontecera durante o fim de semana, e seu testemunho juramentado foi baseado no que Joana lhe dissera no dia antes de sua morte. Na manhã de domingo, ela pediu aos guardas que lhe tirassem as correntes para que pudesse usar a latrina. “Eles tiraram seu vestido quando abriram os cadeados, e não o devolveram. Em vez disso, deram-lhe as roupas masculinas que ela usava antes. Ela os lembrou que estava proibida de usar aquilo, mas eles sumiram com o vestido feminino – e assim, compelida pela necessidade, Joana vestiu novamente o traje masculino. Depois de ter sido vista o dia inteiro daquela forma, os trajes tornaram-se o motivo pelo qual ela foi julgada reincidente e condenada.” A charada inteira, de acordo com Massieu, foi “completamente injusta”. (p. 250)

SPOTO, Donald. Joana D’Arc: uma biografia. São Paulo: Planeta, 2009. 299 p.

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