Dia 139: The Godfather

Deixem-me começar este post justificando minha ausência por dois dias seguidos: lembrem-se de que eu estou em Minas Gerais, a terra da Cemig! A melhor energia do Brasil, pra quem gosta de acreditar em slogan.

O lado bom da história é que eu tive tempo suficiente pra terminar de ler ‘The Godfather’, o tal do poderoso chefão. Nunca um livro me deixou tão fula. E por isso eu dou créditos ao Puzo. E quase que só por isso.

Comecemos pelo lado bom: a linha central da história, os mafiosos, as guerras, o poder envolvido; tudo isso é instigante e interessante. Você fica, de fato, preso com a história. Bom, acho que não preciso dizer isso, né? Imagino que todos os dois leitores desse blog já viram o filme. E esse é outro ponto positivo: o filme é fidelíssimo ao livro. Não me recordo de nada diferente, na verdade, a não ser as partes que foram removidas porque, obviamente, transformariam o filme em uma série para a TV. Não são muitas partes, nem relevantes.

Agora vamos descer a lenha. Porque, bem, eu não consigo ignorar certas coisas.

Primeiro exemplo. Machismo, baby. E não é o machisminho que a gente tá acostumada, não. É dos bonitos. O Puzo tem prazer visível em fazer seus personagens espancarem ou humilharem mulheres (não li outros livros dele; estou me restringindo a esse). Não é só ‘pelo bem da arte’. Todas as mulheres da história são idiotas notáveis. Não têm sequer um momento de elogio – a não ser pela beleza, talvez. Não acreditam? Ok.

“Ten minutes later his secretary told him that Connie Corleone was on the phone and wanted to speak to him. Hagen sighed. As a young girl Connie had been nice, as a married woman she was a nuisance. She made complaints about her husband. She kept going home to visit her mother for two or three days. And Carlo Rizzi was turning out to be a real loser. He had been fixed up with a nice little business and was running it into the ground. He was also drinking, whoring around, gambling and beating his wife up ocasionally. Connie hadn’t told her family about that but she had told Hagen. He wondered what new tale of woe she had for him now. (p. 68)

Connie Corleone, filha de Don Vito Corleone, se casa com um homem no começo da história, Carlo Rizzi. Carlo é um bastardo completo e vive batendo nela, inclusive durante a gravidez. Ela liga pra Hagen, o consigliere da família, para pedir ajuda e Hagen começa a imaginar qual vai ser a ‘historinha triste’ da vez.

Outras passagens fantásticas (SPOILER! Não leia se você não sabe e não quer saber): o momento em que Johnny Fontaine, o cantor, pensa em como todas as mulheres da vida dele o traíram, se esquecendo da ex-mulher-italianinha-perfeita que viveu pra ele mesmo depois da separação; os espancamentos de Connie; Fontaine batendo na segunda esposa; Kay, a esposa de Michael Corleone, sendo burra incontáveis vezes, especialmente quando aceita se casar com ele ou quando volta pra casa. Eu ia botar os trechos aqui, mas ia ficar gigante.

Sim, sim, eu sei que é um livro de 69 tratando das décadas de 40 e 50 sobre uma família italiana. Mas, sério, minhas antepassadas se reviram no túmulo enquanto eu escrevo esse post. Vai ver as sicilianas são mais mansas.

Os homens, ao contrário, sempre têm alguma característica fantástica, em que eles são melhores do que todos os outros. Isso quando não são semideuses, como é o caso de Michael, que chega ao ridículo de ser comparado a um imperador romano. Macho pacaraio.

Outra coisa péssima é o racismo contra negros. Toda vez que um negro aparece, é quase um animal. Vide a reunião entre as famílias convocada por Don Vito pra fazer as pazes e a narrativa da história de Albert Neri.

Por fim, uma coisa que não me agrada é o pornô barato. Sabe esses ‘Harlequin’ de banca? Então. É péssimo. Na primeira vez que li dentro do ônibus, agradeci a todos os deuses de todas as culturas possíveis por ele ser em inglês – e pedi pra que o senhor do meu lado não soubesse ler inglês, principalmente. Todas as descrições do pinto (desculpem a palavra) do Sonny são absolutamente dispensáveis. Assim como todas as cenas de sexo. E a operação vaginal da amante dele.

Eu sei que vou apanhar na rua por causa disso, mas não sei como todos os meus conhecidos que leram esse livro antes de mim nem chegaram a comentar essas coisas. Nada. Nem as meninas mais feministas do mundo. Ou eu tô pirando?

Quer uma dica? Fique com o filme. É praticamente a mesma coisa, de um jeito menos prejudicial. E você não é obrigado a saber o tamanho dos órgãos sexuais alheios. Puzo, você não é o García Márquez.

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PUZO, Mario. The Godfather. New York, NY: New American Library, 2005. 433 p.

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3 pensamentos sobre “Dia 139: The Godfather

  1. Neste ponto você está com a razão, as mulheres nesse filme tem somente a figura de parideiras. Mas esse é um fato tão banal que eu deixo de me preocupar quase q automaticamente, quando a questão é um filme, quando é antigo, retrata a historia de uma familia grande…. sempre tem parideiras nesses filmes! É de praxe, como já te disse! uhauhauauhauau
    Beijo. =*

  2. Mijei de tanto rir aqui!! hauhauahauahaahau
    Também não me agrada essa coisa de escritor ficar descrevendo o pênis (olha fui educado agora) dos personagens. E nem cenas de sexo com muitos detalhes também não gosto. Acho totalmente desnecessário.
    (Não fui machista agora, gostei disso!) hauhauahaua

  3. Pingback: Dia 154: Da série ‘Gente que deveria ser queimada em praça pública’: John Mayer « Tata Lombardi

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