Dia 165: BBB: Paredão nº 7 – O Final

Embora muita gente – a maioria, eu arriscaria dizer – justifique suas torcidas com ‘é só um jogo!’ ou critiquem dizendo que BBB não vale nada, não é assim que eu penso. Penso, aliás, que é uma grande bobagem para um letrado dizer. Porque é mais do que sabido que a TV influencia massas, como bem lembrou o Jean Wyllys.

O BBB, pra mim, não era só brincadeira, diversão. Era também. Aliás, foi assim que começou. Mas com o tempo surgiram situações que exigiam posicionamento. Pra uma população alienada politicamente, é fácil ignorar; ra mim, não. Porque, querendo ou não, cada ofensa homofóbica ali me atingia também. E cada vez que alguém aqui fora aplaudia ou ignorava essas atitudes em pró do ‘jogador’, estava endossando o que era dito ou feito.

O Dourado é um grande desserviço. Como já disse antes aqui outras vezes, eu entendo a empatia; não entendo como se pode ignorar certas atitudes. Já no primeiro dia eu senti que não deveria esperar muito quando ele declarou a primeira de muitas pérolas. Naquela época, eu ainda pensava que ele sairia logo. Não saiu. E aí ficou claro que não sairia mais.

A única esperança era o embate com a Morango, que era a única que ainda dava um páreo. E o que eu senti, no final, foi que a intenção de tirar a Angélica já era grande e velha nas pessoas, e que só seguravam os comentários maldosos porque ela estava abraçando o Dourado. Porque, vejam só, foi só ela desafiar o sujeito que argumentos anti-homofobia, anti-machismo e anti-violência foram pisados com 55% dos votos por gente que acreditava que ela tinha que sair porque era ‘fofoqueira’ e ‘bigoduda’.

Esse paredão não só serviu pra me mostrar que a argumentação brasileira anda fraca. Serviu também pra saber que dá, sim, pra mobilizar um mundo inteiro – ainda que não tenha sido suficiente. AfterEllen, com a Trish Bendix, e o Equal Roots foram altamente atenciosos, ao menos comigo; depois correu a bola de neve e o The Advocate também entrou na roda; até o – vejam só! – Boy George deu um pitaco. Ainda correram pelo Twitter notícias vindas do México, Bélgica e Itália. Valeu só por isso.

E, pra mim, como era de se esperar, o BBB acaba aqui. Não sei se vou continuar assistindo, quanto mais comentando. Hoje foi final. Em número de votos e em paralização nacional. Daqui pra frente a gente conhece o enredo. E eu não tenho coração pra ver o que acontece.

Eu fiquei triste, sim, porque vi ali a cabeça brasileira. E finalmente entendi que não vou viver pra ver nada diferente disso. Vem pra gente, Morango. Tchau, BBB. Um abraço pra quem fica.

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Update: Só mais um agradecimento a algo que eu acabei de receber por e-mail.

Update 2: Dois posts me deram ânimo hoje: o da Haline e o da Mary W. Aliás, fui citada pela última. Já dá pra morrer, né? Outra coisa boa foi o The Advocate lamentando o resultado do paredão. E reparem que em alguns comentários há estrangeiros se posicionando. Coisa boa.

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