Dia 216: Livro: Antropologia Cultural

Mais uma foto sensacional da minha webcam fajuta. Esses livros aí eu comprei de um vendedor de livros usados lá na UFMG. Me enfiou a faca sem dó. Mas em compensação ele me deu um Orlando, da Virgina Woolf, em inglês.

Aí vão dois trechos que eu marquei enquanto lia – provavelmente pra discutir com alguém:

O uso de adornos no corpo humano parece ser universal cultural. Mas o corpo presta-se a uma imensa variedade de possibilidades. A cabeça, o tronco, os membros – todos têm sido utilizados como porta-adornos, de acordo com as convenções do povo em causa. Na Nova Guiné, por exemplo, os homens usam a mais espantosa variedade de penteados e enfeites de cabeça. Até marcas permanentes podem fazer parte de adornos corporais, como é o caso da tatuagem. O corpo de um marquesano, bem tatuado, e o rosto de um chefe maori, cheio de desenhos entalhados curvilíneos seguindo os contornos faciais, são trabalhos de alta arte. Alguns povos têm praticado métodos de escarificação que a nossos olhos parecem menos estéticos, retalhando-se ou fazendo vincos artificiais para mostrar sua bravura ou exercer outros fatores sociais. Outros povos dão valor a formas de mutilação como decepar dedos, quebrar dentes ou fazer incisões nos órgãos genitais. Ou procuram modificar a forma do corpo, seja achatando ou alongando a cabeça, seja comprimindo os pés, como no caso tradicional das mulheres chinesas. (v. 1, pp. 316-317)

…e:

Já dissemos que alguns povos dão grande valor ao esforço e às realizações do trabalho, sendo tal ideal frequentemente provocado pela necessidade de viver em regiões muito populosas ou de climas pouco propícios. Outros adotam a opinião de que o trabalho deve ser reduzido ao mínimo e o valor do indivíduo deve ser medido em outros termos. Esse contraste surge claramente quando ocidentais penetram áreas indígenas em que predomina a segunda idéia. O ocidental tem a tendência de considerar os habitantes locais como “preguiçosos”, “indolentes”, incapazes de um esforço continuado, trabalhadores nos quais não se pode confiar, talvez mesmo biologicamente deficientes em relação ao trabalho, porque não se aplicam ao que pelos padrões ocidentais é considerado digno e lucrativo – e especialmente porque podem não desejar trabalhar por salários em empresas de homens brancos. Os habitantes locais, por sua vez, longe de consideraram lucrativas as novas atividades, podem sentir uma secreta piedade pelo homem branco que tem de trabalhar tanto para viver, considerando-o uma espécie de escravo econômico preso às engrenagens dos relógios de ponto, apitos de fábricas e coisas semelhantes e sentir-se felizes por ter uma vida mais calma. (v. 2, p.352)

KEESING, Felix M. Antropologia cultural: a ciência dos costumes. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1961. 2 v.

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