Dia 244: Takarazuka: Parte I – Introdução

Eu venho querendo escrever algo sobre o Takarazuka há anos. Assim, só pra ter. Porque toda vez que alguém me pergunta o que é, eu resumo numa linha: um teatro japonês formado só por mulheres. Acho que todo mundo se deu por satisfeito com essa explicação até hoje, mas eu sempre fico querendo falar mais.

Acho que é por não ter com quem falar. No Brasil, são tão poucas as pessoas que gostam, que chega a ser frustrante. Conheço menos de cinco fãs aqui. Eu tenho ouvido muito esse pessoal mais novo que curte anime falar do Takarazuka, provavelmente por influência da Valéria-sama, mas ainda não vi nenhuma fã, por assim dizer. Por sorte, é relativamente fácil achar fãs americanas/os europeias/eus pela internet afora.

Minha motivação para escrever é: 1) ter uma espécie de ‘guia’ pra quando alguém se interessar pelo assunto; 2) debater mais uma daquelas coisas que encanta e frustra feministas na mesma medida; 3) debater gêneros (YAY!).

Também é legal porque essa nova leva de amigos meus ainda não sabe que o Takarazuka é uma das minhas maiores paixões. Eu tenho poupado os ouvidos alheios. Os mais antigos já estão cansados de ouvir falar. Uma amiga servia até de cobaia: assistia tudo o que eu baixava comigo. Tadinha.

Eu acho muito, muito difícil escrever sobre isso. O Takarazuka é muito complexo, e eu não consigo ver as informações que eu preciso dar de forma linear. Tem coisa que é fácil de escrever, que você vai seguindo numa linha. Eu diria que aqui é mais o caso de uma rede, onde uma informação depende da outra pra fazer sentido, então eu vou precisar de tempo e paciência pra perceber por onde começar.

Eu queria tratar tópico a tópico sobre o Zuka (apelido carinhoso de fã), então dividi tudo em sete partes. Vou publicar uma por dia, e espero ter sido clara. Saibam que eu escrevi tudo durante uma madrugada, em cinco horas em que eu poderia estar dormindo, então a probabilidade de eu ter escrito bobagem é grande. Qualquer dúvida, sintam-se à vontade para questionar.

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INTRODUÇÃO

Eu ouvi falar do Takarazuka pela primeira vez quando eu tinha catorze ou quinze anos. Sempre fui muito fã de anime, e na época eu estava desenvolvendo uma paixão especial pela obra da Riyoko Ikeda, em especial A Rosa de Versalhes. Isso foi por volta de 2000. A internet já estava bem e caminhando, e sites sobre anime e mangá surgiam aos montes. Pesquisando sobre esse mangá, cheguei a um site dedicado totalmente a ele, onde vi uma seção que fala sobre o musical baseado na obra que havia sido produzido por um certo teatro na década de 70.

Na época, eu não dei bola. Achei o figurino muito pesado, excessivo, e que não refletia a delicadeza dos traços da Ikeda. As perucas, então, nem dava pra comentar.

Passou. Esqueci. Esqueci por 4 anos. E um dia eu acordei e resolvi procurar. Assim, do nada. Inspiração divina. Googlei e caí no falecido site da Merry Shannon, uma das maiores fãs que eu já conheci. Ele era bem completo, tinha todo tipo de informação. E vídeos! Vídeo era a coisa mais difícil de achar. Felizmente, o YouTube chegou pouco depois nas nossas vidas e resolveu boa parte da minha agonia.

Vejam bem, logo que eu descobri o Zuka, fiquei dias obcecada com ele. Procurava freneticamente toda informação que pudesse haver no mundo sobre ele. Imaginem a minha felicidade ao descobrir vídeos (VÍDEOS!) por aí. E olha que, na época em que eu fui apresentada ao YouTube e me ocorreu a ideia de procurar, não havia mais que dez vídeos disponíveis – hoje em dia são mais de seis mil.

Acho que nem preciso dizer que me apaixonei definitivamente, né? O primeiro vídeo que vi, no site da Shannon, e que me fez ter aquele estalo causador de tudo, foi o trailer da versão de 1998 de Elisabeth, a versão encenada pelo Soragumi. Elisabeth acabou se tornando minha peça favorita, embora a Osa (Hanagumi, 2002-3) tenha substituído a Zunko (Soragumi, 1998) como minha intérprete favorita.

[Osa (Haruno Sumire) como ‘a Morte’ em Elisabeth]

A partir daqui, qualquer coisa que eu disser vai precisar de um conhecimento básico do teatro, então é bom começar a dar um resumo da história do teatro, o que eu vou fazer a partir do próximo post.

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