Dia 284: Claustrofobia

Eu não sei o que eu quero. Mas eu tenho certeza de que não quero ter que ficar vigiando cada palavra que eu digo pra ver se eu não estou por acaso prometendo alguma coisa involuntária pra alguém.

A fase é difícil, eu sou difícil, e achei que isso fosse claro. Aparentemente, eu não sei me expressar.

Não sei lidar com aperto.

Dia 282: OLÊOLÊOLÊOLÊÊÊÊÊ

Eu ando sumida, né? É. Eu tinha histórias longuíssimas pra contar sobre isso, aí desisti. Há vinte dias era um motivo, depois foi outro, depois foi outro, depois foi outro e agora é só o fim de semestre. Eu sou do tipo de estudante que gosta de uma emoção. A vida não fica completa se eu não deixar todos os trabalhos do início do semestre para o fim e não correr o risco de pegar exame.

E fim de semestre é um negócio que não orna com Copa do Mundo. Pensa no sadismo do professor, tomando cerveja e agitando bandeirinha, esperando que você entregue os 7 resumos que ele deu depois do jogo. Eu, como boa rebelde sem causa, sacaneio e assisto até os jogos da Coreia do Norte. Não adianta muito, né, porque quem termina reprovada sou eu, não ele. Mas enfim.

Eu na verdade gostaria de estar dormindo agora – vou fazer isso em vinte minutos -, porque virei a noite tentando recuperar o tempo perdido, mas vinte dias sem postar é um troço que me incomoda, e eu senti que era hora de falar de Copa antes que dê alguma zebra e perca minha oportunidade.

O negócio é que eu não entendo azedume com Copa. Tá, quem não gosta, não gosta. Ninguém é obrigado. E todo mundo tem o direito de não aguentar mais ouvir falar disso – apesar de que é só um mísero mês em quatro anos, e a gente passa quatro anos esperando esse sofrimento, então peço a sua compreensão. Mas é aquela gente que diz ‘se brasileiro se unisse pra [preencha aqui com o que quiser] como se une na Copa…’ é que eu não aguento. Desculpaê, dá não.

Porque, né, não gostar de futebol é uma coisa; não se comover com a alegria geral é outra. É tão gostoso o pessoal todo animado, naquele preparativo antes do jogo; ou na solidariedade com o jogador que foi expulso pelo juiz FILHO-DA-PUTA; ou tocando vuvuzela como se não houvesse amanhã depois… Fala sério!

Eu torço pra Itália. Né, muitos motivos. Tipo o Cannavaro. Brincadeira. [Não, não é. Cannavaro bem daria um motivo.] Mas eu não consigo deixar de torcer pro Brasil também. Eu não gosto do Dunga, não gosto do Kaká, do Robinho, nem do Galvão Bueno querendo comer meia seleção. Mas eu não resisto a torcer com todo mundo.

E eu me dei conta disso porque hoje pisei na rua e só dá pra ver verde e amarelo em tudo o que é canto. Tem carro que a gente nem vê; só vê uma bandeira GIGANTE andando sozinha no meio da rua. E se pergunta como é que o motorista enxerga alguma coisa. Até os caminhõezinhos mais modestos têm pelo menos uma bandeirinha em algum lugar. Olha a felicidade. Um mísero 3×1 conta a Costa do Marfim e tinha um monte de senhorinhas com a camisa da seleção na rua. Eu queria abraçar.

Quatro anos, gente. A gente nem sabe até onde vai isso. Fomos pras oitavas, mas quem garante que disso passa? Então não joguem água nesse chope, não, por favor. Quem dera os dias todos começassem assim tão leves como o de hoje.