Dia 315: Em Passos

Eu sei, eu sei. Minhas promessas não estão valendo nada ultimamente. Tô fingindo que ninguém lembra que eu tinha prometido postar todos os dias no primeiro post. Mas olha só, pelo menos o blog ainda está inteiro! Apesar de toda a vontade que eu tive de implodir esse endereço nos últimos dias, resisti à tentação e voilà! Pelo menos uma das duas promessas eu estou cumprindo.

Seria até redundante dizer que minha vida virou um caos há um mês porque, bem, fim de semestre é isso mesmo. Mas o caso é que isso tudo já deveria ter passado, pela lógica certa das férias. Mas eu não seria Thais Lombardi se não caçasse mais sarna ainda na vida, então eu arranjei pra cabeça e estou gastando meu julho estudando. Longa história. Um dia eu ainda vou escrever sobre isso, e espero que seja dando boa notícia. São minhas férias indo pras cucuias, né, então é bom dar certo e valer a pena.

Enfim, pra complicar a história toda, eu estou presa em Passos. O motor do carro da minha avó fundiu e, com ele, todo o meu planejamento das férias. Eu sempre divido o tempo igualmente entre Passos e Barretos, de forma que eu possa passar um dias com a minha vó e outros com a minha mãe e os amigos. Mas Murphy achou que seria legal fazer o carro pifar no meio do caminho, a 150km de Barretos, ao meio-dia. Torrei no sol esperando um táxi que demorou duas horas e meia pra chegar porque, bem, ele simplesmente tinha tomado o rumo contrário.

Aí eu tive que trazer minha vó de volta com o carro da minha mãe, mas não podia deixá-la a pé. E, claro, minha vó não dirige o carro da minha mãe. Então eu fiquei de motorista. Estou aqui de castigo há uma semana e meia esperando a boa vontade do mecânico pra me devolver o bendito carro.

Isso tudo seria ok, já que aqui eu tenho um relativo sossego pra estudar em paz, pelo menos sem todo aquele ritmo de Casa da Mãe Joana de Barretos. O problema é só que, como as minhas primas passaram uma semana aqui comigo, nós três usando e abusando do 3G, o plano, claro, excedeu o limite. Então eu estou fazendo malabarismos esses dias pra não extrapolar a fortuna que eu já gastei com tarifa excedente.

Surpreendentemente, eu tenho até conseguido manter o bom humor. A não ser em uma situação específica da minha rotina passense: o trânsito. Dirigir em cidade nunca foi meu forte. Em Passos, então, sai de baixo. É um teste pros nervos. De um jeito diferente de cidades grandes.

Passos, como qualquer boa cidade mineira, não tem absolutamente nenhum planejamento. Nada. Nem aquelas ruas tortas com nomes de tribos indígenas que em BH eles fingem ter alguma lógica. As pessoas simplesmente chegavam aqui no século XVIII botando casa onde bem entendiam. Daí já se depreende que as ruas não têm muito padrão. Existem uma ou duas bem largas, como a avenida dos bancos, outras duas ou três muito estreitas, dessas estilo japonesas em que literalmente só cabe um carro por vez; a maioria, no entanto, é desse tamanho mediano que normalmente seria usado em ruas de mão única com estacionamento de um lado. Mas aqui eles não gostam de desperdício, né? Então já vão botando logo mão dupla em todas as ruas e estacionamento dos dois lados. Eu poderia dar muitos detalhes mais, mas descrever não seria tão eficaz quanto vivenciar a experiência maravilhosa de ter que se espremer entre dois caminhões estacionados nessas ruelas enquanto uma fila de carros em sentido contrário esperando a vez enfia a mão na buzina pra você ir mais rápido.

Os motoristas não ligam muito para as leis de trânsito. Aqui é opcional. Dar seta é opcional. Dar preferência é opcional. Dar passagem pra pedestre é opcional. Andar na sua faixa é opcional. Não estacionar na esquina ou em local proibido é opcional. Bater papo no meio da rua é opcional. Descer do caminhão e deixar a porta da cabine aberta é opcional. Não parar no meio das rotatórias (que compõem 75% da malha urbana da cidade) é opcional.

Os pedestres também não ajudam. Não que eles tenham muita culpa, é mais pelo hábito, mesmo. É que aqui não há calçadas. Simples assim. As calçadas são todas feitas para uma pessoa só. Logo, se você está em grupo, é preciso andar em fila indiana, coisa que, obviamente, ninguém que não seja eu faz. Eu tenho pavor de gente na rua, então fico empurrando todo mundo pra calçada, incluindo minha vó, que já tem 25 anos de mineirice enraizada. Mas a regra aqui é andar lado a lado, chegando até o meio da rua. Então frequentemente você tem a impressão de estar num boliche gigante, tendo que tomar cuidado pra não derrubar os pinos. É isso.

Eu adoro essa cidade. Não tem jeito de ser mais interiorana, bem do jeito que eu gosto. Mas, sabe, assim que eu puder me livrar da tarefa de tirar o carro da garagem cinco vezes por dia, vou voltar a andar a pé. Nem estou ligando mais pros morros. Faz bem, né?  Calçada pra andar sozinha tem.

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(Quero mandar um beijo pro meu pai, pra minha mãe e pra @srtabia e dizer pra ela que eu não esqueci do meme!)

Dia 292: Chorei

Estamos fora. Não tem muito o que dizer a respeito. O Dunga estava numa gana tão grande de mostrar pro mundo que ele estava fazendo certo, que acabou persistindo em erros imbecis. O maior deles, Felipe Melo.

O jogo estava bonito no primeiro tempo. E ganho. Mas a seleção brasileira tem um defeito gravíssimo: quando marca um gol, fica satisfeito. Aí começa aquela patacoada de toquinhos e enrolação que, claro, muito ajuda o adversário. Quem não faz, leva.

Mas a culpa é da jabulani e da camisa azul, claro.

A minha Copa acabou. Itália fora, Portugal fora, Brasil fora. Só continuo na torcida contra o Maradona. Chorei, Brasil.