Explicando o inexplicável

Um ano já veio e já passou. Por isso, considerando a promessa cumprida (pela metade), vou deixar aquela coisa de ‘dia xx’ pra lá. Até porque eu percebi que a contagem estava toda errada. Enfim.

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Fiz algo ontem que eu nunca achei que fosse fazer: entrei pra um time de rugby. Nunca pensei que fosse fazer simplesmente porque nunca pensei em rugby no Brasil. Esse é o mal dos esportes que não são futebol aqui. Fala-se tão pouco deles que a gente nem lembra que existem. E como as minhas tentativas de achar times em outros esportes de popularidade baixa no Brasil foram massacrantemente frustradas, eu joguei tudo pra cima. Nem com o judô eu consegui fazer as pazes aqui em Belo Horizonte. Abandon hope all ye who enter here.

Mas aí chegou a Bani, dia desses, dizendo que tava treinando rugby e eu quase tive um orgasmo só de pensar que tinha time aqui. E pronto. Tava decidido. Achei até que ia causar minha expulsão de casa – porque essa é a segunda notícia do tipo que eu dou pra minha mãe em questão de dois meses -, mas tudo correu surpreendentemente bem. Tá todo mundo apoiando. Embora eu ache que minha mãe só tenha se empolgado de verdade depois que eu dei uma ideia de quanto medem as coxas dos jogadores do time masculino. Enfim.

O lance é que 89% das pessoas pra quem você conta a novidade, feliz e saltitante, torcem o nariz. Porque é violento. Porque vai doer. Porque você vai quebrar o nariz, o braço e depois morrer. Nas primeiras vezes você não liga pros comentários. Ri, explica, faz piada. Mas depois da 194ª vez que te perguntam quais são suas flores preferidas pra levarem no funeral, começa a ficar chato.

Acho que o pessoal que me conheceu nos últimos anos, em uma fase super sedentária, não tem ideia do quanto eu adoro esportes e de como isso faz diferença na minha vida. Quando eu larguei o judô, fiquei muito tempo frustrada e com uma sensação de impotência. Não superei ainda. A camiseta surrada e esburacada da equipe que eu não consegui jogar fora até hoje é a maior prova disso. Voltar a praticar alguma coisa, fazer parte de uma equipe de novo, renovou meu ânimo, que anda abalado pela ansiedade das provas que eu devo encarar em breve.

Eu sei que dói, que machuca, que fode tudo. Eu era judoca. Eu me fodi de umas 657 formas diferentes. Dói pra caramba. Na hora, você se pergunta que ideia de jerico foi essa de se enfiar nessa roubada. Mas compensa de outras formas.

Tudo o que eu quero de amigos é apoio. Vocês falaram tudo o que queriam falar. Eu já entendi. Já entendi que vocês não fariam isso. Mas EU decidi fazer. Então só apoiem. Não precisam assistir, ficar torcendo, nem me levar pro hospital depois, se não quiserem. É só dar aquela força psicológica. De resto, quem vai se quebrar toda sou eu. Não vai doer em vocês. Juro.

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