IT’S FUN TO STAY AT THE YYYYMCA!

UPDATE: Eu desconhecia certos episódios de racismo pronunciado do Bolsonaro. Assim, fica já claro que não é só um caso de racismo enraizado. Não vou editar o texto. Tenham em mente que foi escrito na ignorância desses fatos e foquem-se somente no aspecto do entendimento equívoco da pergunta.

_

Eu não gosto de caricaturagem de oponente, de maneira geral. Não que seja santa. Fiz, faço, mas me policio e evito. Primeiro, porque essa sempre foi uma das coisas que mais me enojam em política; você vence pela propaganda (enganosa), não pelos fatos (cf. Alemanha Nazista). Segundo, porque o tiro sai pela culatra. E aí todo mundo critica o que a Veja faz, por exemplo, mas nas últimas eleições infelizmente não vi muita gente da esquerda fazendo diferente.

E foi isso que acabou me empurrando pra escrever sobre o caso Bolsonaro. Porque a briga entre o movimento gay e ele é gigante, tem um monte de gente com ganas de pegar o cara na saída (inclusive eu) e aí acaba todo mundo entrando na cilada de usar o primeiro gancho que aparece pra queimar o filme do sujeito.

Homofobia não comove. Comove gay, pai, mãe e amigo de gay, mas não a população em geral. Aí esse senhor vai lá e profere algo que, de primeira, parece racista. E aí, lógico, a multidão ávida de sangue cai de boca.

Já teve gente fazendo beicinho quando eu falei, mas é isso que eu percebo: ele não é racista. Não mais do que o resto da população. Colocando em outros termos, ele não é um racista consciente. Porque eu chuto que uns 97% dessa galera indignada é racista, e, desses, uns 90% não têm a menor consciência disso. A gente aprende que racismo é coisa feia, crime, e que você não pode falar que não gosta de NEGRO (ou outra raça/etnia que seja) – e até aprende a usar ‘afrodescendente’ -, mas continua achando isso super normal e justificando piada de mau gosto com ‘você que é mal comida e não tem bom humor’. Racismo, que é imoral e ninguém declara, a gente percebe nos atos pequenos. E o Bolsonaro entregou o dele associando raça a pobreza. Não diferente do que a maioria faz.

E é aqui que entra o real problema. Porque quando você diz pra uma determinada parcela da população que o Bolsonaro ‘não é’ racista ou que ele entendeu mal a pergunta, a reação mais frequente é ‘ah, bom!, menos mal!’ Não! Não é menos mal. Racismo não é pior que homofobia. Homofobia não é menos pior que racismo. Só porque um é punido e o outro, não, isso não melhora as coisas. Os dois discriminam, os dois agridem, os dois matam – e frequentemente andam de mãos dadas.

Não estou tirando o racismo da questão. Tem que ser muito debatido. Mas vamos nos focar no que realmente foi dito. A declaração dele não foi racista, e sim homofóbica. Porque a resposta que ele deu pra Preta não teve o menor link com a pergunta. Promiscuidade não é argumento utilizado abertamente contra negros*; é argumento contra gays. Pra mim, pareceu, sim, que ele esperava da Preta uma pergunta sobre gays e entendeu o que quis. E respondeu o que quis também.

E é essa a merda real que a gente tem que contestar nesse momento específico. O fato dele ficar o tempo todo batendo na tecla da família de bem hétero vs. os gays promíscuos (olha aí a caricaturagem).

Fora isso, todas as outras barbaridades que ele abre a boca pra falar eu vou deixar pra lá. Já foi dito e redito por gente que tem cacife real pra falar disso; nem me arrisco. Quero só mostrar o que é, pra mim, a melhor sequência da entrevista dele no CQC (tudo sic):

Cidadão 1: Alô, deputado, você é briguento assim em casa? Como a sua mulher te aguenta?

Senhor de bem: Ela, quando começou a namorar comigo, ficou preocupada, mas logo depois viu que, realmente, eu sou uma pessoa excepcional dentro de casa. Sem problema nenhum, sem violência

[Corta pra pergunta seguinte.]

Cidadão 2: O que você faria se pegasse o seu filho fumando ‘unzinho’?

Senhor de bem: Daria uma porrada nele! Pode ter certeza!

Queria parabenizar a edição do CQC pelo espírito-de-porco de colocar as duas perguntas juntas. Muito amor no meu coração.

Mas definitivamente a melhor coisa do vídeo é Y.M.C.A. tocando ao fundo, que eu obviamente não parei de cantar até agora. Ovelhas coloridas, mão no peito, por favor, que eu vou encerrar o post com o hino:

_

*Na verdade, é, e muito, mas não na mesma proporção em que é associada aos LGBT e não com muita frequência pelo ‘racismo inconsciente’.

‘Bi’ de ‘cuida da sua vida!’

Eu comecei a perceber minha atração por mulheres quando eu tinha, sei lá, 14 ou 15 anos. Continuei minha vida normalmente, não parecia nada fora de normal. Primeiro, porque eu tinha crescido num ambiente gay-friendly. Segundo, porque sempre ouvia falar que é normal – e é normal – rolarem questionamentos sobre a própria sexualidade na adolescência.

Ok. Cheguei aos 18, 19, percebi que não era só questionamento, não era fase. Eu realmente gostava de mulheres. Nessa época, eu achava que eram só mulheres e que essa coisa de gostar de homem, sim, é que tinha sido fase, reflexo da minha educação. Me considerei 100% lésbica por uns bons dois anos, até que, já aqui em BH, eu percebi que estava enganada.

Aí eu passei a dizer que gostava de homem e mulher de jeito igual, não tinha preferência. Mas com o tempo veio outro baque porque, né, a pior coisa pra uma pessoa que tem toda essa delicadeza natural – não – é ter que encarar o fato de que provavelmente não vai pegar ninguém pro resto da vida gostando de homem.

E o fato é esse. Eu acabei descobrindo que tenho mais atração por homem do que por mulher, e blablablá. Tanto faz,  isso. TANTO FAZ. Isso não diz respeito a ninguém, e na verdade a única coisa que mudou foi que eu passei a fazer a alegria das héteros da minha timeline twitteira com os jogadores de rugby seminus que posto ocasionalmente.

Mas por mais que eu brigue diariamente e diariamente leve na esportiva piadinhas sem graça, a verdade é que uma hora cansa. Poxa. Se toca. ‘Cê acha que bissexual é bagunça?

Gay sofre preconceito por ser gay. Bissexual sofre preconceito por ser gay e por ser hétero. Parece mentira, mas em pleno 2011, movimento LGBT no auge, gay ainda acha que bi ‘traiu o movimento’ ou que tá na indecisão. Porque, ó, vou dizer, não tem nada mais bacana do que ficar ouvindo todo santo dia que você tem que se decidir logo ou que você tá ‘fingindo’ algo pra obter privilégio. Pff. ORLY?

Eu sempre digo que o pior preconceito é o que vem de casa. Como minha família é tranquila, como eu nunca tive problemas, como eu sei que posso contar com eles, eu sempre achei muito fácil passar por tudo. Mas o movimento gay é meio que a segunda casa de todo LGBT, então sofrer preconceito dentro do próprio movimento tem quase o mesmo impacto.

Mas tô quase pra falar que vocês ganharam, viu? Tô desistindo. Foi tudo brincadeirinha. É que eu tava afim de rir da cara de vocês aí, sofrendo todo esse preconceito sozinhos, enquando eu fico aqui, aproveitando meus PRIVILÉGIOS de bissexual. Desculpa, viu?

BBB: final feliz, qualquer que seja

Alguém disse no Twitter, depois da eliminação do Colírio Capricho, que esse BBB foi pra lavar a alma, e eu tenho que concordar demais. A gente não eliminou um Dourado (desculpa, Lóri); eliminamos três versões muito pioradas. De quebra, teremos uma final onde TODO MUNDO merece ganhar.

Tem muita gente que discorda, que acha que só quem joga merece ganhar, que o Wesley foi samambaia, que prefere ver um barraqueiro ganhando, etc. Mas meu coração é mole e eu prefiro premiar boa-mocice do que cafajestagem. Desculpa.

Então, depois daquele paredão, o BBB poderia ter acabado, por mim. Se eu fosse o Bones, pegaria um milhão e daria pra cada um. À Maria porque é a Maria. Não tem como não amar aquela pureza. Ao Wesley, porque EU JÁ SABIA! Mentira, fiquei morrendo de medo dele fazer alguma merda e se mostrar o maior cretino, mas que lindo!, que lindo que ele é! E à Diana porque, claro, é diva e jogou demais!

Mas esse BBB é do Daniel, claramente. E muito merecido. Principalmente porque ele não faz a menor ideia de que vai ganhar. Ele é tão lindo, tão humilde, que rezou desesperadamente a cada paredão pra não sair. Não faz ideia da força que tem aqui fora.

Então escolham seus coqueiros pra comemoração. Esse BBB foi nosso.

Dilma, lua, tudo igual!

Acabei de ter um acesso de riso sozinha em casa lembrando da conversa com a minha mãe no telefone ontem. Como não dá pra resumir no Twitter, vai aqui mesmo.

.

Eu: E o Obama?

Mãe: Pois é, né? Tava lindo! É um tipão! A Michele, então… Ela é muito elegante, né? Dá gosto de ver!

– Pois é, eu não vi! Perdi porque tava no St. Patrick’s. Só ouvia algumas pessoas comentando, mas acabei não acompanhando…

– Até a Dilma tava bonita!

– Então! Eu vi! Eu vi as fotos! Você viu aquela sobre a Acrópole?

– Anh? Não…

– Tava LINDA! Ela tava gigante!

– …

[5 minutos depois…]

– …vi fotos em vários lugares! Fiquei encantada, porque aqui, pra gente, não mudou nada. E aí?

– Thais, DO QUE QUE ‘CÊ TÁ FALANDO?

– Ué, da lua…

– Eu falei DILMA, Thais! DILMA!

.

Moral da história: preciso de um celular novo.

Love Hina

Quando estávamos no colegial, minhas amigas e eu éramos loucas por Love Hina. Na verdade, eu era louca por qualquer mangá. Os mangás estavam começando a ganhar espaço no Brasil e eu colecionava – quase – tudo. A história não era das melhores, mas eu era apaixonada pelo traço do Ken Akamatsu. Achava fantástico como ele conseguia ter um traço tão limpo e ao mesmo tempo tão detalhista. Cuidava de coisas minúsculas: cada personagem tinha um guarda-roupa infinito, e estamos falando de pelo menos 10 personagens frequentes. Não tinha grande interesse pelo anime, mas a oportunidade surgiu e eu finalmente assisti nos últimos dias. E não me tive surpresas: é mesmo uma droga.

Love Hina é o típico shounen*: ‘loser dos losers fracassado² que nunca conversou com uma garota de repente se vê cercado e adorado por montes delas’. É uma mistura de mitos femininos com fetiches masculinos (não só) japoneses. O mangá é basicamente a mesma coisa – com uma história mais longa e mais complexa -, mas a diferença aqui é que não existe mais Akamatsu pra iludir. Nada se salva nessa versão.

O desenvolvimento das personagens é péssimo. De personalidades individuais, nós vamos parar num mar de garotas obcecadas por um cara que é, basicamente, nada. A Naru, ok, é apaixonada, é a mocinha, passa. A Motoko é a man-hater reprimida que se sentiu abandonada quando a irmã se casou, e é magicamente salva pelo mocinho quando ele a ensina a ser verdadeiramente (‘emocionalmente’) forte – não pergunte; eu ainda não descobri o que ele fez. A Shinobu, a tímida, sem amigos, também evolui de bullied pra Zangief Kid em um mísero episódio, claro, por amor. Não aguento.

Aí você, amigo mais esperto que eu, nessa situação de não gostar de algo já teria desistido e deixado pra lá, mas não! Eu curto um sofrimento, então ainda assisti ao especial de primavera e aos TRÊS OVAs. Só pra constatar que, claro, são MUITO piores.

Os OVAs ainda têm o agravante de que as personagens mais novas, agora crescidas, pretendem cursar a mesma faculdade que o personagem principal para conquistá-lo. É, tipo, história imbecil elevada à décima potência.

[Especial de primavera.]

[OVAs.]

Mas Love Hina me ensinou muita coisa. Aprendi, por exemplo, que todas as mulheres do Japão são peitudas. Olha que bacana. Mas o mais gostoso de ter baixado o anime, mesmo, vai ser aliviar quase 7GB do meu notebook. Ja nee, Keitarou.

_

*Shounen: mangá/anime voltado para garotos (adolescentes/jovens). É o gênero que mais chega ao Brasil. Dragon Ball, Pokemon, YuYu Hakusho, Naruto, Yu-Gi-Oh e afins são exemplos.

Volta pra Notre Dame, oferenda!

Você veja só como são as coisas. A gente fica achando que o auge da glória é Diogo ser eliminado do BBB, e percebe que existe a possibilidade de colocar Maurício pra fora também. Boto fé que vai acontecer e que 13 de março vai entrar pra história e virar feriado nacional.

Maurício é repugnante. Não tem palavra melhor. Eu juro que nem notei a pessoa na primeira parte do BBB, porque tinha umas 52 pra olhar e ele não fazia diferença. Mas depois que ele voltou, se achando Dourado 2.0, ah, virou alvo. Nojento, ‘descarta’ mulher garota de programa, tem mais é que se ferrar, mesmo.

Caiu o queixo da Adriana, caiu queixo do Diogo e quero ver aquela pintura de Picasso se desmanchando de chorar também quando sair. Se acha o escolhido, mas não teve coragem de se submeter ao paredão voluntariamente quando teve oportunidade.

Meta das próximas eliminações: Maurício (amanhã, porque o Brasil ainda deve ter alguma dignidade guardada), Rodrigo e Jaqueline. O resto a gente resolve.

.

Falando em Rodrigo, lembrei do discurso da ‘viadagem’. Se tem um troço que me incomoda é chamar Rodrigo de Rodrigona. Associar de novo e pra sempre homossexualidade masculina com feminilidade. Nada de errado, a não ser o fato de que o apelido tem a intenção de diminuir.

Fosse só a brincadeira, eu daria de ombros, mas andei ouvindo uns papos de que ‘nenhum problema ele ser gay, o problema é ganhar o público fingindo ser algo que ele não é’. Alô galera, lembram do discurso que a gente usa aqui fora de que cada um tem seu tempo? Então, vale lá também. Ninguém chega na sua casa abrindo o seu armário, favor deixar o armário dos outros em paz também.

E a provocação não para aí. Call me chata, mas chamar o Daniel de ‘único-homem-da-casa’ é outro sintoma. Porque o discurso bota Daniel vs. Os Três Dois Patetas, tentando mostrar que os supostos ‘homens’ são na verdade frouxos (leia-se: gays), e o gay, barbaridade!, é que faz as vezes de homem. Homem gay continua tendo pinto, gente. Continua sendo homem.

E aí têm aqueles tantos outros problemas sobre os quais eu escreveria se eu já não estivesse de saco cheio de explicar por que 2 + 2 = 4.

.

Diana segue como minha favorita apesar de eu achar que Brasil não dá prêmio a sapata. (Pensando melhor, sapata gostosa que não se assume sapata talvez ganhe.) Daniel também é puro amor, mas meu sonho é ver mulher ganhar. Mulher ganhar JOGANDO, aliás, porque prêmio de pobre coitada eu passo. E a Talula já rodou. Por isso que eu digo que não ganha. Aposto que Jaqueline fica por último e dá a bunda pra sair da casa e o Colírio Capricho ganhar.

Tem a Maria, que certamente não ganha e que eu nem sei se seria bom se ganhasse. Maria não joga. Vi um comentário ou outro elogiando, mas, pra mim, a verdade é que Maria não joga. Não joga porque não segue razão. Acho a inocência encarnada desse BBB. (Aí vem nego dando risinhos abafados e se achando esperto porque como pode uma PUTA ser inocente?)

A Maria não votou na Diana porque tá jogando; a Maria votou na Diana porque ela age com coração. Ela é fiel. E tá se mantendo fiel ao juramento das Pretinhas. Eu não condeno, compreendo e admiro, apesar de achar que vai se dar mal. Pra mim, foi a prova cabal de que, sem Talula e Diana, ela não sobrevive. Roda fácil na mão dos outros.

Por fim, meu outro queridinho é o Wesley. Que eu não entendi até agora por que tem gente com ÓDIO MORTAL dele. Aliás, eu não entendo ÓDIO MORTAL de samambaia. Porra, tá, o cara não tá jogando, não tá fazendo nada, mas… Eu tenho tendência a curtir gente tranquila, deve ser isso. O Wesley é gracinha. Me zoam porque, né, eu acho o cara gostoso pra caralho, mas isso não me impediria de odiá-lo, creiam. Bati o olho no Diogo no primeiro dia e gritei ‘PEGAVA!’, e desmenti dois dias depois porque era um cretino e se tornou repulsivo pra mim; do mesmo modo que não vi graça no Cris e acabei gritando ‘PEGO!’ depois.

O Wesley é sossegado, age com coração e não saiu de vingancinha contra as mulheres por aí por ter sido votado. Mantém uma certa distância dos Patetas e isso eu acho digno. Em certa medida, joga o jogo das meninas. Não quero que ganhe porque, como disse, prefiro ver Diana milionária, mas antes eles do que Jaqueline. Jaqueline é mulher que joga o jogo dos homens, então pra mim é carta perdida.

E tô torcendo pra mulheres, sim. Danem-se. Oito BBBs pertenceram a homens, e os outros dois foram caridade, então que se dane. Mulher tem que se unir, sim, porque os caras se unem. Aí fica esse mito de que homem se alia e mulher não, mas a verdade é que quando mulher se une nego chia e sabota.

.

A Paula, por fim, tinha tudo pra ganhar minha confiança, mas fica em cima do muro demais e é mané.

.

Aí são 5:30 da madrugada e na página do BBB tem o mimimi da noite: Maria pegou Wesley e Maurício, o CORNO BURRO, tá choramingando o Wesley derramado. “Ele quebrou as minhas pernas'” SEU CU. Maria fala alto e você não curte, seu mané. Vem caçar a sua turma aqui fora, cretino.

E Jaqueline tá lá fazendo seu papel de Nova Adriana. “Cada um sabe seus valores. Se a pessoa não se respeita…” Você se respeita, Jaqueline? Porque eu não. Aproveita a carona do Quasímodo e vem comemorar aqui fora o título da Beija-Flor.