Love Hina

Quando estávamos no colegial, minhas amigas e eu éramos loucas por Love Hina. Na verdade, eu era louca por qualquer mangá. Os mangás estavam começando a ganhar espaço no Brasil e eu colecionava – quase – tudo. A história não era das melhores, mas eu era apaixonada pelo traço do Ken Akamatsu. Achava fantástico como ele conseguia ter um traço tão limpo e ao mesmo tempo tão detalhista. Cuidava de coisas minúsculas: cada personagem tinha um guarda-roupa infinito, e estamos falando de pelo menos 10 personagens frequentes. Não tinha grande interesse pelo anime, mas a oportunidade surgiu e eu finalmente assisti nos últimos dias. E não me tive surpresas: é mesmo uma droga.

Love Hina é o típico shounen*: ‘loser dos losers fracassado² que nunca conversou com uma garota de repente se vê cercado e adorado por montes delas’. É uma mistura de mitos femininos com fetiches masculinos (não só) japoneses. O mangá é basicamente a mesma coisa – com uma história mais longa e mais complexa -, mas a diferença aqui é que não existe mais Akamatsu pra iludir. Nada se salva nessa versão.

O desenvolvimento das personagens é péssimo. De personalidades individuais, nós vamos parar num mar de garotas obcecadas por um cara que é, basicamente, nada. A Naru, ok, é apaixonada, é a mocinha, passa. A Motoko é a man-hater reprimida que se sentiu abandonada quando a irmã se casou, e é magicamente salva pelo mocinho quando ele a ensina a ser verdadeiramente (‘emocionalmente’) forte – não pergunte; eu ainda não descobri o que ele fez. A Shinobu, a tímida, sem amigos, também evolui de bullied pra Zangief Kid em um mísero episódio, claro, por amor. Não aguento.

Aí você, amigo mais esperto que eu, nessa situação de não gostar de algo já teria desistido e deixado pra lá, mas não! Eu curto um sofrimento, então ainda assisti ao especial de primavera e aos TRÊS OVAs. Só pra constatar que, claro, são MUITO piores.

Os OVAs ainda têm o agravante de que as personagens mais novas, agora crescidas, pretendem cursar a mesma faculdade que o personagem principal para conquistá-lo. É, tipo, história imbecil elevada à décima potência.

[Especial de primavera.]

[OVAs.]

Mas Love Hina me ensinou muita coisa. Aprendi, por exemplo, que todas as mulheres do Japão são peitudas. Olha que bacana. Mas o mais gostoso de ter baixado o anime, mesmo, vai ser aliviar quase 7GB do meu notebook. Ja nee, Keitarou.

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*Shounen: mangá/anime voltado para garotos (adolescentes/jovens). É o gênero que mais chega ao Brasil. Dragon Ball, Pokemon, YuYu Hakusho, Naruto, Yu-Gi-Oh e afins são exemplos.

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