Em boca fechada…

Uma das coisas que já tentaram me ensinar de todo modo é que não se dá conselho não pedido. E parece tão, tão fácil, caralho!, mas eu não consigo fechar a porra da boca.

Meus personagens favoritos em ficção são sempre os calados. Sabe aqueles que não falam nada, ficam na deles, só vão lá quando é preciso e fazem o que têm que fazer? Então. Meu sonho sempre foi ser assim. Não sei por que raios eu nasci tão italiana.

Mas tô cansada de me sentir invasiva. Quero um tempo. Então tô mudando a minha filosofia para ‘deixa o povo ser feliz’. Movimento gay, feminista, Terceira Guerra Mundial, evangélicos, nazistas: none of this concerns me now. Tô tirando férias. Se quiserem se matar, vou pegar o meu suquinho e sentar pra assistir. Agora só dou ajuda e opinião pedidas.

Vamos ver quantos cinco minutos eu aguento.

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Trajeto #2

Na sexta eu estava numa lanchonete, na rodoviária, esperando dar a hora do meu ônibus. E tinha passado o dia todo ouvindo falar sobre fim do mundo e arrebatamento. Aí uma velhinha se sentou na mesa ao lado. Comeu o lanche dela e se levantou pra sair. Tinha cadeiras no caminho, aí eu fui ajudar. Ela agradeceu e perguntou pra onde eu ia. Respondi. Perguntei pra onde ela ia.

– Pro fim do mundo.

Pensei: ‘PUTAQUEOPARIUAGORAAVELHINHAVAIMECONVERTER!’.

Tadinha. Era só uma expressão. Ela ia pra Montes Claros.

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P.S.: Gente, não tenho nada contra Montes Claros, viu? Nem conheço. Quem chamou de fim de mundo foi ela!

There, I fixed it!

‘Cês já viram esse site? Então, lembrei dele agora porque mexi na cama e me dei conta de que eu vivo num mundo muito redneck.

Acho que pouca gente sabe dessa história. Eu guardo pra contar pra pessoas, ouvir um “ÔRRA!” e matar de desilusão logo depois, mas o fato é que, no meu primeiro ano de BH, eu quebrei nada menos do que quatro camas.

Você pensa que uma pessoa assim é muito bem-sucedida sexualmente, né? É. Não fosse o fato de que em nenhuma dessas vezes aconteceu nada remotamente parecido com sexo.

As três primeiras camas quebradas pertenciam à pensão onde eu morei. A primeira era fraca, eu sentava na beirada por horas mexendo no laptop, foi cedendo e eu nem percebi. Aí um dia cheguei de viagem de madrugada, cansada, tinha comido um salgado mofado num bar de estrada, toda ungida na lei de Murphy, sentei na cama, PLOFT! Só tenho dó da Bá, que dormia no quarto debaixo, porque eu só puxei o colchão pro outro canto e dormi.

Aí botaram uma cama lá provisória, mas era pior do que a outra. Quebrei de novo. Filhos, façam a coisa direito!

A terceira foi a da vizinha de quarto. Não estávamos fazendo nada, juropordeus e tenho testemunhas. Só que nós nos sentamos juntas – a essa altura você já percebeu que todas as camas dessa casa eram bichadas – e chão.

Aí eu mudei. Você pode até pensar que foi de vergonha, mas não. Fiquei um tempão me remoendo de remorso pelo prejuízo, mas você veja como são as coisas: a dona da pensão era filha da puta, sacaneou todas as outras meninas e me expulsou, então tudo o que eu penso hoje em dia é que PAPAI DO CÉU TÁ VENDO, FILHA DA PUTA!

Vim pra cá e desde antes já tinha decidido que não ir ter cama. Porque antes de sair de Barretos eu não tinha. Passei tantos anos enchendo o saco da minha mãe, pedindo um quarto japonês, que um belo dia eu cheguei em casa e ela tinha tirado a cama e deixado só o colchão. “TOMA AÍ O SEU FUTON!” Acho que ela queria que eu pedisse a cama de volta, mas não funcionou.

E eu ia voltar aos velhos tempos, mas a alta cúpula familiar proibiu. “VAI TER CAMA, SIM, SENHORA!” Mas eu não queria gastar. Então lá vieram minha vó e o motorista trazendo uma cama que era considerada relíquia de família porque tinha pertencido ao meu biso. Veja bem. As pessoas arriscam.

Chegaram aqui, meu padrasto tinha mandado os parafusos errados. Depois de uma hora de sérias conferências entre motô e padrasto via celular, eles acharam que seria uma ideia muito genial aumentar os buracos dos parafusos pra fazê-los caber. Lógico que umas três horas depois eu fui dormir e a cama foi encontrar meu biso lá no céu.

Mas aí vem a parte bonita da coisa. Porque eu pensei que ia me livrar da tal da cama, mas a Marília – a minha mãe de BH -, que só não é mais redneck que meu padrasto, não curte jogar coisa fora. Tudo dá pra consertar. Então um dia eu cheguei em casa e o lado da cama que tinha rachado – que felizmente é o que fica encostado na parede – tinha sido amarrado em toda a sua extensão com sacos de plástico. Como uma das pontas estava irremediável e sempre ficava mais baixa, ela colocou um toco de madeira em pé equilibrando o estrado da cama.

Ficou lindo, exceto pelo fato de que não definivamente não dá pra fazer sexo sobre ela. Nem virar pro lado à noite sem acordar os outros moradores. Nem tirar a cama do lugar. E é claro que toda semana eu deixo algo cair lá atrás, esqueço, movo a cama, cai tudo e oh, fuck.

Se fosse futon, isso não aconteceria. Eu avisei.

Sobre cristianismo, monoteísmo e religiões em geral

Então, cristãos, cristianismo. Há tempos eu estou devendo um texto sobre isso, porque pessoas do meu convívio ficam, com todo o direito, ofendidas quando eu faço comentários negativos e generalizados sobre, então é meu dever fazer alguns esclarecimentos.

Antes de qualquer coisa, vamos deixar isso claro: eu não me importo com o que você adora. Um deus, dois, dez, 577, nenhum, Jesus, Buda, o Bule Gigante, whatever. Não me importa. Eu tenho pra mim que espiritualidade é a coisa mais pessoal (e às vezes até incomunicável) que existe, então não discuto. Até porque isso não muda NA-DA na minha vida.

Eu não gosto do Cristianismo. Nem de monoteísmo nenhum, aliás. Porque os dogmas não me agradam e eles vão ser sempre passíveis de crítica, pra mim. Mas, fosse só isso, passaria em branco. Porque se você acha bacana ser contra gays ou acredita que sua dignidade depende de uma burca, isso não é problema meu. O meu problema com tais religiões é simplesmente que essas crenças nunca se restringem à pessoa em si.

Como eu disse, crença é uma coisa extremamente pessoal, e eu não aprovo pregação, porque considero a coisa mais invasiva que eu posso imaginar. Usar o nome de um deus pra justificar seus atos e impor regras (ou tolher direitos) a outrem é algo que eu não respeito, e reservo meu direito de me indignar.

Por mais que eu faça generalizações, saibam que eu me refiro sempre apenas aos desrespeitosos. Mas sei que não é legal julgar a parte pelo todo, então vou tentar me policiar. É também importante frisar que a maior parte das pessoas que eu conheço, à parte os ateus, é cristã. Minha família é toda católica. E eu tenho diversos amigos evangélicos. A chave do nosso relacionamento é respeito.

Tenho uma amiga que não gosta de religiões porque, em geral, seus adeptos tendem a acreditar serem escolhidos por um deus específico e que todo o resto da humanidade que não crê nele vai acabar no inferno (ou derivados). BIG DEAL! Isso é o menor problema pra mim. Aliás, nem chega a ser problema. Se eu não acredito em inferno, o que isso muda pra mim? Que acreditem! Mas que me deixem ir pro inferno em paz e não tentem me salvar!

Eu fui batizada, tomei a primeira comunhão, crismei na Igreja Católica Apostólica Romana. E, depois que cumpri todo esse ritual, pedi minha carta de alforria. Eu fiz tudo por respeito à minha família, mas não sou cristã. Nunca fui. Mas respeito. Frequentemente me aconselho com padres e freiras. Por que não? Temos pontos de vista diferentes, mas sabedoria é sabedoria e experiência é experiência.

Então não fique chateado se por acaso me ouvir esbravejar. Vou repetir sempre: trabalho com respeito. Se você não é a testemunha de Jeová que vai todo domingo de manhã tocar a minha campainha, não tem por que se preocupar. Se você é, só lamento. Devo te lembrar que, em matéria de deuses, o seu tem uma cruz e pregos; o meu, um martelo. (Ok, isso foi pura maldade.)

Texto pra ser mal interpretado, amém.

Eu não sou fã dos EUA. Ponto. Aquela história toda anti-imperialista, blablablá. Acho que não preciso repetir o discurso. Tem muita influência boa dos EUA na nossa cultura? Tem! E péssima também. Enfim, não é esse o ponto. Isso é só pra deixar claro que eu não pulo de felicidade quando tropas americanas saem fazendo a vida real de video game.

Eu ia fazer um texto longuíssimo que vim digerindo dentro do ônibus, mas esqueci.

Então eu só queria dizer, pra essa galera que lamentou a morte do Osama porque ‘é sempre triste ver um homem morrer’, que VÁ SE FODER! Esse HOMEM matou uma CARALHADA de gente! Você também chora por Hitler?

Eu NÃO APOIO e NÃO CHORO por fundamentalista islâmico. Fim. Aliás, fundamentalista NENHUM. Essa turminha acredita que você DEVE usar uma burca e que, se não usar, você DEVE ser apedrajada. Que DIABOS vocês estão pensando?!

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Antes que o analfabetismo funcional comece a agir sobre esse post, vamos explicar que eu falei FUNDAMENTALISTAS. Ok? Não estou falando de muçulmanos comuns.

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UPDATE: É disso que eu tô falando. O vídeo é forçado, bem americano, e eu criticaria muitas coisas, mas é a mensagem final que importa. (via @victorleperdu)

I’m very glad that Obama is reaching out to the Muslim world and I know Muslims living in America and Europe want their way of life to be assimilated for. But the Western must make it clear: some things about our culture are not negotiable. And can’t change. And one of them is freedom of speech. Separation of Church and State is another. Not negotiable. Women are allowed to work here and you can’t beat them. Not negotiable. This is how we roll.