There, I fixed it!

‘Cês já viram esse site? Então, lembrei dele agora porque mexi na cama e me dei conta de que eu vivo num mundo muito redneck.

Acho que pouca gente sabe dessa história. Eu guardo pra contar pra pessoas, ouvir um “ÔRRA!” e matar de desilusão logo depois, mas o fato é que, no meu primeiro ano de BH, eu quebrei nada menos do que quatro camas.

Você pensa que uma pessoa assim é muito bem-sucedida sexualmente, né? É. Não fosse o fato de que em nenhuma dessas vezes aconteceu nada remotamente parecido com sexo.

As três primeiras camas quebradas pertenciam à pensão onde eu morei. A primeira era fraca, eu sentava na beirada por horas mexendo no laptop, foi cedendo e eu nem percebi. Aí um dia cheguei de viagem de madrugada, cansada, tinha comido um salgado mofado num bar de estrada, toda ungida na lei de Murphy, sentei na cama, PLOFT! Só tenho dó da Bá, que dormia no quarto debaixo, porque eu só puxei o colchão pro outro canto e dormi.

Aí botaram uma cama lá provisória, mas era pior do que a outra. Quebrei de novo. Filhos, façam a coisa direito!

A terceira foi a da vizinha de quarto. Não estávamos fazendo nada, juropordeus e tenho testemunhas. Só que nós nos sentamos juntas – a essa altura você já percebeu que todas as camas dessa casa eram bichadas – e chão.

Aí eu mudei. Você pode até pensar que foi de vergonha, mas não. Fiquei um tempão me remoendo de remorso pelo prejuízo, mas você veja como são as coisas: a dona da pensão era filha da puta, sacaneou todas as outras meninas e me expulsou, então tudo o que eu penso hoje em dia é que PAPAI DO CÉU TÁ VENDO, FILHA DA PUTA!

Vim pra cá e desde antes já tinha decidido que não ir ter cama. Porque antes de sair de Barretos eu não tinha. Passei tantos anos enchendo o saco da minha mãe, pedindo um quarto japonês, que um belo dia eu cheguei em casa e ela tinha tirado a cama e deixado só o colchão. “TOMA AÍ O SEU FUTON!” Acho que ela queria que eu pedisse a cama de volta, mas não funcionou.

E eu ia voltar aos velhos tempos, mas a alta cúpula familiar proibiu. “VAI TER CAMA, SIM, SENHORA!” Mas eu não queria gastar. Então lá vieram minha vó e o motorista trazendo uma cama que era considerada relíquia de família porque tinha pertencido ao meu biso. Veja bem. As pessoas arriscam.

Chegaram aqui, meu padrasto tinha mandado os parafusos errados. Depois de uma hora de sérias conferências entre motô e padrasto via celular, eles acharam que seria uma ideia muito genial aumentar os buracos dos parafusos pra fazê-los caber. Lógico que umas três horas depois eu fui dormir e a cama foi encontrar meu biso lá no céu.

Mas aí vem a parte bonita da coisa. Porque eu pensei que ia me livrar da tal da cama, mas a Marília – a minha mãe de BH -, que só não é mais redneck que meu padrasto, não curte jogar coisa fora. Tudo dá pra consertar. Então um dia eu cheguei em casa e o lado da cama que tinha rachado – que felizmente é o que fica encostado na parede – tinha sido amarrado em toda a sua extensão com sacos de plástico. Como uma das pontas estava irremediável e sempre ficava mais baixa, ela colocou um toco de madeira em pé equilibrando o estrado da cama.

Ficou lindo, exceto pelo fato de que não definivamente não dá pra fazer sexo sobre ela. Nem virar pro lado à noite sem acordar os outros moradores. Nem tirar a cama do lugar. E é claro que toda semana eu deixo algo cair lá atrás, esqueço, movo a cama, cai tudo e oh, fuck.

Se fosse futon, isso não aconteceria. Eu avisei.

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