Procura-se verso bíblico que defenda a paz matinal

Estava eu indo para o trabalho hoje de manhã quando um senhor adentrou o ônibus pra vender aquelas canetas de um real com a finalidade de ajudar alguma instituição evangélica para dependentes de drogas. Não, não vou entrar no mérito de ser bom ou ruim ou falso ou verdadeiro ou de eu odiar pregação ou de como um discurso religioso broxa possíveis contribuintes e invalida sua causa. Tenho minhas próprias ressalvas e elas ficam por aqui.

O que quero que vocês analisem é: são 5 da manhã, o ônibus está lotado como o inferno, eu estou com sono – dormi apenas duas horas -, um belo de um mau humor matinal e uma criatura vem buzinar versos bíblicos no meu ouvido. Meu senhor, o senhor é um fanfarrão!

Eu sou ariana, perco um pouco do meu autocontrole na raiva. Não, não fiz nada, não se preocupem. É só que eu acho que minha raiva fica ligeiramente aparente. Percebi hoje pela cara das pessoas me olhando. Lá pelo sétimo versículo a minha irritação era palpável e dava pra cortar com uma faca. É possível que eu tenha rosnado.

Dia desses, eu arrumei um chato de estimação. Ele sempre vinha sentar ao meu lado. Eu de fones de ouvido, com cara de poucos amigos e a pessoa lá, conversando. Há de se admirar a coragem e a persistência humanas.

Portanto, senhores, um apelo: tento ser uma pessoa legal e agradável, abraço pessoas e ajudo velhinhas a atravessar a rua, mas, por favor, não toquem no meu humor matinal! Ele morde.

Asas vermelhas com pluminhas: super coreano

Todo mundo sabe – bom, todo mundo que conhece – que o Takarazuka é dono de uma breguice ímpar e sem fim. *Pausa para o coraçãozinho com a mão* Basicamente, não há como assistir nada do Zuka sem chorar glitter com paetê.

Aí hoje eu fui assistir The Legend Ver. II (Hoshigumi, 2009). E pensei que, há!, alguém estava violando as regras do teatro. Duas horas e meia de show e o figurino estava impecável, a maquiagem estava impecável, os cenários estavam ótimos, a coreografia, excelente.

Até a cena final.

SANTA MÃE DE DEUS, O QUE É ISSO! Juro que essas asas vermelhas de crepon com paetê e pluminha saíram d-o-n-a-d-a. E abriram. E ainda vieram acompanhadas dessa plataforma com fumacinha que eles dão um jeito de colocar em tudo também.

É engraçado porque não tem a ver com NADA do resto da peça. Queria saber quem toma essas decisões lá dentro. Sério.

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Mas eu gostei da peça e gostei do casal Chie-Nene. Sim, foi a primeira peça que eu assisti com elas de top. Tenho um mal grave que é ter preguiça de atrizes novas, então acabo demorando a dar chance. Mas elas são ótimas. E a Nene é uma graça e canta muito bem, o que tava difícil de ver em onnayaku. Agora entendo a histeria que rola no Tumblr.

Necessito: Legend, a série coreana. Torrent em 3, 2…

Aquele momento em que a gente começa a ouvir Vintersorg e Arcturus*

Eu sou uma pessoa terrivelmente imprevisível. Ou, não sei, talvez haja alguma previsibilidade na maneira como eu de repente mudo de ideia. Em qualquer momento dos meus 26 anos passados, se alguém me dissesse que um dia eu me interessaria por astronomia, me faria duvidar da sua capacidade de julgamento.

Eu odeio física. Com todas as forças. Tinha uma ojeriza tão grande durante o ensino médio, que nem me dava o trabalho de acompanhar as aulas. Sinceramente, não sei como passava nas provas. Tenho tanta aptidão pra física quanto tenho para a culinária, e, amigos, eu estrago 4 em cada 5 tentativas que faço na cozinha.

Na química eu ainda me saía melhor, mas ainda assim seria um risco pra humanidade me ver perto de alguns elementos químicos. Digamos que X-Men surgiriam.

Mas aí, em algum lugar da minha mente estranha, eu me apaixonei.

Ela é linda, né? Essa é a Sirius, a estrela mais brilhante do céu. A coisica ali do lado é a Sirius B, uma anã-branca. Elas foram as primeiras responsáveis pelo meu fascínio pelo céu. Depois eu me apaixonei por Netuno e Urano, e também pela analemma, que é o percurso que o sol faz no céu quando observado de um mesmo ponto em um mesmo horário durante o período de um ano. E de repente eu estava acessando a página da Nasa todos os dias e me inscrevendo nas atualizações via Facebook.

Eu não sei por que assim, de repente. Mas de uns tempos pra cá eu simplesmente me dei conta do quanto nós somos idiotas em sequer imaginar que estamos sozinhos aqui. Acho que eu nunca tinha me dado conta do tamanho do universo. Poucas pessoas se dão, talvez. Não é fácil imaginar, no nosso egocentrismo gigantesco, que nós somos apenas parte um um planetinha minúsculo dentro de um sistema solar ínfimo que faz parte do menor braço de uma única galáxia. É quase inimaginável pra gente que o sol um dia vai “acabar“, e que a Terra também vai entrar nessa brincadeira, e a humanidade, se não tiver se mandado a essa altura, vai ter o mesmo destino. E aí me irritam também todos os argumentos religiosos cegos que prendem a gente em coisas tão pequenas enquanto há tanto pra ser explorado.

O que mais me chamou a atenção desde então é o quanto eu tenho me sentido insignificante diante disso tudo. Sabe aquela frase clichê que todo mundo colocava no Orkut? “Só sei que nada sei”? É bem isso. Não sei de nada, e isso é tão apavorador quanto é excitante.

Mas é isso. Acho que é um caminho sem volta. Estou em um relacionamento sério com o sistema solar. E fica aqui uma dica pra quem quiser sentir qual é o tamanho real do ser humano. De grande a gente só tem o ego, mesmo.

Comparação de tamanhos entre Urano e Netuno (grandes), a Terra, a estrela Sirius e Vênus (médios) e Marte, Mercúrio, a nossa lua, Plutão e Haumea (pequenos, de cima pra baixo, da esquerda para a direita).

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*Não, gente. A paixão não vem daí. Só pensei nisso na hora de arrumar um título. Só ouço Vintersorg da época de ‘Till Fjälls’, e de Arcturus eu não passo perto há tempos. Hora de reconsiderar?