Aquele momento em que a gente começa a ouvir Vintersorg e Arcturus*

Eu sou uma pessoa terrivelmente imprevisível. Ou, não sei, talvez haja alguma previsibilidade na maneira como eu de repente mudo de ideia. Em qualquer momento dos meus 26 anos passados, se alguém me dissesse que um dia eu me interessaria por astronomia, me faria duvidar da sua capacidade de julgamento.

Eu odeio física. Com todas as forças. Tinha uma ojeriza tão grande durante o ensino médio, que nem me dava o trabalho de acompanhar as aulas. Sinceramente, não sei como passava nas provas. Tenho tanta aptidão pra física quanto tenho para a culinária, e, amigos, eu estrago 4 em cada 5 tentativas que faço na cozinha.

Na química eu ainda me saía melhor, mas ainda assim seria um risco pra humanidade me ver perto de alguns elementos químicos. Digamos que X-Men surgiriam.

Mas aí, em algum lugar da minha mente estranha, eu me apaixonei.

Ela é linda, né? Essa é a Sirius, a estrela mais brilhante do céu. A coisica ali do lado é a Sirius B, uma anã-branca. Elas foram as primeiras responsáveis pelo meu fascínio pelo céu. Depois eu me apaixonei por Netuno e Urano, e também pela analemma, que é o percurso que o sol faz no céu quando observado de um mesmo ponto em um mesmo horário durante o período de um ano. E de repente eu estava acessando a página da Nasa todos os dias e me inscrevendo nas atualizações via Facebook.

Eu não sei por que assim, de repente. Mas de uns tempos pra cá eu simplesmente me dei conta do quanto nós somos idiotas em sequer imaginar que estamos sozinhos aqui. Acho que eu nunca tinha me dado conta do tamanho do universo. Poucas pessoas se dão, talvez. Não é fácil imaginar, no nosso egocentrismo gigantesco, que nós somos apenas parte um um planetinha minúsculo dentro de um sistema solar ínfimo que faz parte do menor braço de uma única galáxia. É quase inimaginável pra gente que o sol um dia vai “acabar“, e que a Terra também vai entrar nessa brincadeira, e a humanidade, se não tiver se mandado a essa altura, vai ter o mesmo destino. E aí me irritam também todos os argumentos religiosos cegos que prendem a gente em coisas tão pequenas enquanto há tanto pra ser explorado.

O que mais me chamou a atenção desde então é o quanto eu tenho me sentido insignificante diante disso tudo. Sabe aquela frase clichê que todo mundo colocava no Orkut? “Só sei que nada sei”? É bem isso. Não sei de nada, e isso é tão apavorador quanto é excitante.

Mas é isso. Acho que é um caminho sem volta. Estou em um relacionamento sério com o sistema solar. E fica aqui uma dica pra quem quiser sentir qual é o tamanho real do ser humano. De grande a gente só tem o ego, mesmo.

Comparação de tamanhos entre Urano e Netuno (grandes), a Terra, a estrela Sirius e Vênus (médios) e Marte, Mercúrio, a nossa lua, Plutão e Haumea (pequenos, de cima pra baixo, da esquerda para a direita).

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*Não, gente. A paixão não vem daí. Só pensei nisso na hora de arrumar um título. Só ouço Vintersorg da época de ‘Till Fjälls’, e de Arcturus eu não passo perto há tempos. Hora de reconsiderar?

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