26 anos, 7 meses e 8 dias

Eu estou tão cansada de dizer que estou cansada… Estou muito, muito, muito cansada da forma como as coisas são feitas nesse lugar, da homofobia, do preconceito, dos ‘diretos humanos para humanos direitos’, do capitalismo selvagem, da imposição da fé.

Eu queria viver em modo berserk, só esbofeteando os escrotos que acham que têm o direito de sair por aí causando na vida alheia. Mas a verdade é que eu não sei, eu não posso, eu não consigo. A verdade é que eu só queria viver num mundinho cor de rosa onde todo mundo é legal e amigo e respeita todo o resto que não é ele mesmo.

Eu costumava ter essa fantasia enquanto eu crescia. Como sempre fui chegada em culturas diversas, sempre imaginei um lugar em que todo mundo convivia em paz. Não pelo ‘conviver em paz’, porque isso era um non-issue pra mim, nem conseguia imaginar nada diferente. Todo mundo convivia no sentido de aprender e admirar a diferença alheia. Muçulmano com judeu com chinês com branquelo com zulu com charrua com mulheres-girafa. E agora eu tenho a vergonha de admitir que isso é a coisa mais ingênua que eu já imaginei na vida.

Eu estou cansada de estar cansada, estou cansada de chorar todos os dias por comentários cruéis de reportagens do G1, de gente que gosta de ser ignorante. Estou cansada de dizer que estou cansada. Mas, infelizmente, é só assim que eu consigo continuar. Quando eu paro pra fazer um mimimi e alguém me sussurra que eu tenho que seguir, que ainda tem muito a ser feito.

Eu quero parar, lavar as mãos. Mas ainda tem muito a ser feito. Tenho que continuar. Tenho que continuar. O meu mantra atual.

Ma foi est mon combat.

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