Dia 4: SPOILERS, NÃO CLIQUE AQUI SE VOCÊ TEM JUÍZO

Assunto do dia, né. Das vantagens de saber o que vai acontecer em cada episódio: eu já fico esperando as reações maravilhosas. Como não assisto junto com todo mundo, fico com a minha pipoca acompanhando o Twitter e o Facebook esperando os surtos. Aliás, pra quem se lembra das reações ao Red Wedding, clique aqui para ver todo mundo se sentir vingado. Everybody hates Joffrey Baratheon. (Mentira, tem um cara ali que fica puto. Mas dá pra dizer que 99% comemorou como se fosse a Copa do Mundo.)

Se você não tá nem aí pra spoiler (ATENÇÃO, SÃO MUITOS, MUITOS SPOILERS MESMO!), clique aqui para ler inúmeras teorias da conspiração que, como sempre, fazem todo o sentido e vão explodir seu cérebro.

Sério, o povo é tão criativo que eu quero só ver como é que o Martin vai fazer pra driblar todo mundo e conseguir surpreender.

Joffrey BaratheonR.I.P. Justin Bieber. Sansa Stark mandou abraços.

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Já estou marcando território novo. Roommies novos, quarto novo, menos quatro horas de ônibus diário. Agora eu vou trabalhar a pé e chegar em casa cedo. E quando alguém quiser sair, é só tocar a minha campainha, porque os bons lugares estão todos em volta.

Estou no paraíso.

Pitacando ‘The Legend’

Eu ia só fazer um comentário rápido a respeito da série no Facebook, mas acabou ficando tão grande que faz mais sentido eu parar de economizar nas palavras e vir escrever direito por aqui.

Hoje eu finalmente terminei de ver ‘The Legend’. Achei o musical do Zuka tão bacana que me senti meio que obrigada a ver. E é de fato divertido.

Mas algumas coisas podem acabar desencorajando ocidentais, tão acostumados às maravilhas que o cinema hollywoodiano pode proporcionar, a assistir. Os efeitos especiais, por exemplo. Highlander II e seu céu laranja mandaram abraços, e agradeceram terem sido roubados do título de ‘Piores Efeitos da História’.

A maquiagem, então, nem se fala. Da peruca branca do Lord Hwanwoog à velhice do Hwachun, passando pela tatuagem de henna na testa que ele recebeu no final, é tudo um grande facepalm. Eu quase chorei quando vi os dentes do Heuk Gae. Era pra parecer que ele tinha perdido alguns pela velhice, então mandaram tinta preta. Só do lado de fora. Cada vez que ele abria a boca, dava pra ver os dentes brancos do lado de dentro.

Algumas atuações também são canastríssimas, ao ponto da exaustão. Em especial à do Hwachun, que tem que dar aquela olhadinha abaixada o tempo todo e andar com mãos de garra, e a da Ki Ha, que, bem, por si só já é um por-re de pessoa.

Por fim, dá uma desvalorizada o fato de a série ter 24 episódios. É demais. Cada episódio tem pelo menos uma hora. Vinte quatro horas ficou demais, encheção de linguiça. É Ki Ha demais pro meu gosto.

Quem me vê falando tudo isso até pensa que eu detestei, né, mas não. Também tem pontos fortes, por exemplo:

Hummmmm… Er, caham! Bom, não dá pra negar que Bar Yong Jun é um ponto forte, fortíssimo, mas não era bem disso que eu tava falando. (Mas se você quer outro argumento no nível, clica aqui pra ver o Yoon Tae Young.)

Como eu estava dizendo, a história entretém, ainda que se arraste em alguns pontos. Pra quem gosta de fantasia, não tem como errar. E me agrada mais ainda ser uma história baseada numa lenda real coreana. Essa pitada folk me atrai.

Por fim, na mesma medida em que existem atores ruins, também dá pra se divertir um bocado com alguns deles. Call me stupid, mas eu sempre ri demais da relação Hyeonko/Sujini, assim como Damdeok/Jumuchi.

Enfim, vale a pena. Mesmo que você seja uma anta em história e cultura coreanas, como eu. (Sim, esse texto vai terminar de qualquer jeito, porque eu tô com sono e sem a menor intenção de pensar em final bonitinho. Assistam e pronto.)

Aquele momento em que a gente começa a ouvir Vintersorg e Arcturus*

Eu sou uma pessoa terrivelmente imprevisível. Ou, não sei, talvez haja alguma previsibilidade na maneira como eu de repente mudo de ideia. Em qualquer momento dos meus 26 anos passados, se alguém me dissesse que um dia eu me interessaria por astronomia, me faria duvidar da sua capacidade de julgamento.

Eu odeio física. Com todas as forças. Tinha uma ojeriza tão grande durante o ensino médio, que nem me dava o trabalho de acompanhar as aulas. Sinceramente, não sei como passava nas provas. Tenho tanta aptidão pra física quanto tenho para a culinária, e, amigos, eu estrago 4 em cada 5 tentativas que faço na cozinha.

Na química eu ainda me saía melhor, mas ainda assim seria um risco pra humanidade me ver perto de alguns elementos químicos. Digamos que X-Men surgiriam.

Mas aí, em algum lugar da minha mente estranha, eu me apaixonei.

Ela é linda, né? Essa é a Sirius, a estrela mais brilhante do céu. A coisica ali do lado é a Sirius B, uma anã-branca. Elas foram as primeiras responsáveis pelo meu fascínio pelo céu. Depois eu me apaixonei por Netuno e Urano, e também pela analemma, que é o percurso que o sol faz no céu quando observado de um mesmo ponto em um mesmo horário durante o período de um ano. E de repente eu estava acessando a página da Nasa todos os dias e me inscrevendo nas atualizações via Facebook.

Eu não sei por que assim, de repente. Mas de uns tempos pra cá eu simplesmente me dei conta do quanto nós somos idiotas em sequer imaginar que estamos sozinhos aqui. Acho que eu nunca tinha me dado conta do tamanho do universo. Poucas pessoas se dão, talvez. Não é fácil imaginar, no nosso egocentrismo gigantesco, que nós somos apenas parte um um planetinha minúsculo dentro de um sistema solar ínfimo que faz parte do menor braço de uma única galáxia. É quase inimaginável pra gente que o sol um dia vai “acabar“, e que a Terra também vai entrar nessa brincadeira, e a humanidade, se não tiver se mandado a essa altura, vai ter o mesmo destino. E aí me irritam também todos os argumentos religiosos cegos que prendem a gente em coisas tão pequenas enquanto há tanto pra ser explorado.

O que mais me chamou a atenção desde então é o quanto eu tenho me sentido insignificante diante disso tudo. Sabe aquela frase clichê que todo mundo colocava no Orkut? “Só sei que nada sei”? É bem isso. Não sei de nada, e isso é tão apavorador quanto é excitante.

Mas é isso. Acho que é um caminho sem volta. Estou em um relacionamento sério com o sistema solar. E fica aqui uma dica pra quem quiser sentir qual é o tamanho real do ser humano. De grande a gente só tem o ego, mesmo.

Comparação de tamanhos entre Urano e Netuno (grandes), a Terra, a estrela Sirius e Vênus (médios) e Marte, Mercúrio, a nossa lua, Plutão e Haumea (pequenos, de cima pra baixo, da esquerda para a direita).

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*Não, gente. A paixão não vem daí. Só pensei nisso na hora de arrumar um título. Só ouço Vintersorg da época de ‘Till Fjälls’, e de Arcturus eu não passo perto há tempos. Hora de reconsiderar?