Dia 233: Fogazza

Dia 2 de junho é a data da declaração da república na Itália. 2 de junho de 1946. Assim, esse período que começa em abril e termina nos primeiros dias de junho é cheio de festas italianas por aí. Em BH, por exemplo, vai acontecer uma no dia 30 de maio.

Em Barretos, como em qualquer boa cidade paulista, a gente também tem uma, promovida pela igreja do Rosário. É daquelas festas típicas do interior e de igreja, cheia de comida, apresentações amadoras e velhinhas com lenços (com as cores italianas, claro) na cabeça, mexendo panelões nas barraquinhas.

A comida é o destaque. Massas, massas e mais massas. Claro. Aquelas coisas clássicas, tipo gnocchi e lasagne. Mas o frenesi da festa é causado pela fogazza. Ah, a fogazza. Causa uma fila digna de virar quarteirão.

Mas não é simplesmente uma fogazza qualquer. É uma fogazza frita. Porque tem a assada também, mas a assada não gera fila. Comida boa é a que entope artéria.

Fui buscar uma pra jantar. Aliás, sejamos claros: uma, não; oito. O povo aqui faz estoque, sabe? Entrei naquela fila maravilhosa já pensando na ovada que eu ia levar, porque as velhinhas, coitadas, nem no desespero conseguem alimentar aquela horda. Saem oito fogazzas por leva. E eu ia levar todas de uma vez. A fila não ia andar depois de mim.

Enquanto esperava, a velhinha-mor ficava andando ao lado da fila tentando arrebanhar algum indeciso para a da fogazza assada. É uma gula a menos pra alimentar, né? E os que chegavam atrás iam tentando convencer os da frente também.

Saí com as minhas oito felicidades fritas pra comer em casa. Deixei uma fila inteira com inveja.

Dia 207: Melação mode on

Já disse que amo a minha família, né? É, eu sei. Já repeti isso tanto, que já tem gente limpando a baba que tá escorrendo no layout. Enfim. Preciso dizer isso. Porque é tão pouco o que eu posso fazer de volta, que só o que me resta é isso. Repetir que amo.

Mas divago. Só queria dizer o quanto foi boa a viagem, e como eu nunca vou me cansar da infância eterna daquele povo. Imaginem um bando de marmanjos com 20 anos no lombo procurando chocolate pela casa na Páscoa. Ano que vem tem volta. Vou botar os quarentões e sessentões na roda também. Vai todo mundo sofrer comigo – porque eu sofro; sou um zero à esquerda, não tenho criatividade pra procurar e acho 1 item enquanto meu irmão acha 10.

E cheguei aqui e tinha dois pães-de-mel que minha mãe pôs na mala. Aí ela me faz contar os dias pra ir pra lá de novo.

E beijo pro meu pai, também, que conseguiu abrir uma exceção nessa vida de cigano e ir lá me dar parabéns e encher meu bolso. Me leva junto pra Santa Catarina, seu boa-vida!

Dezessete dias? Passa rápido.

Dia 145: A potra assassina*

Lembram da Mel? Pois é, quando ela chegou aqui, era desacreditada. Ninguém achava que ela sobreviveria por conta de uma doença dermatológica não identificada que, depois de dias de veterinários e remédios, foi curada com babosa.

Ela tem de três pra quatro meses, o tamanho de um pônei e descobri que é de ferro, porque não se pode encontrar outra explicação para o fato de ainda estar viva. Até o momento, ela já ingeriu um comigo-ninguém-pode inteiro, um décimo da casinha de madeira, ferrugem, pedra, produtos de limpeza, tecido, linha e espuma (de recheio).

Não bastasse isso, hoje descobri que ela adicionou outro prato ao cardápio variado. Quando fui ao fundo de casa, ela olhou pra mim toda contente. Só vi duas perninhas de pássaro saindo da boca dela. Do outro lado, outro pássaro decapitado. Gracinha, essa minha filha.

*Às vezes o pessoal acha que eu tô falando de uma potra de verdade no Twitter, mas é só o jeito que eu a chamo, porque minha mãe brinca que ela vai ficar do tamanho de um cavalo.

Dia 123: Em terras mineiras

Tô cansada pra caramba.

Essa correria de lá pra cá parece coisa de filha de pais separados. E eu sou. Só que minhas férias ficam divididas entre minha mãe e minha avó.

Eu gosto de ficar em Barretos, porque sempre tem muita coisa pra fazer por lá. Mas minha avó fica toda contente quando eu venho, então eu divido as férias em múltiplas partes e fico revezando.

Como aqui não tem muita coisa pra fazer além de ficar no computador – embora eu pressinta que minha avó vai me botar pra resolver um monte de coisas -, eu vou passar boa parte do meu tempo on-line, ao contrário do que costuma acontecer em Barretos. Espero que algumas almas me salvem do tédio!

In other news, minha crise de enxaqueca finalmente passou agora há pouco, depois de um dia de dor. O bom de passar por isso em casa de mãe e vó é ser paparicada o tempo todo. Mas ô troço ruim! A minha é com aura prolongada, então eu fico praticamente incapacitada de fazer qualquer coisa por muito tempo. Um saco.

Bom, fico esperando a mineirada aqui em casa. E pros barretenses que eu ainda não vi, volto no fim do mês e fico até o carnaval. Última chance em muito tempo, babies.

Dia 122: Aleatoriedades

Hoje o dia foi corridinho por aqui. Entre outras coisas, meu irmão ganhou uma Biz. Meu padrinho entrou e colocou no quarto dele. Quando chegou, levou um susto.

Também tive uma bela duma crise de enxaqueca. Bem quando estava me arrumando pra sair. Saí e dei umas voltas com a minha mãe e minha vó, mas não durou muito, porque elas ficaram preocupadas.

Amanhã vou para Passos. Devo voltar pra cá no fim do mês.

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Hoje morreu, aos 100 anos, Miep Gies, uma das pessoas responsáveis por esconder a família Frank durante a Segunda Guerra. Mais tarde, quando os 8 judeus do Anexo Secreto (onde a família estava escondida) foram traídos e mandados para os campos de concentração, Gies escondeu o diário de Anne dos nazistas e o preservou até o fim da guerra, quando o entregou para o pai de Anne, Otto Frank.

Não informam onde foi que ela morreu, mas provavelmente foi em Noord-Holland, Holanda, onde residia. A causa foi infarto.