BBB: final feliz, qualquer que seja

Alguém disse no Twitter, depois da eliminação do Colírio Capricho, que esse BBB foi pra lavar a alma, e eu tenho que concordar demais. A gente não eliminou um Dourado (desculpa, Lóri); eliminamos três versões muito pioradas. De quebra, teremos uma final onde TODO MUNDO merece ganhar.

Tem muita gente que discorda, que acha que só quem joga merece ganhar, que o Wesley foi samambaia, que prefere ver um barraqueiro ganhando, etc. Mas meu coração é mole e eu prefiro premiar boa-mocice do que cafajestagem. Desculpa.

Então, depois daquele paredão, o BBB poderia ter acabado, por mim. Se eu fosse o Bones, pegaria um milhão e daria pra cada um. À Maria porque é a Maria. Não tem como não amar aquela pureza. Ao Wesley, porque EU JÁ SABIA! Mentira, fiquei morrendo de medo dele fazer alguma merda e se mostrar o maior cretino, mas que lindo!, que lindo que ele é! E à Diana porque, claro, é diva e jogou demais!

Mas esse BBB é do Daniel, claramente. E muito merecido. Principalmente porque ele não faz a menor ideia de que vai ganhar. Ele é tão lindo, tão humilde, que rezou desesperadamente a cada paredão pra não sair. Não faz ideia da força que tem aqui fora.

Então escolham seus coqueiros pra comemoração. Esse BBB foi nosso.

Volta pra Notre Dame, oferenda!

Você veja só como são as coisas. A gente fica achando que o auge da glória é Diogo ser eliminado do BBB, e percebe que existe a possibilidade de colocar Maurício pra fora também. Boto fé que vai acontecer e que 13 de março vai entrar pra história e virar feriado nacional.

Maurício é repugnante. Não tem palavra melhor. Eu juro que nem notei a pessoa na primeira parte do BBB, porque tinha umas 52 pra olhar e ele não fazia diferença. Mas depois que ele voltou, se achando Dourado 2.0, ah, virou alvo. Nojento, ‘descarta’ mulher garota de programa, tem mais é que se ferrar, mesmo.

Caiu o queixo da Adriana, caiu queixo do Diogo e quero ver aquela pintura de Picasso se desmanchando de chorar também quando sair. Se acha o escolhido, mas não teve coragem de se submeter ao paredão voluntariamente quando teve oportunidade.

Meta das próximas eliminações: Maurício (amanhã, porque o Brasil ainda deve ter alguma dignidade guardada), Rodrigo e Jaqueline. O resto a gente resolve.

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Falando em Rodrigo, lembrei do discurso da ‘viadagem’. Se tem um troço que me incomoda é chamar Rodrigo de Rodrigona. Associar de novo e pra sempre homossexualidade masculina com feminilidade. Nada de errado, a não ser o fato de que o apelido tem a intenção de diminuir.

Fosse só a brincadeira, eu daria de ombros, mas andei ouvindo uns papos de que ‘nenhum problema ele ser gay, o problema é ganhar o público fingindo ser algo que ele não é’. Alô galera, lembram do discurso que a gente usa aqui fora de que cada um tem seu tempo? Então, vale lá também. Ninguém chega na sua casa abrindo o seu armário, favor deixar o armário dos outros em paz também.

E a provocação não para aí. Call me chata, mas chamar o Daniel de ‘único-homem-da-casa’ é outro sintoma. Porque o discurso bota Daniel vs. Os Três Dois Patetas, tentando mostrar que os supostos ‘homens’ são na verdade frouxos (leia-se: gays), e o gay, barbaridade!, é que faz as vezes de homem. Homem gay continua tendo pinto, gente. Continua sendo homem.

E aí têm aqueles tantos outros problemas sobre os quais eu escreveria se eu já não estivesse de saco cheio de explicar por que 2 + 2 = 4.

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Diana segue como minha favorita apesar de eu achar que Brasil não dá prêmio a sapata. (Pensando melhor, sapata gostosa que não se assume sapata talvez ganhe.) Daniel também é puro amor, mas meu sonho é ver mulher ganhar. Mulher ganhar JOGANDO, aliás, porque prêmio de pobre coitada eu passo. E a Talula já rodou. Por isso que eu digo que não ganha. Aposto que Jaqueline fica por último e dá a bunda pra sair da casa e o Colírio Capricho ganhar.

Tem a Maria, que certamente não ganha e que eu nem sei se seria bom se ganhasse. Maria não joga. Vi um comentário ou outro elogiando, mas, pra mim, a verdade é que Maria não joga. Não joga porque não segue razão. Acho a inocência encarnada desse BBB. (Aí vem nego dando risinhos abafados e se achando esperto porque como pode uma PUTA ser inocente?)

A Maria não votou na Diana porque tá jogando; a Maria votou na Diana porque ela age com coração. Ela é fiel. E tá se mantendo fiel ao juramento das Pretinhas. Eu não condeno, compreendo e admiro, apesar de achar que vai se dar mal. Pra mim, foi a prova cabal de que, sem Talula e Diana, ela não sobrevive. Roda fácil na mão dos outros.

Por fim, meu outro queridinho é o Wesley. Que eu não entendi até agora por que tem gente com ÓDIO MORTAL dele. Aliás, eu não entendo ÓDIO MORTAL de samambaia. Porra, tá, o cara não tá jogando, não tá fazendo nada, mas… Eu tenho tendência a curtir gente tranquila, deve ser isso. O Wesley é gracinha. Me zoam porque, né, eu acho o cara gostoso pra caralho, mas isso não me impediria de odiá-lo, creiam. Bati o olho no Diogo no primeiro dia e gritei ‘PEGAVA!’, e desmenti dois dias depois porque era um cretino e se tornou repulsivo pra mim; do mesmo modo que não vi graça no Cris e acabei gritando ‘PEGO!’ depois.

O Wesley é sossegado, age com coração e não saiu de vingancinha contra as mulheres por aí por ter sido votado. Mantém uma certa distância dos Patetas e isso eu acho digno. Em certa medida, joga o jogo das meninas. Não quero que ganhe porque, como disse, prefiro ver Diana milionária, mas antes eles do que Jaqueline. Jaqueline é mulher que joga o jogo dos homens, então pra mim é carta perdida.

E tô torcendo pra mulheres, sim. Danem-se. Oito BBBs pertenceram a homens, e os outros dois foram caridade, então que se dane. Mulher tem que se unir, sim, porque os caras se unem. Aí fica esse mito de que homem se alia e mulher não, mas a verdade é que quando mulher se une nego chia e sabota.

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A Paula, por fim, tinha tudo pra ganhar minha confiança, mas fica em cima do muro demais e é mané.

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Aí são 5:30 da madrugada e na página do BBB tem o mimimi da noite: Maria pegou Wesley e Maurício, o CORNO BURRO, tá choramingando o Wesley derramado. “Ele quebrou as minhas pernas'” SEU CU. Maria fala alto e você não curte, seu mané. Vem caçar a sua turma aqui fora, cretino.

E Jaqueline tá lá fazendo seu papel de Nova Adriana. “Cada um sabe seus valores. Se a pessoa não se respeita…” Você se respeita, Jaqueline? Porque eu não. Aproveita a carona do Quasímodo e vem comemorar aqui fora o título da Beija-Flor.

Transfobia: cadê a novidade?

Não que me surpreenda, mas a Ariadna saiu. Como disseram várias pessoas no Twitter, não dava pra achar que quem premiou o Dourado fosse deixar uma trans passar. Ainda que minha opinião sobre o Dourado seja mais tênue do que as que eu tinha durante a raiva toda do ano passado, não dá pra achar que ele não fosse homofóbico e um símbolo pro brasileiro macho e moralista.

Ano passado ainda teve uma certa resistência. Esse ano eu não vi tanto. Talvez porque o programa ainda estivesse no começo, talvez porque muita gente estivesse reticente quando a assistir de novo. Mas eu não consigo deixar de achar que talvez, só talvez, houvesse um certo ceticismo diante de uma transexual.

E eu não estou falando dos héteros, não. Estou falando é da comunidade gay, mesmo. O ceticismo existe.

Eu fui perguntada há poucos dias sobre o porquê de defender a comunidade trans. Sabe? Não é a sua, então por que você não lava as mãos? Você não é negra, não é judia, não é trans, por que defender?

Fato. Vamos nos dividir e deixar o mundo se foder, né? Eu não sou negra, nem judia, nem trans, e você, amigo, não é humano.

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“Why do we have to endlessly recycle the old conflicts: first we fought about slavery, then segregation, then gender, and now sexual orientation, while gender identity is in the wings waiting. Why can’t people look at the phrase ‘liberty and justice for all’ and simply accept that ‘all‘ means all‘?”
[Autor desconhecido]

Dia 182: O post que era pra ser a parte II do dia 178 e um pouco mais

Aí eu abandono o blog como se não tivesse prometido que escreveria todo dia, né? É. Mea culpa.

Melhor ainda é que eu vou tocar no assunto mais ‘last week’ possível: Oscar. Não, gente. Não é o de 2011. Eu ainda tô no de 2010, calma.

Primeiro, obviamente: Bigelow! Tá, um monte de gente já jogou areia na minha comemoração. Disseram coisas pertinentes, como o fato de a academia ter dado preferência a um filme de guerra porque corresponde à política americana e à visão conservadora da Academia. Não vou opinar. Acredito em todo mundo dizendo que é um filme que favorece os EUA, mas simplesmente não vou dar pitaco porque, bem, ainda não assisti.

Também disseram que é bobagem comemorar a vitória de um filme simplesmente porque a diretora é mulher, sendo que o próprio filme não tem personagens femininas; a única seria a esposa que fica em casa sofrendo. Sobre isso, acho que a Mary W. já falou bem: “Não é uma luta pra premiar filme feminista. É apenas para que homens e mulheres tenham condições de igualdade na carreira.

Foi isso que a gente comemorou. Não foi o fato de terem esquecido que mulheres também vão e morrem no Iraque, nem o fato de que a gente gosta de ver os EUA brincando de explodir o Oriente Médio.

Mas falemos sobre coisas mais alegres. A cerimônia, por exemplo. NOT! Vi um monte de gente reclamando que estava chato pra caramba. Gente, é Oscar! É CHATO PRA CARAMBA! Bom, pelo menos pra mim. Formalidade é formalidade. Vai ter sempre aquele mimimi. Eu só ignoro e fico olhando pras caras, roupas e cabelos e xingando os malditos prêmios que nunca saem pra quem eu torço.

Mentira, esse ano eu acertei um número até bom. À exceção da marmelada-mor: Sandra Bullock. Gente, não. Ela é Miss Simpatia pra sempre. Não é Oscar. Oscar é Meryl Streep levando um chá de cadeira de 16 anos. Façam-me o favor.

O que me deixou sorrindo de orelha a orelha foi o Christoph Waltz ter ganhado como ator coadjuvante. Já era óbvio, mas eu comemorei e acordei todos os vizinhos. Foi o primeiro prêmio da noite e pronto. Acabou. Bastardos não levou NADA. Puta desaforo. Paguei a minha reza contra o Avatar com a derrota do Tarantino. Foi caro, hein? E eu, que era Team Basterds, fiquei quietinha pelo resto da noite. Bem, até a Bigelow.

As musas da noite: Mo’Nique (que fez um bando de marmanjos inundar minha timeline com choro), Kate Winslet e Queen Latifah. E a Maggie Gyllenhaal, que tava com cara de quem não dormiu, mas eu simpatizo com ela.

Bode da noite: George Clooney.

A noite inteira com essa cara. Depois vieram ‘explicar’. Dizem que era uma piada com não sei quem. Senta lá, vai Clooney. Que a Rozzana me desculpe, mas ainda bem que não levou nada. Menino malcriado!

Aí, mudando de pato pra ganso, vamos falar de outro dourado. [Trocadalhos do carilho!]

Eu já nem estou levando os comentários do Twitter a sério, porque, se depois das tentativas da Susan e do AmbulatórioTV de mostrar as incoerências do sujeito em vídeos bem for dummies, ainda existe essa torcida animalesca, quem sou eu pra tentar dissuadir alguém?

Mas vou já dizer umas coisas porque andaram me xingando de ‘preconceituosa’ e ‘hipócrita’. Sim, eu tenho preconceitos, como qualquer ser criado nessa sociedadezinha cretina. O que obviamente não quer dizer que eu vá me desculpar retuitando qualquer frasezinha de efeito que jogarem na minha timeline. Meus preconceitos eu tento combater.

Não desculpo o Dourado de maneira alguma com essa alegaçãozinha chinfrim de ignorância. Ele é um homem de 37 anos, com formação superior, que, segundo os próprios pais, conviveu a vida inteira com homossexuais. Aliás, esse último ‘fato’ vem sendo usado largamente pela família pra dizer que ele não é homofóbico. Não façam isso, vá. Tá só piorando. Argumento do tipo ‘eu até tenho um amigo gay!’ é a coisa mais queima-filme no mundo LGBT. E nem vou lembrar o episódio ‘viado’. Fala por si.

E dizer que Michel e Serginho também já fizeram menção a violência contra mulher não livra a cara do bonito. Só bota os outros dois na lama junto.

E pronto. Chega. Não vou mais falar disso. Já deu.

Pra melhorar o humor do post, vou encerrar com GaGa! Porque ontem o novo clipe dela se espalhou como vírus! E, olha, ela é genial! Clipe cheio de referências. Warhol, Tarantino, Thelma e Louise, até um look meio Madonna. Conseguiu deixar até a Beyoncé interessante.

Dia 170: BBB: Dando pitaco

Pois é, não aguentei. Ainda estou dando umas olhadas no BBB.

O que posso dizer? Não tenho nenhum favorito agora. Meu desejo é só que o Dourado saia.

Ele agora tem plena convicção de que não vai sair e age de acordo. Vide a forma como apresentou seu voto hoje. E no fim ele tem razão, porque agora não é só a ‘Máfia Dourada’ que está garantido seus votos; é também quem está contra ele e se desiludiu.

Não devo votar nesse paredão, porque juro que não consigo acreditar que ele não esteja sendo favorecido, e continuar votando serviria só pra enfiar mais dinheiro no nariz do Boninho. Mas vejo o pessoal que ainda está votando entregar o ouro na bandeja pra ele. “É… Vou votar na fulana porque o Dourado não vai sair, mesmo…” Quer dizer, claro que o Dourado não vai sair, porque ninguém vai votar nele.

Pelo andar da carruagem, a Cacau sai, e com folga. Foi indicada como punição por ter dado o Anjo pro Eliéser. E está sendo votada porque ‘o mestre’ mandou e a cambada de paus-mandados acatou sem discutir.

Me resta torcer pelo próximo Paparazzo e pra ela dar um pulinho no aniversário da Angélica nessa sexta. Hein? Hein? Fica aqui a sugestão do fondue de morango para a assessoria dela.

Dia 165: BBB: Paredão nº 7 – O Final

Embora muita gente – a maioria, eu arriscaria dizer – justifique suas torcidas com ‘é só um jogo!’ ou critiquem dizendo que BBB não vale nada, não é assim que eu penso. Penso, aliás, que é uma grande bobagem para um letrado dizer. Porque é mais do que sabido que a TV influencia massas, como bem lembrou o Jean Wyllys.

O BBB, pra mim, não era só brincadeira, diversão. Era também. Aliás, foi assim que começou. Mas com o tempo surgiram situações que exigiam posicionamento. Pra uma população alienada politicamente, é fácil ignorar; ra mim, não. Porque, querendo ou não, cada ofensa homofóbica ali me atingia também. E cada vez que alguém aqui fora aplaudia ou ignorava essas atitudes em pró do ‘jogador’, estava endossando o que era dito ou feito.

O Dourado é um grande desserviço. Como já disse antes aqui outras vezes, eu entendo a empatia; não entendo como se pode ignorar certas atitudes. Já no primeiro dia eu senti que não deveria esperar muito quando ele declarou a primeira de muitas pérolas. Naquela época, eu ainda pensava que ele sairia logo. Não saiu. E aí ficou claro que não sairia mais.

A única esperança era o embate com a Morango, que era a única que ainda dava um páreo. E o que eu senti, no final, foi que a intenção de tirar a Angélica já era grande e velha nas pessoas, e que só seguravam os comentários maldosos porque ela estava abraçando o Dourado. Porque, vejam só, foi só ela desafiar o sujeito que argumentos anti-homofobia, anti-machismo e anti-violência foram pisados com 55% dos votos por gente que acreditava que ela tinha que sair porque era ‘fofoqueira’ e ‘bigoduda’.

Esse paredão não só serviu pra me mostrar que a argumentação brasileira anda fraca. Serviu também pra saber que dá, sim, pra mobilizar um mundo inteiro – ainda que não tenha sido suficiente. AfterEllen, com a Trish Bendix, e o Equal Roots foram altamente atenciosos, ao menos comigo; depois correu a bola de neve e o The Advocate também entrou na roda; até o – vejam só! – Boy George deu um pitaco. Ainda correram pelo Twitter notícias vindas do México, Bélgica e Itália. Valeu só por isso.

E, pra mim, como era de se esperar, o BBB acaba aqui. Não sei se vou continuar assistindo, quanto mais comentando. Hoje foi final. Em número de votos e em paralização nacional. Daqui pra frente a gente conhece o enredo. E eu não tenho coração pra ver o que acontece.

Eu fiquei triste, sim, porque vi ali a cabeça brasileira. E finalmente entendi que não vou viver pra ver nada diferente disso. Vem pra gente, Morango. Tchau, BBB. Um abraço pra quem fica.

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Update: Só mais um agradecimento a algo que eu acabei de receber por e-mail.

Update 2: Dois posts me deram ânimo hoje: o da Haline e o da Mary W. Aliás, fui citada pela última. Já dá pra morrer, né? Outra coisa boa foi o The Advocate lamentando o resultado do paredão. E reparem que em alguns comentários há estrangeiros se posicionando. Coisa boa.