Sól er landa ljóme; lúti ek helgum dóme…

Tenho um amigo curioso. Constantemente mete o dedo nas minhas feridas – e inevitavelmente nas das pessoas quese relacioam comigo – perguntando o que, por que, onde, quando.  Eu me zango. Certas coisas a gente deixa lá no canto, por uma série de motivos. Mas o fato é que é lindo ele se importar.

Porque de uma hora pra outra todo mundo cobra que o mundo mostre cicatrizes, mas ninguém nunca pergunta. Aliás, pra quê? Algumas coisas a gente partilha e resolve junto; outras, não tem jeito, são demônios nossos, e só a gente pode resolver. Falar nem sempre é solução.

Tanta cagação de regra, e o mundo só precisa de silêncio.

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P.S.: Tô bem. Isso não é pra ser um texto depressivo. São só algumas coisas que eu andei considerando.

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A fessôra e o jardineiro

Daí eu esqueci de contar a historinha da professora linda do começo da semana. Porque foi aí que eu me dei conta de como andava hipersensível. É, é assim mesmo. O meu inferno astral é irregular, atrasa e me deixa preocupada todo ano.

Mas lá estava eu, carente de paz mundial, apresentando um trabalho que eu nem fazia ideia do que se tratava, usando toda a habilidade linguiceira que adquiri no curso de Direito – viva a retórica! – quando, não sei por que cargas d’água, ela contou uma das ótimas histórias que sempre conta.

Basicamente, um belo dia ela estava entrando na escola e, como de hábito, cumprimentou o jardineiro. Daí se seguiu o seguinte diálogo:

Jardineiro: Posso perguntar uma coisa?

Professora: Claro.

Jardineiro: Por que a senhora me cumprimenta? [Aqui em engasguei.]

Professora (sem entender): Ué, porque o senhor é meu colega.

Jardineiro: Mas eu sou só o jardineiro… [:(]

Professora: Mas com certeza não é por minha causa que essa escola é considerada tão linda.

Imaginem a minha cara de concha, no meio do seminário, segurando o choro. Valeu, ‘fessôra.

Penseira

Lembra quando eu disse que odeio ter a impressão de falar demais aqui? Pois é, só que eu também odeio esse silêncio. Porque ele dá aquela impressão de ‘ok, cansei de vocês; fui brincar lá fora’, a.k.a. ‘fui ali viver a vida’. E esse é o tipo de atitude que eu desprezo absolutamente. Essa coisa de achar que quem tá no clube torrando no sol é cool e quem leva uma vida verde-escritório é loser.

E eu não fui brincar lá fora. Ou melhor, até fui, mas também tô aqui. Porque, né, ninguém merece essa vida 8 ou 80. Só que eu sento aqui pra escrever, querendo, sei lá, falar um ‘oi’ e não consigo. Eu penso, penso, penso e me desprezo. E tem tanta coisa pra falar, tanta coisa na minha cabeça, que uma penseira agora cairia bem. Preciso voltar a escrever qualquer bobagem, me familiarizar com isso aqui de novo.

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Fim de ano chegando. E que ano foi 2010! Começou morno, naquela rotina de sempre, e na metade, como sempre acontece, tomei uma rasteira e tudo virou do avesso. Do jeito bom. Os meus planos pra 2011 não saíram como o esperado; eu não esperava estar aqui no ano que vem. Mas vou estar. E de um jeito melhor que o imaginado.

O rugby veio aí bancar o salvador da pátria. E eu me achei. É lindo. Eu vivo roxa, ralada, estou com canelite e um dedo luxado, mas só consigo achar lindo. Um belo dia eu acordei e por certa razão percebi que teria (e terei, se quiser realizar meus planos) que deixar o BHR um dia, e meu coração apertou tanto, tanto, que parecia que eu tinha feito aquilo a vida toda. É altamente clichê o que eu vou falar, mas aquilo é família.

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Por falar nisso, no fim de semana o time feminino do BHR vai jogar em São Paulo. É a terceira etapa do Circuito Brasileiro de Rugby Sevens, no SPAC. Quero toda uma torcida lá.

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Essa vontade de escrever de novo é tudo culpa da minha prima de doze anos. É mole? Tem blog. E é muito bonitinho ver ela escrever. Adoro adolescente. Adoro ver a individualidade dela aparecendo. É forte sem ser mal-educada, mal-agradecida. Sabe o que quer. Essa me dá gosto.

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Uma das coisas mais úteis que eu aprendi esse ano foi encadernação. Achei altamente divertido. E quero tentar brincar disso nas férias. Vou levar os modelos das aulas pra Barretos e destruir tudo por lá. Eu sou péssima com essas coisas manuais, artesanais. Sou um trator, né? Delicadeza, zero. Mas acho divertido. Me deixa.

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Ontem eu estava vendo um documentário sobre comidas estranhas. Já conhecia comida viking e tal, mas eu nunca vou cansar de repetir o quanto carne de tubarão apodrecida é um negócio dispensável. Comida é uma das duas coisas que vikings não sabiam fazer. A outra era música. Pelamordedeus, nunca escutem música viking tradicional. É um 2 Girls 1 Cup para os ouvidos.

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Faz uma semana que eu tô louca pra encher a cara num McDonald’s da vida. Encher a cara de hambúrguer processado e cheddar entope-artéria, digo. Tô aceitando companhia.

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Há dois anos e meio, eu fui literalmente expulsa de uma pensão. Claro que foi loucura de uma doida que nem morava lá. Não tinha como me expulsar; eu tinha contrato. Mas fui embora um mês depois, de qualquer forma, assim que arranjei casa. Éramos 11 meninas, na época. Junto comigo saíram 8 delas. Quatro intercambistas, que foram embora do Brasil; uma que veio morar comigo; uma que foi morar com o namorado; uma outra foi morar com amigas; e a última só trocou a pensão. Sobraram duas irmãs, que saíram em seguida, depois de outro surto da maluca.

A pensão continuou por um tempo, capengando, e faliu. Hoje eu encontrei a tal dona na rua. Passou e me desprezou. Não tenho culpa, amiga.

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Chega.