Dia 282: OLÊOLÊOLÊOLÊÊÊÊÊ

Eu ando sumida, né? É. Eu tinha histórias longuíssimas pra contar sobre isso, aí desisti. Há vinte dias era um motivo, depois foi outro, depois foi outro, depois foi outro e agora é só o fim de semestre. Eu sou do tipo de estudante que gosta de uma emoção. A vida não fica completa se eu não deixar todos os trabalhos do início do semestre para o fim e não correr o risco de pegar exame.

E fim de semestre é um negócio que não orna com Copa do Mundo. Pensa no sadismo do professor, tomando cerveja e agitando bandeirinha, esperando que você entregue os 7 resumos que ele deu depois do jogo. Eu, como boa rebelde sem causa, sacaneio e assisto até os jogos da Coreia do Norte. Não adianta muito, né, porque quem termina reprovada sou eu, não ele. Mas enfim.

Eu na verdade gostaria de estar dormindo agora – vou fazer isso em vinte minutos -, porque virei a noite tentando recuperar o tempo perdido, mas vinte dias sem postar é um troço que me incomoda, e eu senti que era hora de falar de Copa antes que dê alguma zebra e perca minha oportunidade.

O negócio é que eu não entendo azedume com Copa. Tá, quem não gosta, não gosta. Ninguém é obrigado. E todo mundo tem o direito de não aguentar mais ouvir falar disso – apesar de que é só um mísero mês em quatro anos, e a gente passa quatro anos esperando esse sofrimento, então peço a sua compreensão. Mas é aquela gente que diz ‘se brasileiro se unisse pra [preencha aqui com o que quiser] como se une na Copa…’ é que eu não aguento. Desculpaê, dá não.

Porque, né, não gostar de futebol é uma coisa; não se comover com a alegria geral é outra. É tão gostoso o pessoal todo animado, naquele preparativo antes do jogo; ou na solidariedade com o jogador que foi expulso pelo juiz FILHO-DA-PUTA; ou tocando vuvuzela como se não houvesse amanhã depois… Fala sério!

Eu torço pra Itália. Né, muitos motivos. Tipo o Cannavaro. Brincadeira. [Não, não é. Cannavaro bem daria um motivo.] Mas eu não consigo deixar de torcer pro Brasil também. Eu não gosto do Dunga, não gosto do Kaká, do Robinho, nem do Galvão Bueno querendo comer meia seleção. Mas eu não resisto a torcer com todo mundo.

E eu me dei conta disso porque hoje pisei na rua e só dá pra ver verde e amarelo em tudo o que é canto. Tem carro que a gente nem vê; só vê uma bandeira GIGANTE andando sozinha no meio da rua. E se pergunta como é que o motorista enxerga alguma coisa. Até os caminhõezinhos mais modestos têm pelo menos uma bandeirinha em algum lugar. Olha a felicidade. Um mísero 3×1 conta a Costa do Marfim e tinha um monte de senhorinhas com a camisa da seleção na rua. Eu queria abraçar.

Quatro anos, gente. A gente nem sabe até onde vai isso. Fomos pras oitavas, mas quem garante que disso passa? Então não joguem água nesse chope, não, por favor. Quem dera os dias todos começassem assim tão leves como o de hoje.

Dia 96: Takarazuka e mais Brasil na guerra

A lista torturante de atrizes fodas que deixam o Takarazuka aumentou: ontem foi a vez da Ayabuki Mao anunciar que vai sair.

Muita gente diz que ela seria a próxima top do Yukigumi, mas eu sinceramente duvido. Pelo andar da carruagem, a Mizu Natsuki não vai sair de lá tão cedo. Aparentemente, ela tem uma legião gigante de fãs (juro que não entendo). Há muito, muito tempo, eu achava que ela substituiria a Haruno Sumire no Hanagumi, mas passaram a Matobu Sei na frente. Isso, pra mim, foi o sinal definitivo de que ela seria um eterno segundo lugar. Por essas e outras, entendo a saída dela, embora ela seja das minhas favoritas.

[Na foto, à direita.]

A última performance vai acontecer no dia 25 de abril de 2010, em Tóquio, com Daybreak at Solferino/Carnavale, a Sleeping Dream.

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Terminei de ler Da Itália à Coréia: Decisões sobre Ir ou Não à Guerra, do Vágner Camilo Alves. Pra quem interesse pela FEB e quais foram os motivos que levaram à sua criação, é fantástico. Obviamente, como o título já anuncia, o livro não trata só disso. Na verdade, a proposta do autor é discutir os motivos que levaram o Brasil à Segunda Guerra e o que o impediu de ir, mais tarde, lutar na Coreia – e outros conflitos seguintes -, limitando-se às ações de paz.

Há uma entrevista com o autor aqui.

Totalmente recomendado pra quem tem interesse pelo assunto.

O livro:

ALVES, Vágner Camilo. Da Itália à Coréia: decisões sobre o ir ou não à guerra. Belo Horizonte, MG; Rio de Janeiro, RJ: Editora UFMG; IUPERJ, 2007. 268 p.

Dia 50: O Brasil e a vergonha

Global Gender Gap Report 2009: Brasil em 82º lugar. E você ainda achava que 74º era uma posição ruim.

gggr2009

Top ten:

Rank 2009
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Country

 

Iceland
Finland
Norway
Sweden
N. Zealand
S. Africa
Denmark
Ireland
Philippines
Lesotho

Score*

 

0.828
0.825
0.823
0.814
0.788
0.770
0.763
0.760
0.758
0.750

Rank 2008
4
2
1
3
5
22
7
8
6
16
Gender Gap Subindexes
Economic Participation and Opportunity 76 0.637 0.594
Labour force participation …………………………………..76 0.75 0.69 64 86 0.75
Wage equality for similar work (survey) ……………114 0.52 0.66 — — 0.52
Estimated earned income (PPP US$)…………………..69 0.56 0.52 6,426 11,521 0.56
Legislators, senior officials, and managers…………33 0.54 0.30 35 65 0.54
Professional and technical workers ……………………..1 1.00 0.84 53 47 1.11
Educational Attainment 32 0.999 0.930
Literacy rate ………………………………………………………….1 1.00 0.87 90 89 1.01
Enrolment in primary education…………………………..73 1.00 0.97 93 93 1.00
Enrolment in secondary education ……………………….1 1.00 0.92 81 73 1.11
Enrolment in tertiary education …………………………….1 1.00 0.87 34 26 1.29
Health and Survival 1 0.980 0.960
Sex ratio at birth (female/male) …………………………….1 0.94 0.93 — — 0.94
Healthy life expectancy…………………………………………1 1.06 1.04 62 57 1.09
Political Empowerment 114 0.063 0.169
Women in parliament…………………………………………109 0.10 0.22 9 91 0.10
Women in ministerial positions……………………………88 0.13 0.17 11 89 0.13
Years with female head of state (last 50) …………….41 0.00 0.14 0 50 0.00
Additional Data
Maternity and Childbearing
Births attended by skilled health staff (%) ………………………………….97
Contraceptive prevalence, married women (%)………………………….77
Infant mortality rate (per 1,000 live births)…………………………………..19
Length of paid maternity leave …………………………………………120 days
Maternity leave benefits (% of wages paid) ……………………………..100
Provider of maternity coverage………………………………Social security
Maternal mortality ratio per 100,000 live births …………………………110
Adolescent fertility rate (births per 1,000 women
aged 15–19) ………………………………………………………………………………56
Education and Training
Female teachers, primary education (%)…………………………………….91
Female teachers, secondary education (%) ……………………………….69
Female teachers, tertiary education (%) …………………………………….44
Employment and Earnings
Female adult unemployment rate (%)……………………………………..11.66
Male adult unemployment rate (%) ………………………………………….6.77
Women in non-agricultural paid labour
(% of total labour force)……………………………………………………………42
Ability of women to rise to enterprise leadership*…………………..3.96
Basic Rights and Social Institutions**
Paternal versus maternal authority ………………………………………….0.00
Female genital mutilation………………………………………………………….0.00
Polygamy ………………………………………………………………………………….0.00
Existence of legislation punishing acts of violence
against women………………………………………………………………………0.58
76 Country Profiles Global Gender Gap Report 2009
country score
sample average
0.00 = inequality
1.00 = equality
Sample Female-to-
Rank Score average Female Male male ratio

Dia 9: Arrrrr!

463px-Piratpartiet.svg

Hoje, 19 de setembro, é o Talk Like a Pirate Day. Eu achei particularmente muito conveniente, porque dá pra fazer um gancho (sem trocadilhos) necessário: o Movimento Pirata.

Sempre achei que as tentativas de frustrar a liberdade da internet, fossem elas governamentais ou corporativas, fossem fogo-de-palha. Porque a gente recebe essas informações o tempo todo de que vivemos num mundo livre e democrático, onde tudo é feito em prol do povo. Bullshit!

Depois que o Sunde e os outros caras do Pirate Bay foram presos, todas as minhas esperanças tolas foram por água abaixo. Afinal, se até a Suécia, o país onde o Pirate Bay estava protegido pela lei, cedeu às pressões das multinacionais, o resto da humanidade está, então, fodido. Junto com isso, o Projeto Azeredo anda a todo vapor. Por mais que o Lula diga que não vai apoiar, o projeto ainda está lá rodando e rendendo frutos.

Foi por essas e outras que eu acompanhei com prazer o boom no número de afiliados do Piratpartiet e, consequemente, aos outros Partidos Piratas do globo, especialmente os europeus. O Brasil possui sua própria versão, embora não seja um partido registrado. Mas eu boto fé de que o partido pode crescer por aqui e dar uma sacudida nessa pouca vergonha que estão aprotando com a gente.

O senador Azeredo quer vigiar o que nós fazemos na internet para ‘combater a pedofilia’. E para isso ele quer proibir o P2P e limitar o Wi-Fi. Inocente, não? Qual vai ser a próxima sugestão? Censurar o que a gente publica? Viva a República Federativa… da China?

Eu considero a nossa geração extremamente carente de ativismo. Nós temos preguiça de política. Mas me parece que a ‘revolução’ que a internet trouxe ninguém vai aceitar perder assim tão facilmente. De um jeito ou de outro vai haver uma reação. Seja dentro do Senado, seja através dos proxies ou de qualquer outra coisa que inventarem no meio do caminho. O importante é que haja contra-ataque. Mas se for pela lei, melhor ainda. Por isso o Partido Pirata é importante e precisa ser divulgado. Não digo registrado, porque num país onde metade da população passa fome e nem tem acesso a um computador isso seria uma ironia cruel. Mas até pra isso eu tenho esperanças.

E então? ‘Bora colocar tapa-olhos? De piratas, não de censura.

Aaaaar! Repassem o abaixo-assinado contra o Projeto Azeredo e tenham um feliz (resto de) Talk Like a Pirate Day!

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Em tempo: eu tenho uma pirata favorita, a Amelia Andersdotter, que conseguiu uma cadeira no parlamento sueco com 7,1% dos votos, mas que ainda depende da ratificação do Tratado de Lisboa para poder assumir.