Dia 212: Filmes. Pra variar.

Então, nestes últimos dias, eu venho tentando assistir todos os filmes possíveis. Ando numas de desesperada. Tô lendo livros, vendo filmes e ouvindo músicas alucinadamente. Das duas, uma: ou é medo de 2012, ou é a consciência de que eu só tenho até o fim do ano que vem pra vagabundear. Aí eu me formo.

Assisti sei lá quantos filmes. Já não lembro de metade. Provavelmente porque eu não gostei. E não anotei pra escrever aqui. Então vou fazendo um post meia-boca sobre os que eu for lembrando.

O primeiro foi A Fita Branca. Estava ansiosa pra ver esse filme. E gostei muito. Mas não vou comentar. Não sei comentar esse tipo de filme. É preciso assistir. Fim.


Aí eu entrei numas de ver A Espiã, sobre uma judia holandesa que se envolve com um oficial nazista na Segunda Guerra como colaboração com um grupo de resistência. O nome é de filme de Sessão da Tarde, né, e quase que o filme é isso mesmo.

Vi muita gente fazendo uma crítica tão boa, que eu cheguei à conclusão de que pirei. Só pode. O filme é deprimente de tão ruim. Tá, eu não simpatizo com Verhoeven, mas juro que eu nem sabia que era dele quando vi. Podendo escolher, optem por ‘Curtindo a Vida Adoidado’. É mais feliz, Sessão da Tarde autêntico e você não tem que ver um nazista sem dotes pelado.

Também vi Elizabeth – A Era de Ouro. Que é um filme que eu só desculpo porque é ultraestético. Ah, eu não resisto. De resto, não vale nada. Pra que serve história, né, minha gente, se os roteiristas vão reescrever tudo? Se tiver uns dois fatos verdadeiros ali, fico até surpresa, viu? Mas a produção da maquiagem e do figurino estão de parabéns. E a Abbie Cornish também. Coloquem no mute e fiquem só olhando.

Ah, sim, também preciso dizer que, não sendo uma apreciadora da língua espanhola – a não ser em casos muito específicos, como com as mulheres doidas do Almodóvar -, aquele Filipe II me dava calafrios toda vez que falava. Credo, gente.

Aliás, isso é uma das coisas que não me agrada nesse tipo de filme, também. Filme histórico – fazendo aqui de conta que esse filme é um – não pode ser tão maniqueísta. Os ingleses são heróis e gentlemen, enquanto os espanhóis são macabros, frescos e têm sobrancelhas esquisitas e pernas tortas.

Esse foi meu fim de semana retrasado. Aí, na segunda-feira, eu tive uma má experiência com um filme que eu queria ver há tempos e que a maldita locadora não tinha, a princípio, e desenterrou de alguma filial no fim do mundo e que rendeu tantos problemas que, no fim, me gerou uma multa básica de 24 reais. Ou seja, vou voltar pro torrent.

O filme que causou tudo isso é Ran. É desses clássicos que eu sempre enrolo pra assistir. É sobre um conflito causado entre irmãos quando o pai, um senhor feudal, decide distribuir suas terras entre eles. Um Rei Lear japonês. Essa é a melhor definição que eu consigo encontrar. E eu sofri o filme inteiro. Eu sofro muito com filme japonês. Vai entender.

Na Páscoa, vi Julie & Julia e Coco Avant Chanel. O primeiro é bonzinho, bonitinho. Não consigo não gostar de filme com a Meryl Streep. Mas também não é um filme que eu colocaria entre os tops. Pra mim, é filme de uma vez só. O segundo, dispenso. Não gostei, mas não sei dizer exatamente por quê. Acho que o carnaval que fizeram com o lançamento desse filme é muito maior do que ele.

Ontem, por fim, assisti Donnie Darko. Assisti não esperando nada e acabei me surpeendendo. Não vou nem falar muito, leiam alguma sinopse por aí, porque posso acabar estragando, e ele é todo surpresas. E encerrei o dia com O Lutador, que eu ainda não sei definir. É bom, mas eu terminei um pouco arrasada. Não sabia se dava um abraço no brutamontes do Rourke ou se dava um belo dum tapa. E eu que achava que seria cheesy.

Hoje, se o santo torrent ajudar, assisto Elefante, van Sant. Com sorte, saio inteira. Rezem por mim.

Dia 192: Filmes: ‘Laranja Mecânica’ e ‘Hitler’

Este fim de semana eu pude, finalmente, riscar da minha lista ‘para assistir’ duas obras cinematográficas. Uma delas é tão clássica que muita gente me olhava com cara de espanto quando eu dizia que não tinha assistido: Laranja Mecânica.

Ok. Eu entendo que 99,9% da população considere um filme genial e tudo mais; peguei a moral do final, o controle do Estado, a ‘falsa cura’. Ok. Mas pra mim é só um filme perturbador. Talvez eu precise de mais tempo pra digerir, por isso não vou comentar mais do que isso. Por hora, tudo o que ele fez por mim foi associar ‘Singin’ in the Rain’ a uma cena de estupro. Pra sempre.

O outro foi Hitler: A Ascensão do Mal.

Nem sei por onde começar. O filme trata dos anos anteriores ao governo nazista, desde os primeiros passos de Hitler na política, o Putsch da Cervejaria, até o expurgo de junho, a morte de Hindenburg e a consequente tomada de poder de Hitler.

Existem alguns pequenos erros históricos, que seriam até passáveis, não fossem outras coisas mais notáveis. Por exemplo, Hanfstaengl. Foi um homem que muito contribuiu para a a subida de Hitler, financiando a publicação de Mein Kampf e o jornal da NSDAP; foi amigo próximo, participou do Putsch, fez parte do partido. Mas o papel dele, na série, fica muito aumentado. Pelo menos em comparação a outros personagens. Himmler, por exemplo, não aparece. Göring, quase nada. Goebbels é o que ainda se salva, apesar de ter um papel consideravelmente reduzido. A esposa de Hanfstaengl também ganha uma importância talvez maior do que teve.

O elenco também não me agradou. Com exceção de alguns momentos, Robert Carlyle não me convence como Hitler. Peter Stormare como Röhm, então, chega a ser piada. Primeiro, porque Röhm conseguia ser ainda mais baixinho que Hitler, coisa que Stormare definitivamente não é. Segundo, porque eles não tinham NADA a ver e a produção nem tentou disfarçar. A caracterização é desleixada – e não só a dele. Por fim, não consigo ver mais o Stormare em nenhum outro papel que não seja o Abruzzi.

É um filme que, com algum cuidado, poderia ser muito mais interessante. Alô, CBS.

Dia 92: Gran Torino

Ontem vi, finalmente, Gran Torino, um dos filmes mais recentes do Clint Eastwood.

De uma maneira geral, eu gostei, como tenho gostado dos últimos filmes dele. Mas o padrão Eastwood se repete: ele tem uma certa obsessão por velhos solitários, padres e famílias carrascas.

Mas é bom. Eu dei boas risadas da rabugice do personagem que ele interpreta, Walt Kowalski, assim como também morri de raiva e de tristeza junto com ele em outras situações.

Não passa da segunda regra da Lei Bechdel. Apesar de ter um bom número de personagens femininas, os raros diálogos entre elas gravitam em torno dos homens da trama. Ainda assim é muito bom. Totalmente recomendado.