Adolescence of Utena: enfim, o filme!

Juro que eu queria achar esse filme uma merda. Juro. Porque eu tô me achando um saco de tão repetitiva. Mas que filme! Que filme! Eu vou ter que dar o braço a torcer pro Ikuhara.

O filme não tem nada a ver com o anime. O espírito é o mesmo, mas a história é outra. Os personagens são os mesmos, mas as personalidades são outras. A Utena é a mesma, mas a motivação é outra. E ele é muito mais explícito, até mais agressivo, na mensagem. [Atenção para possíveis spoilers a seguir.]

Anthy está diferente. Muito. Mais tagarela, mais solta. Mais sensual. Aliás, essa é a grande diferença do anime pro filme. Embora o sexo esteja constantemente presente no anime, no filme fala-se abertamente sobre. Sobre todo sexo. O incesto está de volta. A homossexualidade também aparece escancarada. Nada meramente sugestivo, como no anime.

A cena da dança, a famosa, é realmente de tirar o fôlego. Aliás, o filme todo é assim. A estética é impecável. Dispensaria a cena da vaca. Se a Nanami não ia aparecer no resto do enredo, por que enfiar aquela coisa nonsense ali? Bom, na verdade nem dá pra criticar nonsense quando se fala de Utena. Mas eu dispensaria.

Uma coisa: lembro de ter lido em algum review da Valéria-sama que no filme Utena se passa por menino na escola. E não é verdade. Tanto que, na cena em que Saionji descobre que Utena é uma menina, ela mesma diz que nunca havia dito não ser menina. Ela simplesmente age neutramente. É claro que, considerando-se que a palavra ‘eu’, em japonês, é dita de formas diferentes de acordo com quem fala, e que o padrão para meninas é ‘atashi/watashi’ e para meninos é ‘boku’, e Utena usa boku, a confusão acontece facilmente. Mas, de fato, como ela diz, em nenhum momento ela diz ser menino. Os outros personagens simplesmente presumem que seja por causa de um padrão. De fala, de roupas, de comportamento.

E é essa a missão do filme, afinal. Questionar esses padrões. Como se já não fosse claro o suficiente, a mensagem é explícita quando Anthy… Bom, aqui vai um spoiler gigante, então, se você pretende ver e não quer que eu arruine sua interpretação do FINAL do filme, melhor parar por aqui. Aproveite!


Pra quem ficou: Anthy se recusa a voltar com Akio pro mundo onde ela é um ‘cadáver vivo’. Essa é, aliás, a parte mais polêmica do filme. Porque, ao meu ver, é um suicídio. Ela está escapando de um mundo que faz mal para ela. A expressão ‘cadáver vivo’ já dá uma ideia, eu acho. E tem todo um jogo de coisas que sugerem isso. Como quando ela olha para os pneus do carro-castelo e diz que ali está a saída – e se joga debaixo deles. Mas dizer essas coisas assim não faz sentido nenhum pra quem assistiu, então eu paro aqui.

Me disseram que Utena é confuso pra quem nunca assistiu o anime, mas eu discordo. Não dá pra avaliar, já que eu já vi o anime várias vezes e já conheço toda a mitologia de Utena desde a adolescência – cara, hoje que eu me dei conta de que isso faz dez anos! -, mas acredito ser possível entender com facilidade. É claro que provavelmente não vai ter a mesma graça, já que uma das diversões é observar as diferenças entre o filme, o anime e o mangá, mas a mensagem está lá. E ela é válida. E, não fosse um filme tão adulto, eu diria que é obrigatório pra toda criança. Porque quando eu tiver uma filha e ela tiver idade pra entender, ela vai assistir.

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Dia 212: Filmes. Pra variar.

Então, nestes últimos dias, eu venho tentando assistir todos os filmes possíveis. Ando numas de desesperada. Tô lendo livros, vendo filmes e ouvindo músicas alucinadamente. Das duas, uma: ou é medo de 2012, ou é a consciência de que eu só tenho até o fim do ano que vem pra vagabundear. Aí eu me formo.

Assisti sei lá quantos filmes. Já não lembro de metade. Provavelmente porque eu não gostei. E não anotei pra escrever aqui. Então vou fazendo um post meia-boca sobre os que eu for lembrando.

O primeiro foi A Fita Branca. Estava ansiosa pra ver esse filme. E gostei muito. Mas não vou comentar. Não sei comentar esse tipo de filme. É preciso assistir. Fim.


Aí eu entrei numas de ver A Espiã, sobre uma judia holandesa que se envolve com um oficial nazista na Segunda Guerra como colaboração com um grupo de resistência. O nome é de filme de Sessão da Tarde, né, e quase que o filme é isso mesmo.

Vi muita gente fazendo uma crítica tão boa, que eu cheguei à conclusão de que pirei. Só pode. O filme é deprimente de tão ruim. Tá, eu não simpatizo com Verhoeven, mas juro que eu nem sabia que era dele quando vi. Podendo escolher, optem por ‘Curtindo a Vida Adoidado’. É mais feliz, Sessão da Tarde autêntico e você não tem que ver um nazista sem dotes pelado.

Também vi Elizabeth – A Era de Ouro. Que é um filme que eu só desculpo porque é ultraestético. Ah, eu não resisto. De resto, não vale nada. Pra que serve história, né, minha gente, se os roteiristas vão reescrever tudo? Se tiver uns dois fatos verdadeiros ali, fico até surpresa, viu? Mas a produção da maquiagem e do figurino estão de parabéns. E a Abbie Cornish também. Coloquem no mute e fiquem só olhando.

Ah, sim, também preciso dizer que, não sendo uma apreciadora da língua espanhola – a não ser em casos muito específicos, como com as mulheres doidas do Almodóvar -, aquele Filipe II me dava calafrios toda vez que falava. Credo, gente.

Aliás, isso é uma das coisas que não me agrada nesse tipo de filme, também. Filme histórico – fazendo aqui de conta que esse filme é um – não pode ser tão maniqueísta. Os ingleses são heróis e gentlemen, enquanto os espanhóis são macabros, frescos e têm sobrancelhas esquisitas e pernas tortas.

Esse foi meu fim de semana retrasado. Aí, na segunda-feira, eu tive uma má experiência com um filme que eu queria ver há tempos e que a maldita locadora não tinha, a princípio, e desenterrou de alguma filial no fim do mundo e que rendeu tantos problemas que, no fim, me gerou uma multa básica de 24 reais. Ou seja, vou voltar pro torrent.

O filme que causou tudo isso é Ran. É desses clássicos que eu sempre enrolo pra assistir. É sobre um conflito causado entre irmãos quando o pai, um senhor feudal, decide distribuir suas terras entre eles. Um Rei Lear japonês. Essa é a melhor definição que eu consigo encontrar. E eu sofri o filme inteiro. Eu sofro muito com filme japonês. Vai entender.

Na Páscoa, vi Julie & Julia e Coco Avant Chanel. O primeiro é bonzinho, bonitinho. Não consigo não gostar de filme com a Meryl Streep. Mas também não é um filme que eu colocaria entre os tops. Pra mim, é filme de uma vez só. O segundo, dispenso. Não gostei, mas não sei dizer exatamente por quê. Acho que o carnaval que fizeram com o lançamento desse filme é muito maior do que ele.

Ontem, por fim, assisti Donnie Darko. Assisti não esperando nada e acabei me surpeendendo. Não vou nem falar muito, leiam alguma sinopse por aí, porque posso acabar estragando, e ele é todo surpresas. E encerrei o dia com O Lutador, que eu ainda não sei definir. É bom, mas eu terminei um pouco arrasada. Não sabia se dava um abraço no brutamontes do Rourke ou se dava um belo dum tapa. E eu que achava que seria cheesy.

Hoje, se o santo torrent ajudar, assisto Elefante, van Sant. Com sorte, saio inteira. Rezem por mim.

Dia 192: Filmes: ‘Laranja Mecânica’ e ‘Hitler’

Este fim de semana eu pude, finalmente, riscar da minha lista ‘para assistir’ duas obras cinematográficas. Uma delas é tão clássica que muita gente me olhava com cara de espanto quando eu dizia que não tinha assistido: Laranja Mecânica.

Ok. Eu entendo que 99,9% da população considere um filme genial e tudo mais; peguei a moral do final, o controle do Estado, a ‘falsa cura’. Ok. Mas pra mim é só um filme perturbador. Talvez eu precise de mais tempo pra digerir, por isso não vou comentar mais do que isso. Por hora, tudo o que ele fez por mim foi associar ‘Singin’ in the Rain’ a uma cena de estupro. Pra sempre.

O outro foi Hitler: A Ascensão do Mal.

Nem sei por onde começar. O filme trata dos anos anteriores ao governo nazista, desde os primeiros passos de Hitler na política, o Putsch da Cervejaria, até o expurgo de junho, a morte de Hindenburg e a consequente tomada de poder de Hitler.

Existem alguns pequenos erros históricos, que seriam até passáveis, não fossem outras coisas mais notáveis. Por exemplo, Hanfstaengl. Foi um homem que muito contribuiu para a a subida de Hitler, financiando a publicação de Mein Kampf e o jornal da NSDAP; foi amigo próximo, participou do Putsch, fez parte do partido. Mas o papel dele, na série, fica muito aumentado. Pelo menos em comparação a outros personagens. Himmler, por exemplo, não aparece. Göring, quase nada. Goebbels é o que ainda se salva, apesar de ter um papel consideravelmente reduzido. A esposa de Hanfstaengl também ganha uma importância talvez maior do que teve.

O elenco também não me agradou. Com exceção de alguns momentos, Robert Carlyle não me convence como Hitler. Peter Stormare como Röhm, então, chega a ser piada. Primeiro, porque Röhm conseguia ser ainda mais baixinho que Hitler, coisa que Stormare definitivamente não é. Segundo, porque eles não tinham NADA a ver e a produção nem tentou disfarçar. A caracterização é desleixada – e não só a dele. Por fim, não consigo ver mais o Stormare em nenhum outro papel que não seja o Abruzzi.

É um filme que, com algum cuidado, poderia ser muito mais interessante. Alô, CBS.

Dia 151: Alguns filmes que andei vendo…

…e gostei. Dica: ignorem os títulos.

O Leitor

Dispensa apresentações. Foi nomeado para 5 cinco Oscars em 2009, dos quais levou o de Melhor Atriz (Kate Winslet).

Na Alemanha pós-2ª Guerra Mundial o adolescente Michael Berg (David Kross) se envolve, por acaso, com Hanna Schmitz (Kate Winslet), uma mulher que tem o dobro de sua idade. Apesar das diferenças de classe, os dois se apaixonam e vivem uma bonita história de amor. Até que um dia Hanna desaparece misteriosamente. Oito anos se passam e Berg, então um interessado estudante de Direito, se surpreende ao reencontrar seu passado de adolescente quando acompanhava um polêmico julgamento por crimes de guerra cometidos pelos nazistas.

[Adoro Cinema]

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Amor Verdadeiro

Inge (Elizabeth Reaser) veio de Minnesota para um casamento arranjado com Olaf (Tim Guinee), um discreto fazendeiro que imigrou da Noruega. Como é alemã Inge enfrenta um forte preconceito local, decorrente do clima pós-1ª Guerra Mundial, e com isso o pastor proíbe seu casamento. Apesar dos problemas, Inge e Olaf se apaixonam perdidamente. Quando Frandsen (Alan Cumming) tem sua fazenda ameaçada por um banqueiro Olaf decide ajudá-lo, reunindo em torno de si a comunidade local.

[Adoro Cinema]

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Para o Resto de Nossas Vidas

Há 10 anos atrás eles foram amigos na Universidade de Cambridge e agora Peter Norton (Stephen Fry) herdou do seu finado pai o título de lorde e uma mansão espetacular. Assim, ele convida seus amigos para uma reunião. Entre os convidados estão Andrew (Kenneth Branagh), que foi para Hollywood e se casou com Carol (Rita Rudner), a estrela de uma comédia americana que ele está escrevendo. Há a solitária Maggie (Emma Thompson), que pensa que pode estar apaixonada por Peter, que por sua vez está muito inseguro sobre o que fazer da sua vida. Além deles há Roger (Hugh Laurie) e Mary (Imelda Staunton), um casal que ganhou uma fortuna fazendo jingles para comerciais, mas desde a morte de um dos seus gêmeos Mary está temendo muito pela vida da outra criança. Há também Sarah (Alphonsia Emmanuel), uma solteira que sempre se sente atraída por homens indisponíveis, incluindo seu último namorado, Brian (Tony Slattery), que é casado. Também presente está Vera (Phyllida Law), que toma conta de Peter desde sua infância. Durante este final de semana são revelados ciúmes e medos entre os convidados, mas Peter revelará um segredo dele que deixará insignificante todos os outros problemas.

[Adoro Cinema]

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Dia 118: Coraline e A Maldição da Flor Dourada

Finalmente assisti Coraline! Depois de tanta enrolação…

Eis a sinopse:

Coraline Jones é uma curiosa e aventureira menina de 11 anos. Ela acaba de se mudar do Michigan para o Oregon e, sentindo falta dos amigos e vendo os pais ocupados demais com o trabalho, realmente duvida que seu novo lar possa lhe oferecer algo intrigante. Mas ela percebe que está enganada ao descobrir uma porta secreta dentro de casa que leva a uma versão alternativa de sua vida. Superficialmente, essa realidade paralela é parecida com a sua – só que muito melhor. [Cinema em Cena]

O que posso dizer? ‘Coraline’ foi baseado em um livro do Neil Gaiman, então só poderia ser genial. E a animação é de primeira.

Eu só não acho muito aconselhável para crianças pequenas. É um pouco tenso demais.

Depois, por acidente, vi um filme que eu já queria ver há muito: A Maldição da Flor Dourada, de Zhang Yimou, um dos meus favoritos.

China, última dinastia Tang, século X. Flores douradas enchem o palácio imperial na noite do festival Chong Tang. O imperador Ping (Chow Yun-Fat) retorna inesperadamente com seu 2º filho, o príncipe Jai (Jay Chou), com o pretexto de celebrar o feriado com a família. Porém o frio relacionamento existente entre ele e a imperatriz Phoenix (Gong Li) desmente a justificativa. Durante muitos anos a imperatriz e o príncipe Wan (Liu Ye), seu enteado, mantiveram uma ligação ilícita. Wan sente-se aprisionado e sonha em fugir do palácio com Chan (Li Man), a filha do médico imperial e seu amor secreto. Enquanto isso Jai cresce preocupado com a saúde de sua mãe e, principalmente, com sua obsessão por crisântemos amarelos. Quando o imperador sente-se ameaçado, ele transfere o médico imperial (Ni Dahong) e sua família para uma área remota do reino. Porém durante a viagem eles são atacados por assassinos, o que faz com que Chan e sua mãe (Chen Jin) retornem ao palácio. [Adoro Cinema]

Quem conhece Zhang Yimou já sabe que ele é o mestre da estética no cinema. Pra quem acha que não conhece, são dele os filmes O Clã das Adagas Voadoras, Herói e O Caminho para Casa.

‘A Maldição…’ é considerada um dos filmes mais fracos do diretor. Bem, não dá pra comparar com ‘Herói’, mas eu gostei muito. Os efeitos visuais prendem muito e a história ultradramática, nesse caso, só vem ajudar. Mas se prepare pra muito sangue.

Coraline e o Mundo Secreto (2009)
Coraline
Direção: Henry Selick
Roteiro: Henry Selick
Elenco: Ian McShane (Sr. Bobinski – voz), Jennifer Saunders (Sra. Forcible – voz), Dawn French (Sra. Spink – voz), John Hodgman (Pai de Coraline – voz), Teri Hatcher (Mãe de Coraline – voz), Keith David (Gato – voz), Dakota Fanning (Coraline – voz)

Sinopse: Coraline Jones é uma curiosa e aventureira menina de 11 anos. Ela acaba de se mudar do Michigan para o Oregon e, sentindo falta dos amigos e vendo os pais ocupados demais com o trabalho, realmente duvida que seu novo lar possa lhe oferecer algo intrigante. Mas ela percebe que está enganada ao descobrir uma porta secreta dentro de casa que leva a uma versão alternativa de sua vida. Superficialmente, essa realidade paralela é parecida com a sua – só que muito melhor.

Estréia: 6/2/2009 (Original) 13/2/2009 (Brasil)

Dia 117: O Menino do Pijama Listrado

Vi alguém dizendo aí pela internet afora que essa nova onda de filmes sobre a Segunda Guerra Mundial – era uma crítica sobre o filme título do post – é só uma forma de ‘fetichizar’ o sofrimento judeu. Hum. Me deixou pensando por um momento. Em como a gente ‘gosta’ de ver gente sofrendo.

Mas a questão não é essa. É claro que a história é fantástica e bem coisa de cinema. Ainda assim, nada do pano de fundo é irreal. É tudo verdade. Tudo aconteceu. E a sensação que eu tenho quando vejo coisas assim é de que têm que ser lembradas, mesmo; pra que não se repitam.

O Menino do Pijama Listrado é bem dramático e ligeiramente surreal na história central, mas lindo. Eu, particularmente, gostei de todos os atores, especialmente do Jack Scanlon, que faz o Shmuel, o tal menino de pijama. Ah, e o David Hayman (Pavel)! A cada cena em que ele sofre, eu sofri junto.

Eu ainda prefiro o Eli Roth metralhando Hitler – como diz o Hugo, lava a alma -, mas o filme é muito bom. Dica? Assistam esse, depois ‘A Queda’ e depois os ‘Bastardos…’. Garanto que você sai vingado.

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Como eu tinha dito que daria minha nota sobre Duro Aprendizado, aí vai:

O filme não é nenhuma obra-prima. É muita coisa misturada, de um jeito confuso. Ficou um excesso desnecessário. Daria dois filmes tranquilamente. Ele passa a sua mensagem, e é isso que importa, mas no final você ainda fica com aquela sensação de que poderia ser melhor.