Texto pra ser mal interpretado, amém.

Eu não sou fã dos EUA. Ponto. Aquela história toda anti-imperialista, blablablá. Acho que não preciso repetir o discurso. Tem muita influência boa dos EUA na nossa cultura? Tem! E péssima também. Enfim, não é esse o ponto. Isso é só pra deixar claro que eu não pulo de felicidade quando tropas americanas saem fazendo a vida real de video game.

Eu ia fazer um texto longuíssimo que vim digerindo dentro do ônibus, mas esqueci.

Então eu só queria dizer, pra essa galera que lamentou a morte do Osama porque ‘é sempre triste ver um homem morrer’, que VÁ SE FODER! Esse HOMEM matou uma CARALHADA de gente! Você também chora por Hitler?

Eu NÃO APOIO e NÃO CHORO por fundamentalista islâmico. Fim. Aliás, fundamentalista NENHUM. Essa turminha acredita que você DEVE usar uma burca e que, se não usar, você DEVE ser apedrajada. Que DIABOS vocês estão pensando?!

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Antes que o analfabetismo funcional comece a agir sobre esse post, vamos explicar que eu falei FUNDAMENTALISTAS. Ok? Não estou falando de muçulmanos comuns.

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UPDATE: É disso que eu tô falando. O vídeo é forçado, bem americano, e eu criticaria muitas coisas, mas é a mensagem final que importa. (via @victorleperdu)

I’m very glad that Obama is reaching out to the Muslim world and I know Muslims living in America and Europe want their way of life to be assimilated for. But the Western must make it clear: some things about our culture are not negotiable. And can’t change. And one of them is freedom of speech. Separation of Church and State is another. Not negotiable. Women are allowed to work here and you can’t beat them. Not negotiable. This is how we roll.

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Louis Theroux

Quando eu morava com as inglesas, em 2008, assisti, por influência delas, ao documentário The Most Hated Family in America, sobre a Westboro Baptist Church, uma igreja de lunáticos que pregam que Deus odeia os EUA – o mundo inteiro, na verdade – por ser uma cultura pró-LGBT. Foi o meu primeiro documentário do Louis Theroux. Eu me apaixonei, virei fã na hora, mas só consegui assistir a outras obras dele esse ano. Acordei a fim um dia e baixei tudo pelo santo torrent. E vim assistindo nos últimos meses.

Louis começou a carreira na BBC com o programa Louis Theroux’s Weird Weekends, transmitido entre 1998 e 2000, onde ele ia atrás de subculturas, coisas consideradas ‘bizarras’ pra sociedade em geral. Na primeira temporada, por exemplo, ele fala de cristãos ‘renascidos’, ufologia, indústria pornô e sobrevivencialismo. Essa primeira, aliás, é minha favorita. Tem cinco episódios ao todo; um pra cada tema citado e um especial, onde ele reúne um participante de cada episódio para passarem o Natal juntos.

Entre 2000 e 2002, ele apresentou o When Louis Met…, onde ele acompanhava por algum tempo o dia-a-dia de alguma celebridade britânica de que você provavelmente nunca ouviu falar. Esse programa não me chamou muita atenção, justamente por isso – com uma ou outra exceção – e pelo fato de que, por mais bonito que seja o sotaque britânico, eu não entendo lhufas. O Louis é muito fácil de entender, mas, quando algum sotaque mais hardocore entrava em cena, tudo o que eu podia fazer era chorar. Foi o caso do Jimmy Saville. Mas foi interessante acompanhar os Hamiltons, a picaretagem do Max Clifford e o puritanismo da Ann Widdecombe.

Mas a fase mais interessante dele começa em 2003, quando ele parte para os especiais da BBC 2. Além do ‘The Most Hated Family…’, estão entre os meus favoritos ‘Louis and the Brothel’, sobre um bordel em Nevada; ‘Louis and the Nazis’; e ‘Behind the Bars’, sobre o presídio americano de San Quentin.

O que me fez simpatizar definitivamente com o Louis, depois de tudo, foi perceber o quanto ele se arruinou – consciente ou não disso – com seus primeiros documentários. Ele tem cara de pastel e parece à primeira vista ingênuo, e com isso cativa quem ele entrevista. Como todo jornalista, tenta caçar polêmicas, mas usa desses atributos para conseguir o que quer, o que acabou rendendo a ele uma imagem de perverso. É possível ver o quanto isso afeta a credibilidade dele conforme você avança nos documentários. No que trata do Michael Jackson, por exemplo, Louis não consegue uma entrevista porque várias pessoas que poderiam ter arranjado isso para ele não confiavam no desfecho do documentário.

Louis não vê o menor problema em botar o dedo na ferida, e suas perguntas costumam ser muito diretas. Houve vezes em que eu mesma me incomodei. Pensei ‘oh, Louis… Você não precisava ter feito isso’. Não sei se me agrada ou me incomoda o fato de ele saber exatamente o que está fazendo. Mas eu passei a admirar muito a firmeza que ele tem no que acredita.

Duas cenas me marcaram. A primeira foi no doc do MJ. A cena da segunda vez em que ele entrevista Joe Jackson. Ele pergunta se Joe gostaria que Michael ‘sossegasse’ – no sentido de ter um relacionamento firme com alguém. Joe – ou o outro cara que estava junto, não me lembro – pergunta se ele se referia a ter uma esposa, ao que ele responde que sim, esposa, ou namorada, ou namorado. Joe fica ofendidíssimo – e obviamente arremata com afirmações ultra-homofóbicas -, mas Louis não pede desculpas pela pergunta. Ele explica qual foi sua intenção ao dizer aquilo, mas não se desculpa. É óbvio que ele sabia que estava cutucando, mas ainda assim é bom.

A outra cena acontece no documentário sobre os nazistas. Louis vai até a casa de um skinhead e, no meio das filmagens, pergunta o que ele faria se descobrisse que Louis é judeu. O nazi afirma que o expulsaria de casa e pergunta se ele é. Louis pede licença para não responder, do que o nazi deduz que ele é, então, judeu. Louis explica que não respondeu que sim nem que não, e que não vai responder porque, pra ele, aquilo não tem importância, e que, se ele respondesse, passaria a imagem de que tem. O nazi continua incomodado e, algum tempo mais tarde, retoma o assunto, mas depois de muita insistência Louis ainda não responde e vai embora.

Parece bobo, mas quantas pessoas não teriam respondido à pergunta? Quantos jornalistas, no afã de obter a entrevista, não responderiam? Eu responderia. Não pensaria muito, simplesmente diria, por puro impulso. E eu acho fantástico como ele não se dobra.

Eu me peguei simpatizando muito com alguns personagens, como os caras que o ajudam a participar do ‘demolition derby’, ou o Mike Cain, um sobrevivencialista muito simpático com cara de Papai Noel. Também passei raiva, como com a mãe das Prussian Blue ou com o Eugène Terre’Blanche. Dá pra se envolver demais.

Carimbei minha carteirinha de fã.

Dia 62: LGBT (good) news

Mórmons apóiam lei que dá direitos a homossexuais. Embora a SUD não aprove o casamento gay, considero já um grande passo. Combater a discriminação é notícia boa sempre, ainda mais vindo de grupos religiosos.

Report: Obama, Congress set DADT repeal strategy. Enfim o Obama está dando os primeiros passos rumo ao fim da política do Don’t Ask, Don’t Tell.

Can a Boy Wear a Skirt to School? Ótimo artigo do The New York Times sobre o impasse atual das escolas americanas quanto à política do dresscode.

Most Fashionable Women of 2009. Rachel Maddow é eleita pela ELLE Magazine uma das mulheres mais estilosas de 2009. Suspensórios e orgulho dyke. Go, go, Maddow!

Não exatamente LGBT (vamos fingir):

– Essa é só pra Takarazuka geeks como eu: Sena Jun fez sua última apresentação no Takarazuka Grand Theater. Na tradicional descida pela ‘Grand Staircase’, ela preferiu manter o smoking em vez de usar o uniforme do Takarazuka. “Eu queria descer a ‘Grand Staircase’ vestida assim; foi pra isso que eu trabalhei tanto pra ser uma top star.”