Dia 247: Takarazuka: Parte IV – Polêmicas

Existem muitas, muitas polêmicas em torno do Takarazuka. Todas elas giram em torno de uma característica específica do teatro: o sistema patriarcal.

O Zuka é um teatro onde só mulheres atuam e cujo público fiel é formado em 90% por mulheres, mas os bastidores são diferentes. Até pouco tempo atrás, todos os cargos de importância, incluindo diretoria, produção e criação do teatro eram ocupados exclusivamente por homens. Isso vem mudando, inclusive com a entrada de duas atrizes para a mesa de diretores: Yachiyo Kasugano, da turma de 1928 (17ª classe; é atualmente a atriz mais velha do Takarazuka) e Yuu Todoroki, de 1985 (71ª classe). No entanto, não houve ainda nenhuma mudança significativa.

[Yuu Todoroki, Hanakuyou, Senkagumi, 2004]

As críticas giram em torno de certas regras que foram criadas no início do teatro e perduram até hoje. As atrizes não podem, por exemplo, ter qualquer tipo de relacionamento com homens (na verdade, não podem ter qualquer tipo de relacionamento, ponto; ‘com homens’ fica implícito, porque o Kobayashi não imaginava que suas atrizes praticariam qualquer tipo de ato lésbico e era extremamente homofóbico) enquanto estão no teatro, e devem evitar qualquer contato público com homens que não sejam parentes.

Isso era explicado inicialmente pelo lema da TOG: ‘kiyoku, tadashiku, utsushiku’ – não sei traduzir bem, mas é algo em torno de ‘pureza, decência, beleza’. Antigamente, a escola era divulgada como um lugar em que as garotas seriam devidamente educadas para se casar. Lá elas passariam um tempo estudando artes e costumes japoneses (cerimônia do chá, ikebana), e as performances as ajudariam, teoricamente, a compreender melhor os homens. Aqui vem a parte engraçada: as otokoyaku eram vistas como as melhores esposas em potencial, porque, tendo vivido papéis masculinos, entenderiam melhor seus maridos.

Hoje em dia isso não é mais justificativa, embora muitos pais ainda levem suas filhas para lá com esse objetivo. O argumento usado agora é o do marketing: a musumeyaku teria sua imagem de ‘pureza’ destruída se fosse vista na companhia de homens, e a otokoyaku, em contrapartida, acabaria com o sonho das fãs, que as veem como homens.

As musumeyaku têm uma causa própria a defender, e muito justa. Na verdade, eu as chamo de musumeyaku por hábito e por ser o termo oficial e mais usado, mas muitas musumeyaku não o adotam e o acham ofensivo. Ao contrário do kanji ‘otoko’, de otokoyaku, que significa homem, ‘musume’ não significa mulher, e sim ‘moça, filha’. Isso leva a uma imagem de não seriedade. Elas alegam que são sempre tratadas como crianças, sendo guiadas pelas otokoyaku. Isso fica bem óbvio na distribuição de papéis: as personagens interpretadas por elas são sempre meigas e delicadas. Quando existe uma personagem mais forte ou sensual, é muito comum ser interpretada por uma otokoyaku.

[Ayano Kanami, Jazzy Fairies, Tsukigumi, 2005]

Mas o tratamento infantil não é exclusividade delas. Na verdade, todas as atrizes são tratadas assim. Kobayashi tinha atitudes paternalistas, se dizia o pai de todas elas. Quando uma atriz deixa o teatro, diz-se que ela está graduando. Ou seja, é como se todos os anos que ela passou lá dentro, tenha ela 25 ou 50 anos, fosse um tempo em que ela esteve exclusivamente passando por um período de aprendizado. Jennifer Robertson alega que isso é não só uma forma de controlar as atrizes, mas também de fazer com que seus salários sejam mantidos sob um teto: se elas não são profissionais, não têm por que exigir salários altos.

Outra polêmica, é claro, é a heteronormatividade presente nas peças. Isso não deve mudar muito cedo. É algo que agrada às fãs e ao teatro igualmente, e não é de todo ruim, como eu vou argumentar em seguida.

Dia 195: Ad aeternum

Alguém me pediu pra comentar a entrevista da Susan Pinker na Folha, mas, quer saber? Não vou. Por quê? Porque eu já comentei esse discurso aqui. Não tem diferença. São os mesmos argumentos, só com outras palavras.

Só me assusta quando ela fala de exceções. Porque exceção era a mulher que não queria ter filhos há cinquenta anos. Ou o gay assumido há vinte. Eu, que não me encaixo no padrão de mulher dela, em pleno 2010 não quero ser exceção, quero ser possibilidade.

Susan Pinker é só a nova Camille Paglia.

Dia 178: Parte I: Das mulheres

Dia da Mulher, pra mim, é um perfeito desastre. O foco fica nos presentes, nas rosas, nos eletrodomésticos, nos cosméticos; todo mundo ignora o machismo nosso de cada dia e finge advogar a igualdade de gêneros; ninguém discute nada e, quando discute, a culpa cai sempre nos ombros das mulheres.

A entrevista da Mary Del Priore, por exemplo. Ela diz coisas interessantes, coisas que de fato precisam ser questionadas, como essa necessidade absurda que as mulheres brasileiras têm de ser perfeitas, apelando pro espelho. Ela diz bem: “o espelho é a nova submissão feminina”.

Até aí, eu concordo. Mas, conforme a entrevista evolui, muitas coisas vão saindo do foco e as mulheres acabam sendo as principais – se não únicas – culpadas de sabe-se lá quantos mil anos de opressão. Um exemplo:

A tirania da perfeição física empurrou a mulher não para a busca de uma identidade, mas de uma identificação. Ela precisa se identificar com o que vê na mídia. A revolução sexual eclipsou-se diante dos riscos da Aids. A profissionalização, se trouxe independência, também acarretou stress, fadiga e exaustão. A desestruturação familiar onerou os dependentes mais indefesos, os filhos. [Grifo meu.]

Isso é fato. Prejudicou mesmo os filhos. Mas a afirmação é perigosa. Pode ter sido a edição da revista, mas, do jeito que foi colocada, dá a impressão de que a culpa é da mulher, que saiu de casa para procurar emprego. ‘A profissionalização trouxe independência, mas prejudicou os filhos’. É preciso ter cuidado ao falar da profissionalização feminina, pois um deslize bota a culpa toda nela. Cadê o pai presente, assumindo os 50% de espaço que a mãe desocupou?

Outra coisa que me desagradou:

Istoé – Há saída para a condição da mulher de hoje?
Mary Del Priore – Em países onde tais questões foram discutidas, a resposta veio como proposta para o século XXI: uma nova ética para a mulher, baseada em valores absolutamente femininos. De Mary Wollstonecraft, no século XVIII, a Simone de Beau­voir, nos anos 50, o objetivo do feminismo foi provar que as mulheres são como homens e devem se beneficiar de direitos iguais. Todavia, no final deste milênio, inúmeras vozes se levantaram para denunciar o conteúdo abstrato e falso dessas ideias, que nunca levaram em conta as diferenças concretas entre os sexos. Para lutar contra a subordinação feminina, essa nova ética considera que não se devem adotar os valores masculinos para se parecer com os homens. Mas que, ao contrário, deve-se repensar e valorizar os interesses e as virtudes feminina s. Equilibrar o público e o privado, a liberdade individual, controlar o hedonismo e os desejos, contornar o vazio da pós-modernidade, evitar o cinismo e a ironia diante da vida política. Enfim, as mulheres têm uma agenda complexa. Mas, se não for cumprida, seguiremos apenas modernas. Sem, de fato, entrar na modernidade. [Grifo meu.]

Essa é uma ladainha antiga e mais usada por não-feministas. Essa ideia de que ‘mulheres querem ser como os homens’. Não, mulheres não querem ser como homens. Só não querem precisar ser flores-perfumadas-que-jogam-futebol-de -salto-alto-e-não-suam o tempo todo. Eu não quero precisar ser sensível e chorar por qualquer coisa, não quero ter que gostar de flores e cachorrinhos e bebês só porque alguém acha que é assim que tem que ser.

Valorizar características ditas femininas? Claro! Concordo totalmente. Valorizar tarefas domésticas, sentimentos, etc. Apoio tudo. Só queria que não fossem femininas. Não acho que vamos conseguir alguma coisa separando tudo em caixinhas cor-de-rosa ou azuis. Amor é mulher, sexo é homem. Tão clichê. Por que a gente não vê as pessoas antes do sexo?

Outra tecla em que a autora bate incessantemente é a de que o corpo da mulher sofre com tanta modernidade e que a causa dessa vaidade desenfreada é justamente toda essa rotina louca que se enfrenta hoje em dia. Sofre, sofre sim. Ter que cuidar da casa, dos filhos e trabalhar não deve ser tarefa fácil. Mas de novo, cadê homem aí? Por que é que a culpa é dela? E ela é vaidosa pra compensa tudo isso? Não seria, então, se fosse só dona-de-casa? Então não existia um ideal antigamente?

Vejo que a vaidade hoje em dia só tem proporções maiores do que há cinquenta anos porque o consumo foi obviamente facilitado. Mais empresas, mais produtos, mais acesso, mais publicidade, mais estrelas de cinema para se espelhar, mais cobrança. Você só não é linda, maravilhosa, gostosa, bem-vestida e com aquele cabelo sexy de propaganda de shampoo porque não quer. Logo, se você não faz, você é desleixada. É isso que se prega.

Existe responsabilidade feminina, sim. Não somos bonecas. Pensamos, portanto, devemos assumir as consequências do que fazemos. A questão é que parte da responsabilidade nos cabe e como vamos fazer para reverter os danos. Choramingar não adianta. Dizer que as mulheres são culpadas por tudo e que não fazem nada é ignorar mais de 100 anos de movimento feminista. Coisa que, como ‘especialista em questões femininas’, Del Priore não deveria fazer.

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Textos pro dia de hoje (posto outros conforme forem surgindo):

Troca-se rosa por salário decente, da Lola;

Dispenso esta rosa, da Marjorie, que foi usado em blogagem coletiva no ano passado e virou texto obrigatório para o dia;

Ações no DF, da Bia, com ações no Distrito Federal que começaram hoje.

Recife, Estocolmo, Washington e Seul: O Dia das Mulheres nas “Minhas” Cidades, da Denise.

Dia 161: Links

Pontifícia Academia para a Vida pede a renúncia do Arcebispo Fisichella. Sim, é aquele que defendeu o aborto na menina brasileira de 9 anos que foi abusada pelo padrasto, engravidou e, ao abortar, foi excomungada. Aqui, a mesma notícia, em inglês e em site católico; aqui, a carta aberta divulgada pela academia, em inglês; e, aqui, a carta do arcebispo, que gerou a polêmica, em português.

Ainda sobre a Igreja Católica: a arquidiocese de Washington, que havia ameaçado suspender seus programas assistenciais caso uma lei pró-casamento gay não fosse alterada – e não foi -, cumpriu o prometido. Cortou todos os programas. Ambos os links em inglês.

BBB: Mais dois ótimos textos sobre o comportamento contraditório e agressivo de Dourado.

Feminismo: A Marcha Mundial das Mulheres vai acontecer hoje (20), às 14:00.

Brincadeira: Uma dica engraçada da Gogu, do Reino D’Almofada, para encurtar links deixando-os ‘suspeitos’.

Dia 63: Eu, feminista

Mexendo em coisas antigas, eu acabei encontrando um texto que escrevi e já nem me lembrava mais. A verdade é que não gosto de reler nada do que eu escrevo. Sempre tenho medo de sentir vergonha. Mas li. E acho que ainda me representa bem, apesar de tê-lo editado e suprimido algumas coisas que achava desnecessárias. Então resolvi postar. Devo avisar que é longo. Às vezes eu me empolgo.

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“Eu sou feminista!”

Isso sou eu, do alto da minha sabedoria dos nove ou dez anos de idade. Obviamente, na época eu não devia pensar mais do que “é alguma coisa em que a gente pode chutar os traseiros dos homens, então é legal”, mas eu já sabia que estava ali defendendo algo que era meu.

Ser feminista foi uma coisa que eu nem nunca contestei. Eu simplesmente sempre fui. Não sei quando começou, não sei por quê. Algumas mulheres dizem que têm ‘cliques’, percebem o quanto elas e outras à sua volta são constantemente oprimidas e buscam algo que as tire desse inferno. Eu não. Não sei o que foi. Nas minhas lembranças mais antigas de criança eu não devia ter mais do que três anos, e já lá eu era ‘diferente’. Gostava de bonecas e vestidos e maquiagens como me foi ensinado a gostar e a todas as outras meninas desse mundo. Mas tinha mais. Eu gostava de coisas que eram consideradas ‘de menino’.

Quantas vezes eu não fui reprimida por gostar dessas coisas? Talvez tenha sido isso! De tanto ouvir os outros me barrarem em diversas situações por ser menina, eu provavelmente passei a procurar instintivamente uma maneira de me permitir.

Provavelmente, em algum momento entre esses anos de luta solitária, eu tenha achado graça e ficado maravilhada ao descobrir que não estava sozinha entre as garotas ‘bem-comportadas’ à minha volta. ‘Feminismo’. Não sei quando foi que eu ouvi isso. Eu só sei que eu disse essa frase aí do título, e que aquilo me dava um orgulho tremendo e me dava a maior motivação pra seguir em frente. E é por isso que eu nunca questionei. Sempre foi algo meu. E sempre de todas as mulheres. Eu passei a vida tentando mostrar para algumas garotas o quão mais elas poderiam ser além daquele esforço todo pra aparecer.

Até então, eu também nunca tinha sido questionada. ‘Xingada’ (feminista é xingamento, viu?), constantemente assediada, sofrendo tentativas de humilhação, olhada de maneira torta por meninas que sentiam dor demais pra acreditar que existia uma saída real. Isso, sim. Mas a minha posição de feminista, não. E, quando aconteceu, saiu de onde eu menos esperava.

Como a internet é um dos meios mais fantásticos que existem pra encontrar pessoas que compartilham o seu ponto de vista, eu sempre fui ativa em fóruns. Com a chegada do Orkut, então, alegria total. Foi aí que eu descobri a infinidade de feminismos que existem. Foi aí também, que pela primeira vez apontaram o dedo para mim e questionaram a ‘veracidade’ do ‘meu’ feminismo. Como partia de pessoas que eu respeitava e tinha como referência, eu caí.

Eu como carne. Não acho que todo homem heterossexual é um torturador. Não acredito em sexualidade meramente política (a palavra aí nem é ‘acreditar’; é mais uma questão de não achar que isso deva ser uma obrigação de todo e qualquer ser humano). Eu também não sou exatamente de esquerda, então, obviamente, eu sou um monstro do patriarcado.

Pela primeira vez na minha vida, aos vinte e dois anos de idade, eu me questionei se era realmente feminista. Eu lutava por mulheres, fazia o que podia pra contribuir, mas eu não era vegan, tinha atração (também) por homens, era uma ‘direitista’ (porque quem não é declaradamente de esquerda é automaticamente de direita) cretina, então, claro, como eu poderia ser feminista nessas condições?!

Demorou um pouco até eu perceber a contradição das contradições que jogavam pra cima de mim: eu era mulher, eu lutava por mulheres, pra que todas tivessem voz, mas eu não poderia ter a minha porque, bem, eu estava longe do ideal. Mais do que isso, estavam tentando me obrigar a seguir um modelo, tal qual a sociedade vigente sempre tentou fazer.

Eu nunca me senti tão feliz quanto quando finalmente percebi isso. Foram-se as amarras que me faltavam. Eu não seguia o padrão feminino. Eu seguia o que eu sentia ser. Mas ao mesmo tempo eu tentava e almejava ser o que eu via e acreditava ser a representação ideal de uma revolucionária, ainda que sem perceber. E eu me senti bem entendendo que eu podia ser eu. Que eu tenho falhas, assim como as outras, e que meu jeito de lidar com elas não era exatamente errado, apenas diferente. É uma coisa tão óbvia, tão clichê, e mesmo assim tinha passado batido por tanto tempo.

Isso me fez mais tolerante com relação às garotas que estão chegando agora, ou mesmo aquelas que não acreditam no mesmo que eu. E agora eu vejo várias meninas passando pelo mesmo. Entram e se sentem deslocadas. Têm medo da sua própria opinião. Querem fazer algo, mas não sabem por onde começar. Fogem das garras de uma sociedade machista pra cair nas recriminações de um feminismo que já sofreu tanto que já não sabe como conciliar todas as definições que surgiram, nem educar a variedade de meninas que chegam sem obrigá-las a seguir mais um padrão.

Ainda que me digam que a individualidade seja uma forma de manipulação do ‘sistema’, eu continuo acreditando que não tem nada mais igualitário do que respeitar a diversidade e a diferença alheia. E ainda que me digam que eu não sou feminista – o que, afinal, acabou se provando ser uma opinião compartilhada por uma minoria entre as que eu conhecia -, eu nunca vou deixar de ser. Podem me tirar o título, podem me chamar do que quiserem. Não é o nome que me faz. É o que eu faço e o que eu escolho. E eu escolho viver por mulheres. Não é disso que o feminismo deveria se tratar, afinal?

(11 de março de 2009)

Dia 23: As meninas, os espelhos e os países em que você não quer morar

Uma das minhas funções no estágio é catalogar as teses e dissertações defendidas na Pediatria. Quer dizer, não é bem minha função, mas como tá relacionado com os meus estudos e eu gosto de fazer, faço.

Aí quinta-feira eu cataloguei uma da Maria Tereza Cordeiro Beling, A auto-imagem corporal e o comportamento alimentar de adolescentes do sexo feminino em Belo Horizonte, MG. Achei o título já interessante, e meu interesse foi aumentando conforme eu lia o resumo.

O estudo foi feito com 705 meninas de 14 a 18 anos, estudantes do primeiro ano do ensino médio. O resultado é o que todo mundo já tá cansado de saber. Apesar de 81,7% das meninas apresentarem peso normal (12,4% estavam acima do peso, e 5,9%, abaixo), 82,5% demonstraram desejo de mudança de peso. Não só isso, como apenas 30,2% mostraram ter uma percepção adequada do próprio corpo.

O chocante veio em seguida.

“As prevalências de experimentação de drogas foram de 85,8% para álcool, 25,4% para tabaco, 6,1% para maconha, 6,5% para drogas inaláveis e 1,1% para cocaína. Foi verificada associação significativa entre prática de exercícios e EAT+ e BSQ+ e entre BITE+* e frequência de fumo de 10 a 30 vezes no último mês.”

*EAT+, BSQ+ e BITE+ correspondem, respectivamente, a tendências de anorexia, percepção de imagem corporal e tendências de bulimia.

Tá, ninguém é ingênuo e acha que adolescente não bebe e fuma. Não é o dado em si que é chocante ou novo. É a relação drogas x idade. A média de idade é de 15,4 anos. Ou seja, grosso modo, são 605 meninas de quinze anos, entre 705, que já bebem álcool.

Acho muito simbólica. Essa socialização que é ao mesmo tempo auto-destruição.

E aí eu entro na segunda parte, que é o Global Gender Gap Report. Pra quem não sabe, o GGGR é um estudo feito, atualmente, com 130 países, que procura classificá-los em um ranking conforme seu percentual de igualdade entre gêneros. O de 2009 será lançado dia 27 de outubro.

Hoje eu estava olhando a lista de 2008, porque até hoje não tinha parado pra fazer isso. Chega a ser engraçado.

Como eu comentei com o Daniel, você olha as dez primeiras posições e nem se choca. Noruega, Finlândia, Suécia, Islândia, Nova Zelândia, Filipinas, Dinamarca, Irlanda, Holanda e Letônia. Nessa ordem. Aí você começa a rolar a barrinha e ter vergonha do Brasil.

A gente muitas vezes tem idéias pré-concebidas sobre outros países que não correspondem com a realidade. Ou  por acaso você imaginou que o Sri Lanka (12º), Lesoto (16º), Moçambique (18º), Trinidad e Tobago (19º) e a Moldávia (20º) estariam na frente do Brasil? E não fique achando que acabou, não, porque ainda tem muito balde de água fria antes do 74º lugar brasileiro.

E nego ainda quer me convencer de que feminismo morreu e foi enterrado, porque obviamente ninguém precisa mais dele.

Pra constar, os países em que você nunca vai querer morar, em ordem de pior para quase menos pior: Iêmen, Chad, Arábia Saudita, Paquistão, Bênin, Marrocos, Egito, Turquia, Etiópia e Bahrain.

Portugal ficou em 39º lugar, e a Itália, em 67º. Não é só o Berlusconi que é a vergonha de lá.

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In other news, eu acidentalmente pesquisei no Google Imagens, alguns dias atrás, a palavra dieux (fr., ‘deuses). O resultado foi surpreendente. Pesquisem – ok, homens héteros, não pesquisem, porque depois vão ficar de-malzinho comigo, mimimi. O download tá aqui.