Dia 119: Aoi Hana

Aoi Hana é, definitivamente, um dos meus mangás top five. Traços impecáveis, tema delicado abordado de maneira sensível e ar mais cotidiano. É um mangá sobre uma garota lésbica que reencontra uma amiga de infância. As duas relembram suas histórias e recomeçam sua amizade. Não, elas não são apaixonadas uma pela outra; fica implícito (por default) que a Akira, a tal amiga de infância, é hétero.

O anime não fica nada atrás. Eu quase sempre prefiro o mangá, mas aqui é fifty-fifty. Os dois são bons. Eu assisti ao último episódio hoje. Com certeza vou pegar o mangá pra reler.

Não é muito conhecido no Brasil. Quem conhece geralmente é fanático por anime e/ou do meio LGBT. Nos Estados Unidos, foi lançado com o nome ‘Sweet Blue Flowers’ (‘aoi hana’ – 青い花 – significa ‘flor/es azul/is).

Embora o anime já tenha terminado, com 11 episódios, o mangá ainda está em andamento. Ambos totalmente recomendáveis.

Dia 118: Coraline e A Maldição da Flor Dourada

Finalmente assisti Coraline! Depois de tanta enrolação…

Eis a sinopse:

Coraline Jones é uma curiosa e aventureira menina de 11 anos. Ela acaba de se mudar do Michigan para o Oregon e, sentindo falta dos amigos e vendo os pais ocupados demais com o trabalho, realmente duvida que seu novo lar possa lhe oferecer algo intrigante. Mas ela percebe que está enganada ao descobrir uma porta secreta dentro de casa que leva a uma versão alternativa de sua vida. Superficialmente, essa realidade paralela é parecida com a sua – só que muito melhor. [Cinema em Cena]

O que posso dizer? ‘Coraline’ foi baseado em um livro do Neil Gaiman, então só poderia ser genial. E a animação é de primeira.

Eu só não acho muito aconselhável para crianças pequenas. É um pouco tenso demais.

Depois, por acidente, vi um filme que eu já queria ver há muito: A Maldição da Flor Dourada, de Zhang Yimou, um dos meus favoritos.

China, última dinastia Tang, século X. Flores douradas enchem o palácio imperial na noite do festival Chong Tang. O imperador Ping (Chow Yun-Fat) retorna inesperadamente com seu 2º filho, o príncipe Jai (Jay Chou), com o pretexto de celebrar o feriado com a família. Porém o frio relacionamento existente entre ele e a imperatriz Phoenix (Gong Li) desmente a justificativa. Durante muitos anos a imperatriz e o príncipe Wan (Liu Ye), seu enteado, mantiveram uma ligação ilícita. Wan sente-se aprisionado e sonha em fugir do palácio com Chan (Li Man), a filha do médico imperial e seu amor secreto. Enquanto isso Jai cresce preocupado com a saúde de sua mãe e, principalmente, com sua obsessão por crisântemos amarelos. Quando o imperador sente-se ameaçado, ele transfere o médico imperial (Ni Dahong) e sua família para uma área remota do reino. Porém durante a viagem eles são atacados por assassinos, o que faz com que Chan e sua mãe (Chen Jin) retornem ao palácio. [Adoro Cinema]

Quem conhece Zhang Yimou já sabe que ele é o mestre da estética no cinema. Pra quem acha que não conhece, são dele os filmes O Clã das Adagas Voadoras, Herói e O Caminho para Casa.

‘A Maldição…’ é considerada um dos filmes mais fracos do diretor. Bem, não dá pra comparar com ‘Herói’, mas eu gostei muito. Os efeitos visuais prendem muito e a história ultradramática, nesse caso, só vem ajudar. Mas se prepare pra muito sangue.

Coraline e o Mundo Secreto (2009)
Coraline
Direção: Henry Selick
Roteiro: Henry Selick
Elenco: Ian McShane (Sr. Bobinski – voz), Jennifer Saunders (Sra. Forcible – voz), Dawn French (Sra. Spink – voz), John Hodgman (Pai de Coraline – voz), Teri Hatcher (Mãe de Coraline – voz), Keith David (Gato – voz), Dakota Fanning (Coraline – voz)

Sinopse: Coraline Jones é uma curiosa e aventureira menina de 11 anos. Ela acaba de se mudar do Michigan para o Oregon e, sentindo falta dos amigos e vendo os pais ocupados demais com o trabalho, realmente duvida que seu novo lar possa lhe oferecer algo intrigante. Mas ela percebe que está enganada ao descobrir uma porta secreta dentro de casa que leva a uma versão alternativa de sua vida. Superficialmente, essa realidade paralela é parecida com a sua – só que muito melhor.

Estréia: 6/2/2009 (Original) 13/2/2009 (Brasil)

Dia 117: O Menino do Pijama Listrado

Vi alguém dizendo aí pela internet afora que essa nova onda de filmes sobre a Segunda Guerra Mundial – era uma crítica sobre o filme título do post – é só uma forma de ‘fetichizar’ o sofrimento judeu. Hum. Me deixou pensando por um momento. Em como a gente ‘gosta’ de ver gente sofrendo.

Mas a questão não é essa. É claro que a história é fantástica e bem coisa de cinema. Ainda assim, nada do pano de fundo é irreal. É tudo verdade. Tudo aconteceu. E a sensação que eu tenho quando vejo coisas assim é de que têm que ser lembradas, mesmo; pra que não se repitam.

O Menino do Pijama Listrado é bem dramático e ligeiramente surreal na história central, mas lindo. Eu, particularmente, gostei de todos os atores, especialmente do Jack Scanlon, que faz o Shmuel, o tal menino de pijama. Ah, e o David Hayman (Pavel)! A cada cena em que ele sofre, eu sofri junto.

Eu ainda prefiro o Eli Roth metralhando Hitler – como diz o Hugo, lava a alma -, mas o filme é muito bom. Dica? Assistam esse, depois ‘A Queda’ e depois os ‘Bastardos…’. Garanto que você sai vingado.

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Como eu tinha dito que daria minha nota sobre Duro Aprendizado, aí vai:

O filme não é nenhuma obra-prima. É muita coisa misturada, de um jeito confuso. Ficou um excesso desnecessário. Daria dois filmes tranquilamente. Ele passa a sua mensagem, e é isso que importa, mas no final você ainda fica com aquela sensação de que poderia ser melhor.

Dia 115: Cinema light (ou não)

Dia divertido. Minha mãe tá tirando umas pseudoférias. Ela trabalha, mas pelo menos de um jeito mais flexível. Hoje acabamos uma encomenda grande, e logo em seguida nos jogamos no sofá. Vimos filmes e jogamos buraco.

Vi três filmes hoje.

O primeiro foi Lilo & Stitch, que passou na Sessão da Tarde (viva a variação!). Eu não sou muito fã da Disney, mas devo reconhecer que esse filme é muito bonitinho (clique no link do filme para mais detalhes e reviews). E eu nem me importei com a dublagem, porque a voz brasileira da Lilo a deixava mais engraçadinha.

Depois eu assisti Rebobine, Por Favor. É uma comédia besta, mas não tem como não rir do Jack Black. O filme é sobre um rapaz que fica responsável pela locadora de fitas do tio enquanto ele está fora. Um amigo é atingido por um raio e fica magnetizado, e assim acaba apagando, por acidente, todas as fitas da loja. Os dois começam a gravar seus próprios remakes, e aí vocês já podem imaginar a bobagem. As cenas improvisadas que eles fazem são de chorar.

O terceiro filme eu estou assitindo ainda, na verdade. Depois de dois filmes ‘light’, esse é mais pesadinho. Se chama Duro Aprendizado e de início eu pensei que fosse uma espécie de predecessor de A Outra História Americana, mas na verdade tem diversos temas sendo tratados ao mesmo tempo, incluindo o abuso sexual e a homossexualidade.

Vou terminar de assistir e amanhã dou a minha nota.

Dia 114: Folia de Reis

Ontem a falta de postagem não foi por esquecimento; foi por preguiça, mesmo. Perdão.

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Meu irmão está namorando uma guria que é de família muito católica. A minha também família também é bem católica – como é comum por aqui -, mas, por alguma razão que eu desconheço, não observa vários costumes religiosos populares. Talvez por influência dos bisavós portugueses, que provavelmente tinham costumes diferentes e obviamente não estavam muito familiarizados com os brasileiros – o que é uma hipótese um tanto confusa, já que a tradição que eu vou citar – assim como quase toda tradição católica – foi trazida de Portugal, especialmente por agricultores do norte, terra da minha bisa.

Enfim, voltando, meu irmão namora uma guria muito católica. E hoje fomos convidados a participar de uma Folia de Reis na casa dela.

Muita gente talvez não saiba o que é a Folia, porque é um costume bem interiorano e típico do sudeste, Paraná e Goiás. A Folia é uma comemoração que começa em dezembro e segue por todo o mês de janeiro – as datas variam de região para região. Nessa época, as companhias, como chamam os grupos que fazem as apresentações, vão passando nas casas que os convidaram fazendo apresentações de canto e dança. O objetivo é celebrar os Reis Magos, e muita gente paga promessa aceitando as companhias ou fazem pedidos quando elas passam.

Os foliões carregam uma bandeira – que é costume beijar. A companhia é composta – acho tem tem bastantes diferenças de região para região, então vou falar pelas daqui -, geralmente, de três ‘palhaços’ e um grupo de pessoas tocando instrumentos e cantando canções típicas.

Essa foi a segunda vez que fui a uma Folia na vida. A primeira aconteceu quando eu era ainda muito pequena, então não lembrava de muitos detalhes.

A companhia que passou por lá já estava um pouco desfalcada. Eles fizeram visitas hoje na cidade toda, desde as sete horas da manhã, então já havia quatro membros fora. Eles carregaram cinco violas, dois tambores, um pandeiro e mais um instrumento que eu não sei o nome. Estavam presentes dois palhaços.

Cantaram um tanto, com as famílias presentes revezando para segurar a bandeira. De maneira geral, eu não fico muito à vontade em festas religiosas, especialmente em casas que não são da família, então, quando chegou nossa vez de ir lá, eu fiquei meio sem rumo. Fui para agradar os anfitriões, mas até minha mãe ficou preocupada em me ver ‘obrigada’ a ir.

Depois do primeiro round, houve um banquete – banquete MESMO; tinha comida pra três vezes mais gente ali – oferecido para os foliões e mais um round de despedida.

No final, todo mundo fez doações. Ah, e aquela história de minha família não observar esses costumes? Acho que já era… Minha mãe está começando a ter ideias.

Dia 109: Joana D’Arc – Uma Biografia

Eu cresci adorando Joana D’Arc. Ela foi não só uma personagem importante para a unificação da França e fim da Guerra dos Cem Anos; mais do que isso, foi uma mulher forte que deve ser usada como inspiração.

No entanto, a minha visão sobre ela é, aparentemente, muito diferente do que pensam certos autores. Um deles é Donald Spoto. Nesse livro, Joana D’Arc – Uma Biografia (Joan: The Mysterious Life of the Heretic Who Became a Saint), Spoto tenta provar a santidade de Joana.

Isso em si já é uma decepção pra mim. Pessoalmente – e isso é uma visão pessoal mesmo; não sou historiadora nem tenho nenhum cacife pra provar nada -, eu vejo Joana como uma mulher que sentia que devia ir para a guerra e foi. Simples assim. Deu lá o seu jeito. Sabe como é? Se eu fosse uma mulher no século XV querendo participar da guerra, também veria Deus. Não duvido das experiências religiosas das pessoas, mas não consigo imaginar nesse caso. Tampouco concordar com quem tenta justificar as visões dizendo que eram causadas por doenças físicas ou psicológicas. Pode ser só uma bobagem, mas eu sempre imaginei que foi a forma que ela encontrou pra chegar ao rei.

Mas não é só isso que me desagrada no livro. O tom é ligeiramente sensacionalista.

Aí eu fui pesquisar e descobri as causas dos dois ‘problemas’ que me incomodaram. Donald Spoto, embora eu não conhecesse a figura, é um biógrafo famoso. De celebridades (voilà, sensacionalismo).  E ex-monge (oi, religiosidade).

Enfim, como leitura leve, indico. É fácil de ler e rápido. Mas se você quer alguma coisa menos ‘ela-foi-santa-e-nunca-fez-nada-errado’, procure outra coisa. A historiografia séria agradece.

“Jean Massieu deu o relato mais preciso do que acontecera durante o fim de semana, e seu testemunho juramentado foi baseado no que Joana lhe dissera no dia antes de sua morte. Na manhã de domingo, ela pediu aos guardas que lhe tirassem as correntes para que pudesse usar a latrina. “Eles tiraram seu vestido quando abriram os cadeados, e não o devolveram. Em vez disso, deram-lhe as roupas masculinas que ela usava antes. Ela os lembrou que estava proibida de usar aquilo, mas eles sumiram com o vestido feminino – e assim, compelida pela necessidade, Joana vestiu novamente o traje masculino. Depois de ter sido vista o dia inteiro daquela forma, os trajes tornaram-se o motivo pelo qual ela foi julgada reincidente e condenada.” A charada inteira, de acordo com Massieu, foi “completamente injusta”. (p. 250)

SPOTO, Donald. Joana D’Arc: uma biografia. São Paulo: Planeta, 2009. 299 p.