Dia 47: Memória de peixe

Eu me esqueci do post de ontem. Assim, simplesmente. Fiquei assistindo bobagens até tarde e fui dormir. Pronto.

Perdoem minha velhice.

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Update:

Então, ok. Um pouco sobre o fim de semana e meu momento Dóri:

A razão por eu ter esquecido de postar ontem é bem específica. Eu passei o fim de semana mofando e assistindo a primeira temporada do America’s Next Top Model. Mea culpa, eu sei. Mas eu vi um episódio por acaso na TV a cabo – não sabia que ainda passava – e lembrei de quando a Anika e a Rachel passavam madrugadas acordadas assistindo, e aí deu vontade de ver. E descobri que a diferença dele pro BrNTM são gritantes!

Primeiro, pelo quesito pretensão. O BrNTM parece mais do que pode. Sim, porque, não é por nada, não, mas o que é a ‘Revista Gloss’? E contrato com a C&A?! Ah, não, gente. Vamos combinar que as premiações podem ser melhorzinhas, né? Na versão americana, a revista é a Marie Claire e o contrato é com a Revlon. [Fica aqui claro que eu não apóio nenhuma das citadas, mas é indiscutível o contraste das premiações.]

Tá, né? Mas aí a gente ignora. Até porque Marie Claire e Revlon podiam bem evaporar. Só que aí entram outras coisas. Na versão brasileira, tem todo um clima formal, cheio de coisas, uma aura de superioridade dos jurados. A coisa deles deixarem bem claro, em palavras ditas, o tempo todo, de que estão ali pra ensinar, e as modelos pra aprender. Ponto. E a diferença da Fernanda Mota pra Tyra Banks… por favor, né? A Fernanda Mota não desce daquele salto e não tira aquela maquiagem de femme fatale um minuto. A Tyra Banks tá sempre fazendo macaquices com as meninas e existe um clima muito mais íntimo. Publicidade que seja, é muito melhor.

Outra coisa: é muito óbvio – até pelo desenrolar do programa – que isso é influência da Tyra Banks, mas das dez competidoras finais, cinco eram não-brancas (1º ciclo). Oi? Na versão nacional, o mesmo era aplicável apenas em três das treze finalistas (no atual ciclo, o 3º). Agora calculem comigo:

– De acordo com o United States Census Bureau, 79,8% da população americana é branca.

– Já no Brasil, segundo o IBGE, os brancos são 49,4%. Quer dizer, os que se dizem brancos. Porque muita gente não sabe ou não assume que é multirracial. Então vamos imaginar que é daí pra menos.

Concluindo: Sou só eu que vejo alguma coisa errada? Num lugar onde ‘apenas’ 20% da população é composta de não-brancos, metade das participantes é branca; no outro lugar, onde reconhecidamente menos da metade da população é branca, as modelos não brancas têm uma participação de aproximadamente 23%?! Isso não tá meio invertido?

Acho que reflete muito o pensamento na moda brasileira – tá, isso não é fenômeno exclusivo daqui, mas aqui é mais chocante porque, bem, é o Brasil, né? Não dá pra ignorar que é um país mulato. Não vamos fazer como a Glória Coelho:

“Na Fashion Week já tem muito negro costurando, fazendo modelagem, muitos com mãos de ouro, fazendo coisas lindas, tem negros assistentes, vendedoras, por que têm de estar na passarela?”

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Por outro lado, sempre existe um outro lado. Acho que no quesito estética Brazilians do it better. Não preciso dizer que americanos têm um gosto terrível para decoração, né? Pois é, mas digo: americanos têm um gosto TERRÍVEL para decoração. E mesmo a moda é bastante… er. Muitas coisas que apareceram como ‘high fashion’ ali são de gosto duvidável. E os cabelos… cara… não. A única coisa que eu gostei foi a maquiagem. Sempre interessante.

No fim, acho que nunca vou deixar de associar modelos americanas com concursos de beleza. Até mesmo aquela Janice Dickinson, ex-top, que fez questão de esculhambar todos os aspectos de pageantry das candidatas, não me convence com aquele botox e silicone. É de um mau gosto tremendo.

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Tá, chega de maldade.

Eu não entendo de moda, não entendo de modelos, não entendo de nada disso. São só opiniões leigas. É bom deixar claro antes que alguém se sinta ofendido.

Mantenho, claro, a postura sobre não-brancos. Sinto muito, mas é absurdo.

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Dia 29: Múltiplos fails

Eu estou na minha Semana Murphy. É oficial. Entre resfriado 666-from-hell, trânsito maldito e porta emperrada, já tive de tudo. E ontem foi especial.

A manhã foi tranquila. Graças ao Hugo, vou me formar com a Vera. E descobri que tirei 20 numa prova do 2º período em que todo mundo tirou 11. Eu nem sabia.

Aí, legal. Vim pra cá e descobri o Twitter congelado. Foi fantástico. Tinha gente desesperada. Vi um cara dizendo que, se o Twitter não voltasse a funcionar naquele momento, ele iria desligar o computador. Também tinha gente que depois de duas horas de freeze ainda não tinha percebido o que estava acontecendo. Uma guria falava que odeia o Twitter, porque ninguém fala nada. E completou dizendo que ia continuar cantando em inglês até que alguém se pronunciasse. [Perdoem a falta de links, mais uma vez Murphy atuou e me fez apagar o rascunho com todos.]

Então a tarde passou assim, ligeiramente entediante, porque eu não tinha muito trabalho. Nem muito Twitter. Por volta das 15:30, ele começou a andar. Só que aí eu já estava de saída, com a cabeça no FIQ.

Entendam a situação a seguir: o FIQ, Festival Internacional de Quadrinhos, começou na última terça-feira, dia 6. E eu já estava tendo troços de vontade de ir. Passei o último mês contando os dias. Como alguns amigos também queriam ir mas terça e quarta eram dias impossíveis, deixei pra ir ontem. E assim ficou combinado.

Só que todo mundo sumiu, e o único que eu tinha certeza de que iria, o Hugo, resolveu marcar uma reunião no dia. Fantástico. Fiquei um pouco desanimada, mas resolvi ir mesmo assim, já que seria o único dia em que eu poderia ir, visto que vou viajar hoje e só volto na terça. Me arrependeria se não fosse.

O negócio é que o que mais me atrai nesses eventos são os stands, a possibilidade de encontrar obras que você não encontra em outros lugares, e por um preço também talvez mais acessível. Cheguei lá, os stands estavam desativados por causa da chuva. Fail. E foi isso. Eis o FIQ pra mim esse ano. Não pude ficar muito tempo. Mal aproveitei.

Brazil’s Next Top Model

Bom, chegamos àquela hora em que a estrutura do programa começa a me incomodar. Sabia que isso iria acontecer.

A Rafa foi eliminada. E achei bem injusto.

Veja bem, as provas, até agora, tinham sido bem equilibradas. Todas as participantes passavam por testes iguais. Os mesmos temas, as mesmas dificuldades. A prova de ontem introduziu temáticas diferentes, o que acabou privilegiando algumas e escurraçando outras.

A prova consistia em posar para fotos de rosto, usando maquiagem e adereço de cabeça temáticos. Cada uma recebia um tema e uma personagem, e deveria interpretá-los. Alguns temas já tinham tudo pra dar certo – embora nem todos tenham dado. A Bruna, por exemplo, ficou lindíssima na foto.

bruna_2

Já da Rafa não se pode dizer o mesmo.

rafa_x_2

Agora, veja bem. Não importa que a Fernanda Mota diga que, nossa!, como é difícil fazer uma foto com a da Bruna! Embora eu não seja modelo e não compreenda os graus de dificuldade das fotos, ela nunca vai me convencer de que a comparação é justa. Vamos concordar que um arranjo de flores na cabeça e uma maquiagem suave são bem mais gostáveis do que uma pseudo Princesa Léia prateada de sobrancelha amarela. Qual é?

Eu concordo plenamente com o talento da Bruna, embora, convenhamos, ela tenha uma beleza muito mais admirada no nosso país branco, louro e ariano. Também concordo que outras meninas tenham usado muito mal o seus temas, como a Rafaela, que tinha uma maquiagem interessantíssima e não conseguiu produzir nada de especial. Agora, dizer que temas como os da Tatiana, Fabiana e Bia são fáceis é piada. Especialmente pra Tatiana, que ainda está obviamente desconfortável com a coisa toda e recebeu a missão de interpretar um robô.

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Thumbs up da semana:

Giovahnna, claro, que se mantém profissional e tem progredido visivelmente. Fica no canto dela e come quieto. Tô começando a ficar otimista.

Mírian. Apesar de não ter sido elogiada, acho que tem se saído bem.

Thumbs down:

Bia. Só dá bola fora. É anti-profissional e só sabe fazer maquiagem de gatinho. xP

Bruna. Ganhou o concurso e estava realmente linda, mas continua não entendendo onde está e o que está fazendo ali.

Rafaela. Fala demais. Se acha muito mais que as outras. Estava confiante demais. Foi bom tomar um susto.

Tatiana. Na boa? Se toca.