‘Cause we hate what you do, and we hate your whole crew, so please don’t stay in touch

É claro que a gente olha pra trás e vê que levou uma caralhada de tempo pra avançar uns dois passos e ainda vai levar um queijo e uma rapadura até chegar em algum lugar. Ainda assim, eu não consigo resistir ao pensamento de que era aceitável ser ignorante acerca de certas coisas em 1500 e não o é em 2011. Não a galerinha do Twitter. Não a galerinha com acesso ao Google.

.

É muito bizarra a quantidade de gente que a gente vê por aí fazendo comentários racistas, por exemplo. Gente nova. Gente que teoricamente vive num mundo multicultural e numa época esclarecida. Pelo amor de deus, vocês vivem NO BRASIL! E é essa a galera que odeia o governo, o carnaval, o povo, chora porque comeram o seu chocolate e ameaça sair do país mas, infelizmente, nunca sai. Só fica aqui falando um português – que eles também detestam – ruim e enchendo os picuás alheios.

Porque eu queria MESMO que fossem. Não só pelo prazer de vê-los longe, mas pela piada que seria ver essa moçada virar a gente diferenciada da Europa.

.

Hoje o Marcos me mostrou um vídeo – que eu não vou fazer o desfavor de divulgar – de um cara que se diz ‘polêmico’. Me deu preguiça já antes de assistir. Que saco. Ele só falou aquelas merdas de sempre. Ditadura gay, querem fazer seu filho virar viado, mimimi. Miryan Rios deve ter gozado. O que eu acho um porre é que é a mesma opinião de sempre, que a turminha do barulho – a.k.a ‘classe média’, a.k.a. ‘cidadãos de bem’ – sempre teve, e que aí um bosta vem, fala ‘só tô falando o que ninguém tem coragem de falar’, mas a verdade é que nem ele tem coragem, porque tá escondido atrás de um nick ridículo. Porque tem medo de ser preso pela ‘ditadura gay’.

Outra da semana foi ouvir: “Nada contra homossexuais. Ninguém tem culpa de nascer assim. Mas bissexual eu não aceito, isso sim é perversão.” Galera não facilita. A gente vai ter que lutar por c-a-d-a mínima coisinha, uma por uma. Nego acha muito difícil ouvir ‘direitos iguais para todos’ e interpretar. ‘Todos’ vira ‘eu e você’ ou ‘eu, você e meu amigo gay, menos o travesti’.

.

Essa semana começou a Copa do Mundo de futebol. Assustou, né? É a feminina. Odeio falar Copa do Mundo FEMININA de futebol. Ninguém coloca a porra do ‘masculina’ na masculina. Odeio esse default. No rugby também é essa merda. Em praticamente todo esporte, acho. Mas no rugby o que fode é que a seleção que merece destaque no Brasil é justamente a feminina. E elas ganharam chuvas de títulos, são heptacampeãs sul-americanas, e nunca foram noticiadas. Brasil masculino ganha UM jogo do time RESERVA da Argentina e você vê em todo canto. Vai dizer que não é uma droga?

Mas aí começou a Copa. E é esse problema aí de cima. Não tem notícia em porra de canto nenhum. Você vai no site da FIFA e o destaque é pra Copa do masculino SUB-17 – sente o drama. Brasil ganhou de 1 a 0 da Austrália hoje, e nem no Twitter a gente vê um comentariozinho sequer. E não tem desculpa, cara, porque esse é o suposto país do futebol.

Esporte, junto com as Forças Armadas, é o meu ponto fraco. Nunca vou aceitar esse pouco caso. E a impressão que eu tenho é de que o tempo passa e as merdas só aumentam. Lembro até hoje dos ‘skorts‘. E da FPF limitando a idade das jogadoras. Agora tem o caso do badminton. E das iranianas banidas das eliminatórias pras Olimpíadas por não poderem cobrir a cabeça em campo. São sempre regras de homens. Sempre. E sempre a desculpa é de ajudar a mulher. Usar roupa sexy pra promover. Proibir o véu pra não oprimir. Mas quem é mesmo que tá se fodendo no final?

.

Tem uma foto que eu adoro de um protesto – que eu não sei qual é – em que um cara segura um cartaz genial. “I can’t believe we’re still protesting this shit.” Vinte e cinco anos. Espero viver mais uns quarenta. Só tenho medo de passar todos eles segurando essa plaquinha.

Dia 165: BBB: Paredão nº 7 – O Final

Embora muita gente – a maioria, eu arriscaria dizer – justifique suas torcidas com ‘é só um jogo!’ ou critiquem dizendo que BBB não vale nada, não é assim que eu penso. Penso, aliás, que é uma grande bobagem para um letrado dizer. Porque é mais do que sabido que a TV influencia massas, como bem lembrou o Jean Wyllys.

O BBB, pra mim, não era só brincadeira, diversão. Era também. Aliás, foi assim que começou. Mas com o tempo surgiram situações que exigiam posicionamento. Pra uma população alienada politicamente, é fácil ignorar; ra mim, não. Porque, querendo ou não, cada ofensa homofóbica ali me atingia também. E cada vez que alguém aqui fora aplaudia ou ignorava essas atitudes em pró do ‘jogador’, estava endossando o que era dito ou feito.

O Dourado é um grande desserviço. Como já disse antes aqui outras vezes, eu entendo a empatia; não entendo como se pode ignorar certas atitudes. Já no primeiro dia eu senti que não deveria esperar muito quando ele declarou a primeira de muitas pérolas. Naquela época, eu ainda pensava que ele sairia logo. Não saiu. E aí ficou claro que não sairia mais.

A única esperança era o embate com a Morango, que era a única que ainda dava um páreo. E o que eu senti, no final, foi que a intenção de tirar a Angélica já era grande e velha nas pessoas, e que só seguravam os comentários maldosos porque ela estava abraçando o Dourado. Porque, vejam só, foi só ela desafiar o sujeito que argumentos anti-homofobia, anti-machismo e anti-violência foram pisados com 55% dos votos por gente que acreditava que ela tinha que sair porque era ‘fofoqueira’ e ‘bigoduda’.

Esse paredão não só serviu pra me mostrar que a argumentação brasileira anda fraca. Serviu também pra saber que dá, sim, pra mobilizar um mundo inteiro – ainda que não tenha sido suficiente. AfterEllen, com a Trish Bendix, e o Equal Roots foram altamente atenciosos, ao menos comigo; depois correu a bola de neve e o The Advocate também entrou na roda; até o – vejam só! – Boy George deu um pitaco. Ainda correram pelo Twitter notícias vindas do México, Bélgica e Itália. Valeu só por isso.

E, pra mim, como era de se esperar, o BBB acaba aqui. Não sei se vou continuar assistindo, quanto mais comentando. Hoje foi final. Em número de votos e em paralização nacional. Daqui pra frente a gente conhece o enredo. E eu não tenho coração pra ver o que acontece.

Eu fiquei triste, sim, porque vi ali a cabeça brasileira. E finalmente entendi que não vou viver pra ver nada diferente disso. Vem pra gente, Morango. Tchau, BBB. Um abraço pra quem fica.

.

Update: Só mais um agradecimento a algo que eu acabei de receber por e-mail.

Update 2: Dois posts me deram ânimo hoje: o da Haline e o da Mary W. Aliás, fui citada pela última. Já dá pra morrer, né? Outra coisa boa foi o The Advocate lamentando o resultado do paredão. E reparem que em alguns comentários há estrangeiros se posicionando. Coisa boa.

Dia 160: O BBB da discórdia

Eu nunca pensei que ficaria aborrecida por causa de um reality show do qual eu não participo e que, teoricamente, não muda em nada a minha vida. Mas a verdade é que esses programas escondem – ou revelam – coisas muito reais. Eles podem até ser – e são – combinados, manipulados. Mas mostram coisas nossas, comportamentos, visões, ideologias, pensamentos incutidos durante séculos.

Há algum tempo, quando me exasperei com o pessoal que critica quem assiste o BBB, disse que aquilo é uma diversão, uma competição saudável entre quem assiste, um jogo de futebol. Bem, nem sempre. Não quando passa da torcida animada para a torcida ignorante. Ignorante no sentido mais literal da palavra; o que ignora.

No começo, quando começaram as torcidas para o Dourado, eu nem liguei. Não gostava dele por diversos motivos, mas, né, tesão é tesão, eu pensava. A torcida dele que eu acompanho é toda feminina, hétero e declaradamente atraída por ele. Sem exceções. Mas aí o cara vem e dá N motivos pra ser vaiado e as pessoas ganham outras N oportunidades para dizer ‘opa! Pera lá! Isso, não!’, e não acontece. Preferem insistir no erro.

Ou não é erro? Vai ver é identificação, vai ver concordam. Tá. Cada um, cada um. Aí o erro foi meu de ter, de alguma maneira, me identificado com essas pessoas? Vai ver.

Não me refiro à massa que só assiste a edição do Boninho. Ou, de repente, algum telespectador de passagem, que só tem tempo ou humor pra ver aquela uma horinha – porque ninguém é obrigado a ser à toa como eu e ficar acompanhando tudo – e que deve estar me chamando de drama queen. Tô falando é dos outros viciados, que pagam PPV ou assistem piratão ou ficam acompanhando via Twitter.

Tem gente que acha que falar da suástica é drama. Tudo bem. “Não é suástica, é manji.” Tá bom. Como existe essa polêmica, nem questiono. Mas daí a ouvi-lo dizer que bateria em qualquer pessoa que cantasse a sua namorada e achar normal me espanta. O pessoal mais indignado fez questão de frisar que ele disse ‘homem OU MULHER’, mas não é o que me aterroriza. Homem ou mulher, agressão é agressão. Me desculpe quem não acha isso, mas não acho que bater em homem seja mais desculpável que bater em mulher. Violência é violência, e eu não incentivo briga de machinhos.

Também disse que, se não estivesse na frente das câmeras, teria batido na Morango até mandá-la para o hospital. É pouco pra vocês? Então adicionem a super pérola que ele conseguiu proferir sobre a AIDS: heterossexuais não pegam.

O cara tem uma suásti… ops! um manji!, é homofóbico, machista e agressor. E ainda assim é pouco.

E aí nós, que não achamos isso bonito, é que passamos por doidos ou histéricas, porque nem o Boninho nem a Globo.com se comprometem a divulgar as barbaridades do seu favorito. Esse é mesmo o BBB do Dourado. Vai ganhar de lavada, apadrinhado não só pela massa do programa editado, como também pela ‘elite intelectual’ que acha um charme a ogrice dele e desculpa tudo alegando ignorância. Bom, a desculpa da ignorância é falha, segundo o pai do próprio, que diz que “o Marcelo foi criado no meio de homossexuais”, porque ele, o pai, é ‘homem de esquerda’, e a mãe, artista. O mais legal de tudo é que o ‘homem de esquerda’ disse isso pra livrar o filho da acusação de homofobia e acusar os outros de serem heterofóbicos. Não só falou um artigo inteiro de baboseiras como ainda destruiu o argumento de quem defende o filho. Fail ou Win?

(Ah, e devo lembrar que convivência com gays não necessariamente resulta em tolerância. Só no velho e cretino argumento: ‘Não sou homofóbico! Até tenho um amigo gay!’)

No fim, quem dança é a Morango, que foi a única que teve coragem de peitar o cara, bancando perder todos os fãs dele, e cujo maior demérito, segundo os depilados do Twitter, é ter bigode. Talvez ela tenha feito do modo errado, com os argumentos errados, mas fez, sim, a coisa certa. Mas como tem gente que já disse isso de forma muito melhor do que eu poderia dizer, passo a bola. E confio que alguém ainda vá perceber a contradição que é se dizer pró-LGBT e apoiar um cara desses. Sem mais.

Dia 42: BrNTM

Eu perdi meio episódio, porque estava conversando com o pessoal de casa, mas vi o suficiente pra ficar chocada. Nem deveria, né? Mas fiquei. Foi um festival homofóbico que deixaria Fred Phelps orgulhoso. O que me fez repensar muito gente com quem eu simpatizava.

A boa notícia do dia é que a orelhuda-veneninho saiu, finalmente. Tava toda cheia de si, confiante de que a Giovahnna ia sair primeiro, e se deu mal. Aliás, a Giovahnna tá precisando se cuidar. Segunda semana seguida na quase eliminação não é mole, hein?

Bia está grávida. Essa foi inesperada. E, pelo que fiquei sabendo, a Fabiana assumiu a homossexualidade na semana passada. Oi? Como assim? Gente, eu assisti o programa duas vezes, como não vi isso!? Aí vi em outro lugar que a Mírian também assumiu – e diversas pessoas têm chegado ao blog através dessa busca -, mas eu não vi nada ‘oficial’ sobre isso. A verdade é que estou boiando sobre essas fofocas. Vou precisar ver a reprise desse episódio.

Sobre os desafios, não vi o primeiro. O segundo, o dos vídeos, foi decepcionante. Quando vi a chamada, achei lindo, pensei que iria ser ótimo. Mas foi uma tristeza só. O único vídeo bom, na minha opinião, foi o da Tatiana.

.

As melhores da semana foram:

Bia. Grávida, mas não desistiu. Vai continuar no programa e parece mais animada do que nunca. Ponto para os pais, também, que reagiram bem.

Bruna. Continua chorando, mas pelo menos não deu show.

.

As piores:

Rafaela. E tá fora. Coitada. Há.

.

Precisam acordar:

Giovahnna. Tá muito frágil no programa. É hora de ignorar o resto e focar em si mesma. Creio que não sobrevive a mais um ‘paredão’.

Tatiana. Tem melhorado muito nos ensaios e eu fiquei surpresa com o de hoje. Mas está virando a Rafaela 2. A quantidade de coisas homofóbicas que disse hoje não foi nada bonita.