Honey & Clover

Acho que já falei desse anime aqui outras vezes. Comentei por cima. Mas preciso falar de novo, porque só agora terminei a segunda – e última temporada.

Honey & Clover é o anime que me acompanha na faculdade. Como eu disse antes, ele é ambientado em uma. Um grupo de amigos, todos estudantes de arte, que passam pelos questionamentos normais da fase. Eu me identifico muito com o Takemoto, o personagem central. Ele entrou no curso perdido, sem convicção, sem nenhum talento especial e acabou se vendo cercado de gente com talento demais. Se sentiu o loser.

O anime é todo bastante dramático, mas há uma diferença significativa entre as duas temporadas. A primeira é mais leve, cheia de situações cômicas. A segunda é mais pesada e séria. Eu assisti a primeira no começo de 2008. Takemoto entrava na faculdade, eu também. Eram todas aquelas situações de amigos, de diversão. Termino agora. Takemoto se formando, eu também. Os questionamentos, o medo do que vem por aí. Acho que por isso me identifiquei tanto. O final é bastante imprevisto. Eu não esperava. Mas foi muito bom.

Há dois pontos que me desagradam. O primeiro é a caracterização infantil da Hagumi. Achei excessivo. Tanto, que cheguei a me perguntar diversas vezes se eu não estava entendo errado. Comecei a achar que eu a via como adulta quando, na verdade, ela era um prodígio. Mas não. Ela tem a mesma idade de todos os personagens. E fica parecendo que ela tem oito anos de idade. Não só pela inabilidade social. O comportamento todo dela é muito infantil, muito estranho. Eu acabo sempre associando isso ao moe. Acho desconfortável.

O segundo é a caracterização das personagens femininas em geral. Todas – a não ser talvez pela Miwako -, desde a Hagumi – já citada – até a mãe do Takemoto, passando pela Yamada e pela Rika, são essencialmente frágeis e estão o tempo todo cercadas pelos personagens masculinos. Senti muita falta de uma personagem forte.

Mas vale a pena ver. Recomendo. A meta agora é assistir o dorama.

Programação de férias

FÉRIAS! A ficha só tá caindo agora, apesar de eu estar de folga desde sexta. E acho que eu nunca curti tanto assim um início de férias. E isso é muita coisa.

Talvez seja a sensação de que essas serão as únicas férias decentes que eu vou ter pro resto da vida, porque logo eu me formo e todo mundo já tá me passando todo aquele terror sobre vida de proletário, mas o fato é que eu estava ansiosa e passei o mês de junho todo pensando no que faria em julho.

No fim vai tudo por água abaixo, porque eu queria mesmo é ficar aqui em BH, por conta dos treinos, porque é a oportunidade que eu tenho pra pensar só nisso, mas eu tenho que ir pra casa também. Então eu vou passar um tempo aqui treinando, tem viagem de jogo no fim do mês, mas também vou pra Passos, pra Barretos, gastar um bom tempo na ociosidade. Já comecei a praticar o ócio desde já, aliás. Estou botando em dia filmes, séries e livros que queria ver/ler. Já risquei Game Of Thrones da lista. A série. Estou esperando arranjar os livros. E roendo unha de ansiedade pela próxima temporada.

Segue a lista das coisas que estou assistindo ou vou assistir nos próximos dias:

1. Daria

Comecei a quarta temporada.

2. Honey & Clover

H&C foi o anime que me acompanhou durante meu primeiro semestre em BH. Por ser ambientado numa faculdade e por ser centrado em um grupo de amigos, eu via muitas semelhanças com o que eu estava passando. Tanto que a primeira música de encerramento, ‘Warutsu’, acabou virando a trilha da época. Mas eu só tinha visto a primeira temporada, então estou assistindo a segunda agora. É lindo, lindo, e eu aconselho demais. H&C tem também o melhor personagem de todos os tempos, que é o Morita. A melhor cena também é dele: quando, em um festival escolar, ele parodia o Hikawa Kiyoshi. Gênero: josei.

3. Utena

Utena é o anime da minha vida. Sério. Tô pra ver um que vai desbancar. Só Ikeda poderia fazer isso, mas infelizmente a produção dos animes dela sempre foi incrivelmente fraca comparada à qualidade dos mangás. Utena é o contrário, aliás. Não gosto do trabalho da Saito, e acho que o anime só é o que é pela interferência do Ikuhara – e me custa alguma coisa admitir isso. O anime é razoavelmente feminista e toca em pontos ‘polêmicos’. É provavelmente o anime mais lembrado quando se pensa em yuri – e ele nem é explicitamente yuri -, e trata de papéis de gênero, homossexualidade e incesto. Também é um questionamento óbvio ao shoujo clássico, o que corresponderia ao questionamento ocidental aos contos de fada. Dá uma tese inteira, e de fato existem diversos artigos dedicados a ele. Um dia ainda faço um post sobre. Gênero: shoujo.

4. Azumanga Daioh

AD é um anime que me divide. Porque ele é bonitinho demais. Se você curte essa onda kawaii, esse é o canal. Mas é isso. Nada me tira da cabeça que é um anime feito pra estrangeiros, puramente estético. O mangá de AD é todo feito em tiras. Ou seja, as histórias são curtas e rápidas, então fica difícil transformar em uma animação tradicional. Os episódios são formados por várias histórias rápidas, no mesmo estilo, e essa foi a melhor solução, é claro, mas ainda assim existe um vazio, a história fica lenta e arrastada pra preencher o tempo.

Além disso, tem uma coisa que me incomoda demais, que é o moe. Existe um professor pedófilo na série. Pra mim, um personagem altamente dispensável, embora no Japão talvez seja uma piada óbvia quando se trata de um anime ambientado em uma escola. Uma piada de muito mau gosto, que, infelizmente, encontra eco num país onde existe um culto ao moe. Gênero: dizem que é shounen, mas pra mim tem mais cara de seinen.

5. Fruits Basket

Confesso que só comecei a assistir por causa do Shigure, que é um dos meus personagens favoritos de mangá, mas agora já estou criando simpatia por outros, especialmente pela Kagura. Gênero: shoujo.

6. Sailor Moon

HÁ! Clássico da infância de muita gente, com certeza. Tô aqui morrendo de nostalgia e pedindo a Manchete de volta. É um anime tão bobo, tão bobo, e por isso mesmo legal. Gênero: (mahou) shoujo.

7. 311 filmes

…and counting. Na verdade, eu parei de atualizar essa lista há um ano e meio, porque tá me dando medo o tamanho dela. Acho deprimente pensar que não dá pra ver todos os filmes que eu quero numa vida – até dá, mas ainda não arrumei ninguém que me pague salário pra isso. Os primeiros da lista são ‘Tasogare Seibei’, ‘Kundun’, ‘Paprika’ (se não me causar uma convulsão), ‘Le Silence de Lorna’ e ‘La Meglio Giuventù’.

E aí, quem me acompanha?

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Aproveitando o gancho do post, ontem eu finalmente assisti ‘Kagemusha’ e precisava vir aqui indicar. Já assisti ‘Ran’ e ‘Dreams’, mas foi só agora que eu acordei pro Kurosawa. Embora todo mundo fale muito de ‘Ran’, achei ‘Kagemusha’ bastante superior – mas é só a minha opinião, afinal. Eu me apaixonai pelo Nakadai no papel do kagemusha e pelo Ryu Daisuke como Nobunaga.

Kuragehime

Dei uma chance a Kuragehime e acabei gostando. Não vou falar muito pra não dar spoiler, mas aqui tem uma sinopse rápida e comentários sobre o primeiro episódio. Não compete com os meus favoritos, mas ainda assim é uma gracinha. Achei que fosse me decepcionar no final, mas fiquei satisfeita. Confesso que os primeiros episódios me irritaram, achei muito exagerados; mas aos poucos a série vai se assentando. Agora preciso ler o mangá.

Dia 121: Paradise Kiss

Isso aqui já tá virando um blog de reviews, mas o caso é que eu estou aproveitando as férias pra tirar todos os atrasos possíveis. Isso dito, aí vai mais uma. [Contém SPOILERS! – Se isso não foi suficientemente claro, saiba que eu vou contar o fim.]


Terminei de ler Paradise Kiss. Sim, sim, eu sei que entre publicação no Japão, scanlations e publicação no Brasil eu já tive a oportunidade de ler isso várias vezes, mas o que posso dizer? Na rotina, durante o período de aulas, é difícil manter o ritmo de leituras do jeito ideal – dou prioridade aos livros (de estudo, especialmente). Assim, só podia comprar e guardar, e dessa forma fui acumulando mangás durante esses dois anos – que só estou lendo agora. Então, hoje cheguei ao fim.

Yazawa e eu temos uma relação de amor e ódio. Primeiro, porque a estética é uma das coisas mais importantes pra mim num quadrinho. É o que dá a graça; ver algo atraente acompanhando a história. E a Yazawa é das boas. Tem um traço que beira o perfeito e tem criatividade estética.

Mas isso, claro, não basta. E embora ela sempre tente dar às histórias uma certa profundidade – e às vezes até extrapole os limites -, existem algumas coisas extremamente irritantes. As personagens femininas são sempre passivas demais com os caras. Podem até ser fortes em uma ou outra situação, mas as metas de vida sempre envolvem um homem.

Parakiss (japoneses adoram abreviações) conta a história de uma colegial que, às voltas com o vestibular, acaba se esbarrando com um grupo de estudantes de uma faculdade de moda que querem que ela sirva de modelo para eles em um concurso promovido pela instituição. Ela enfrenta alguns dilemas – falta de tempo, falta de compreensão da mãe – e aceita. No meio de tudo isso, claro, ela se apaixona pelo estilista responsável.

Eu realmente não gosto da interação entre os personagens principais. Acho o George um lixo – só serve para os momentos de humor – e agradeço muito por ela ter ficado com o Tokumori no final. Também não gosto do casal Miwako/Arashi. Estupro é imperdoável, por mais ‘meiguinha’ que ela seja. Aliás, não é o perdão dela que me incomoda; é a falta de qualquer punição. A personagem mais razoável – e louvável – da história é a Isabella. Louvável porque ela é transgênero, e ainda bem que alguém mostra isso, ainda que num mangá de moda. A única cena em que eu perdoo o George é no flashback em que ele aparece ajudando o amigo, ainda criança, a assumir a personalidade feminina.

Os mangás da Yazawa realmente me atraem, e eu fico procurando uma desculpa que não seja a estética pra continuar lendo. E é assim que eu espero que Nana (outro que eu só comecei) a salve.

De qualquer forma, pra quem estuda moda ou procura algum tipo de inspiração, é prato cheio. Bonito, é.