Em boca fechada…

Uma das coisas que já tentaram me ensinar de todo modo é que não se dá conselho não pedido. E parece tão, tão fácil, caralho!, mas eu não consigo fechar a porra da boca.

Meus personagens favoritos em ficção são sempre os calados. Sabe aqueles que não falam nada, ficam na deles, só vão lá quando é preciso e fazem o que têm que fazer? Então. Meu sonho sempre foi ser assim. Não sei por que raios eu nasci tão italiana.

Mas tô cansada de me sentir invasiva. Quero um tempo. Então tô mudando a minha filosofia para ‘deixa o povo ser feliz’. Movimento gay, feminista, Terceira Guerra Mundial, evangélicos, nazistas: none of this concerns me now. Tô tirando férias. Se quiserem se matar, vou pegar o meu suquinho e sentar pra assistir. Agora só dou ajuda e opinião pedidas.

Vamos ver quantos cinco minutos eu aguento.

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Explicando o inexplicável

Um ano já veio e já passou. Por isso, considerando a promessa cumprida (pela metade), vou deixar aquela coisa de ‘dia xx’ pra lá. Até porque eu percebi que a contagem estava toda errada. Enfim.

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Fiz algo ontem que eu nunca achei que fosse fazer: entrei pra um time de rugby. Nunca pensei que fosse fazer simplesmente porque nunca pensei em rugby no Brasil. Esse é o mal dos esportes que não são futebol aqui. Fala-se tão pouco deles que a gente nem lembra que existem. E como as minhas tentativas de achar times em outros esportes de popularidade baixa no Brasil foram massacrantemente frustradas, eu joguei tudo pra cima. Nem com o judô eu consegui fazer as pazes aqui em Belo Horizonte. Abandon hope all ye who enter here.

Mas aí chegou a Bani, dia desses, dizendo que tava treinando rugby e eu quase tive um orgasmo só de pensar que tinha time aqui. E pronto. Tava decidido. Achei até que ia causar minha expulsão de casa – porque essa é a segunda notícia do tipo que eu dou pra minha mãe em questão de dois meses -, mas tudo correu surpreendentemente bem. Tá todo mundo apoiando. Embora eu ache que minha mãe só tenha se empolgado de verdade depois que eu dei uma ideia de quanto medem as coxas dos jogadores do time masculino. Enfim.

O lance é que 89% das pessoas pra quem você conta a novidade, feliz e saltitante, torcem o nariz. Porque é violento. Porque vai doer. Porque você vai quebrar o nariz, o braço e depois morrer. Nas primeiras vezes você não liga pros comentários. Ri, explica, faz piada. Mas depois da 194ª vez que te perguntam quais são suas flores preferidas pra levarem no funeral, começa a ficar chato.

Acho que o pessoal que me conheceu nos últimos anos, em uma fase super sedentária, não tem ideia do quanto eu adoro esportes e de como isso faz diferença na minha vida. Quando eu larguei o judô, fiquei muito tempo frustrada e com uma sensação de impotência. Não superei ainda. A camiseta surrada e esburacada da equipe que eu não consegui jogar fora até hoje é a maior prova disso. Voltar a praticar alguma coisa, fazer parte de uma equipe de novo, renovou meu ânimo, que anda abalado pela ansiedade das provas que eu devo encarar em breve.

Eu sei que dói, que machuca, que fode tudo. Eu era judoca. Eu me fodi de umas 657 formas diferentes. Dói pra caramba. Na hora, você se pergunta que ideia de jerico foi essa de se enfiar nessa roubada. Mas compensa de outras formas.

Tudo o que eu quero de amigos é apoio. Vocês falaram tudo o que queriam falar. Eu já entendi. Já entendi que vocês não fariam isso. Mas EU decidi fazer. Então só apoiem. Não precisam assistir, ficar torcendo, nem me levar pro hospital depois, se não quiserem. É só dar aquela força psicológica. De resto, quem vai se quebrar toda sou eu. Não vai doer em vocês. Juro.

Dia 329: Mimimi nº 7.759

Eu tenho que parar com isso, porque eu odeio mimimi. Mas o fato é que eu estou sozinha depois de um bom tempo cheia de gente em volta, e aí os demônios vêm. Inevitavelmente. E sobra pro blog, que a única coisa que me resta é escrever. Sinto muito.

Já há algum tempo que eu não suporto essa minha nova mania de falar demais. Antigamente meu problema era falar pouco, pelo que viviam me dizendo. Acho que eu tentei melhorar isso e acabei piorando drasticamente.

Eu acabei ficando viciada em gente, em fazer gente rir, e desenvolvi um tipo péssimo de humor e uma necessidade (bastante dispensável, diga-se de passagem) de falar. Eu tentei melhorar e não consegui. O blog não ajuda, porque, né, aqui eu falo mais abobrinha do que em qualquer outro lugar. Mentira, o Twitter ainda supera.

Sinto que isso, embora tenha me trazido amigos novos, tem me afastado dos antigos, dos que eu admiro demais. E isso me aborrece além da conta. Não quero ficar me perguntando todo santo dia o que será que eu fiz pra chatear fulano.

É incrível como a gente muda em um ano, né? Em 2009, a ideia era justamente compartilhar: ideias, experiências, tudo. Hoje em dia é a causa da minha frustração, e eu sempre sinto que estou falando demais. Fico achando que não deveria ter feito, que deveria ter sido anônimo, que deveria trancar, e por aí adiante. Tanto que acabei trancando o Twitter. Não só por isso, na verdade. Tudo começou por outro motivo. E eu fui percebendo a bola de neve que virou.

Quero ficar mais no meu canto. Não é nem que a vida que eu levo é ruim. Não é. É só que o rumo que eu estou buscando não casa com nada disso. É outra vida. E eu decidi que só fechando o blog pra isso dar certo. O blog, o Twitter e etc. A minha vida virtual. Como eu prometi que isso aqui ia durar pelo menos um ano, eu vou cumprir. Até porque eu ainda preciso de tempo pra me acostumar à ideia. Sei lá se eu vou conseguir. Mas eu preciso tentar.

Eu espero que o ano que vem represente uma virada significativa de planos, e quero que minhas atitudes acompanhem tudo isso.

Dói? Dói. Porque só o que eu estava tentando fazer era ser honesta. Mas eu ultrapassei a conta, e percebi isso nos últimos dias, quando nem as brincadeiras mais bobas eram compreendidas.

Enfim. Still a month to go. Não sei o que acontece até lá. Vou levando.