Sobre cristianismo, monoteísmo e religiões em geral

Então, cristãos, cristianismo. Há tempos eu estou devendo um texto sobre isso, porque pessoas do meu convívio ficam, com todo o direito, ofendidas quando eu faço comentários negativos e generalizados sobre, então é meu dever fazer alguns esclarecimentos.

Antes de qualquer coisa, vamos deixar isso claro: eu não me importo com o que você adora. Um deus, dois, dez, 577, nenhum, Jesus, Buda, o Bule Gigante, whatever. Não me importa. Eu tenho pra mim que espiritualidade é a coisa mais pessoal (e às vezes até incomunicável) que existe, então não discuto. Até porque isso não muda NA-DA na minha vida.

Eu não gosto do Cristianismo. Nem de monoteísmo nenhum, aliás. Porque os dogmas não me agradam e eles vão ser sempre passíveis de crítica, pra mim. Mas, fosse só isso, passaria em branco. Porque se você acha bacana ser contra gays ou acredita que sua dignidade depende de uma burca, isso não é problema meu. O meu problema com tais religiões é simplesmente que essas crenças nunca se restringem à pessoa em si.

Como eu disse, crença é uma coisa extremamente pessoal, e eu não aprovo pregação, porque considero a coisa mais invasiva que eu posso imaginar. Usar o nome de um deus pra justificar seus atos e impor regras (ou tolher direitos) a outrem é algo que eu não respeito, e reservo meu direito de me indignar.

Por mais que eu faça generalizações, saibam que eu me refiro sempre apenas aos desrespeitosos. Mas sei que não é legal julgar a parte pelo todo, então vou tentar me policiar. É também importante frisar que a maior parte das pessoas que eu conheço, à parte os ateus, é cristã. Minha família é toda católica. E eu tenho diversos amigos evangélicos. A chave do nosso relacionamento é respeito.

Tenho uma amiga que não gosta de religiões porque, em geral, seus adeptos tendem a acreditar serem escolhidos por um deus específico e que todo o resto da humanidade que não crê nele vai acabar no inferno (ou derivados). BIG DEAL! Isso é o menor problema pra mim. Aliás, nem chega a ser problema. Se eu não acredito em inferno, o que isso muda pra mim? Que acreditem! Mas que me deixem ir pro inferno em paz e não tentem me salvar!

Eu fui batizada, tomei a primeira comunhão, crismei na Igreja Católica Apostólica Romana. E, depois que cumpri todo esse ritual, pedi minha carta de alforria. Eu fiz tudo por respeito à minha família, mas não sou cristã. Nunca fui. Mas respeito. Frequentemente me aconselho com padres e freiras. Por que não? Temos pontos de vista diferentes, mas sabedoria é sabedoria e experiência é experiência.

Então não fique chateado se por acaso me ouvir esbravejar. Vou repetir sempre: trabalho com respeito. Se você não é a testemunha de Jeová que vai todo domingo de manhã tocar a minha campainha, não tem por que se preocupar. Se você é, só lamento. Devo te lembrar que, em matéria de deuses, o seu tem uma cruz e pregos; o meu, um martelo. (Ok, isso foi pura maldade.)

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