Dia 38: Thais e a preguiça de ser saudável

Desde que eu vim morar na capital do pão-de-queijo, há menos de dois anos, eu engordei algo em torno de vinte quilos. Isso tem três motivos:

1. Eu parei de malhar. E isso não é um simples parei-de-ir-à-academia-meia-hora-por-dia-três-vezes-por-semana. Eu era uma espécie de rata de academia, frequentadora hardcore. Segunda a sábado, três horas por dia. Junta a isso o fato de que…

2. Eu como muito. Me definiria como um pedreiro no corpo errado. É basicamente por isso que eu não aceito convites para almoçar na casa das pessoas. Porque das duas, uma: ou eu como e dou prejuízo; ou eu não como e quem tomou o prejuízo fui eu. Por fim…

3. Eu não cozinho. Sou um desastre. Não do tipo que bota fogo na cozinha quando vai ferver água, essa fase já superei. Mas do tipo que não sabe, não quer, não tem tesão nenhum pela coisa e que é convencida pela preguiça a comer pão de forma com mozarela em vez de fazer arroz. A consequência natural é que pessoas assim se fodem. Ou você paga caro por comida decente, ou compra comida congelada, ou come miojo. Miojo por quase dois anos.

O resultado disso, além dos óbvios vinte quilos, é que minha saúde foi pras cucuias. Minha resistência nunca esteve pior, e eu fico doente com qualquer vento, como vocês puderam comprovar durante alguns dias. Por causa disso, a campanha atual da minha família é me fazer comer direito. Minha mãe vivia me dizendo o que comer, e eu concordava, aí chegava aqui e esquecia tudo. Então eles mudaram a tática. Me obrigaram a trazer a comida comigo – o Victor quase teve um troço de rir quando viu um pacote de arroz na minha mochila quando eu cheguei de viagem direto pra aula.

Então é isso, ontem eu fui ao mercado comprar coisas saudáveis pra acompanhar o arroz parboilizado. Que, aliás, comi pela primeira vez ontem, e não é nem de longe esse drama que o povo faz por aí. Achei até divertido preparar.

Agora preciso aprender a fazer pelo menos algumas coisas básicas. Rezem por mim e pela minha cozinha. Purê de batatas, aí vou eu.

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Dia 8: 3x Lés

1. Colapso

Hoje uma guria com quem eu convivo diariamente teve um surto psicológico. Não sabemos ao certo o que provocou, apenas especulamos o que pode ter sido, e creio que ser homossexual tenha contribuído em boa parte pra isso. Eu já tenho uns dez anos de convivência ativa com o meio gay, e durante esse tempo vi muita gente desmoronar, especialmente lésbicas. Posso até estar enganada, mas diz a minha experiência – inclusive observando uma familiar que foi buscá-la – que ela deve ter passado alguns maus bocados por isso.

2. Stonewall

A organização inglesa Stonewall lançou uma campanha voltada para a saúde lésbica. Aparentemente, mulheres lésbicas e bissexuais tendem a negligenciar mais a saúde do que mulheres heterossexuais. O cartaz é lindo e eu fiquei apaixonada.

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3. Brazil’s Next Top Model

Eu não sei porque eu me torturo, mas ontem comecei a assistir a terceira temporada do concurso pela Sony. É horrível. No primeiro episódio elas já estavam se degladiando. Fora que você tem que aguentar as gurias falando o tempo todo o quanto mulher é um bicho trapaceiro – não nessas palavras, mas com esse sentido. Mas vou aguentar a tortura porque existe uma lésbica nessa temporada, a Giovahnna Ziegler, e eu quero ver até quando ela vai durar – ou até quando vão durar com ela. A briga na lama de ontem foi por causa dela. Uma guria qualquer destilou veneno homofóbico, e eu quero ver até onde vai. Ainda não entendi porque não foi ela (a Liana) a eliminada, sendo que essa seria a medida óbvia pra usar de exemplo. E não é nem que ela é bonita e eles iam perder muita coisa: os próprios jurados não gostaram da foto que ela fez. E então? Porque ficou? Só espero que ela não dê mais um show, porque senão vai ser a comunidade gay quem vai rodar a baiana.