Programação de férias

FÉRIAS! A ficha só tá caindo agora, apesar de eu estar de folga desde sexta. E acho que eu nunca curti tanto assim um início de férias. E isso é muita coisa.

Talvez seja a sensação de que essas serão as únicas férias decentes que eu vou ter pro resto da vida, porque logo eu me formo e todo mundo já tá me passando todo aquele terror sobre vida de proletário, mas o fato é que eu estava ansiosa e passei o mês de junho todo pensando no que faria em julho.

No fim vai tudo por água abaixo, porque eu queria mesmo é ficar aqui em BH, por conta dos treinos, porque é a oportunidade que eu tenho pra pensar só nisso, mas eu tenho que ir pra casa também. Então eu vou passar um tempo aqui treinando, tem viagem de jogo no fim do mês, mas também vou pra Passos, pra Barretos, gastar um bom tempo na ociosidade. Já comecei a praticar o ócio desde já, aliás. Estou botando em dia filmes, séries e livros que queria ver/ler. Já risquei Game Of Thrones da lista. A série. Estou esperando arranjar os livros. E roendo unha de ansiedade pela próxima temporada.

Segue a lista das coisas que estou assistindo ou vou assistir nos próximos dias:

1. Daria

Comecei a quarta temporada.

2. Honey & Clover

H&C foi o anime que me acompanhou durante meu primeiro semestre em BH. Por ser ambientado numa faculdade e por ser centrado em um grupo de amigos, eu via muitas semelhanças com o que eu estava passando. Tanto que a primeira música de encerramento, ‘Warutsu’, acabou virando a trilha da época. Mas eu só tinha visto a primeira temporada, então estou assistindo a segunda agora. É lindo, lindo, e eu aconselho demais. H&C tem também o melhor personagem de todos os tempos, que é o Morita. A melhor cena também é dele: quando, em um festival escolar, ele parodia o Hikawa Kiyoshi. Gênero: josei.

3. Utena

Utena é o anime da minha vida. Sério. Tô pra ver um que vai desbancar. Só Ikeda poderia fazer isso, mas infelizmente a produção dos animes dela sempre foi incrivelmente fraca comparada à qualidade dos mangás. Utena é o contrário, aliás. Não gosto do trabalho da Saito, e acho que o anime só é o que é pela interferência do Ikuhara – e me custa alguma coisa admitir isso. O anime é razoavelmente feminista e toca em pontos ‘polêmicos’. É provavelmente o anime mais lembrado quando se pensa em yuri – e ele nem é explicitamente yuri -, e trata de papéis de gênero, homossexualidade e incesto. Também é um questionamento óbvio ao shoujo clássico, o que corresponderia ao questionamento ocidental aos contos de fada. Dá uma tese inteira, e de fato existem diversos artigos dedicados a ele. Um dia ainda faço um post sobre. Gênero: shoujo.

4. Azumanga Daioh

AD é um anime que me divide. Porque ele é bonitinho demais. Se você curte essa onda kawaii, esse é o canal. Mas é isso. Nada me tira da cabeça que é um anime feito pra estrangeiros, puramente estético. O mangá de AD é todo feito em tiras. Ou seja, as histórias são curtas e rápidas, então fica difícil transformar em uma animação tradicional. Os episódios são formados por várias histórias rápidas, no mesmo estilo, e essa foi a melhor solução, é claro, mas ainda assim existe um vazio, a história fica lenta e arrastada pra preencher o tempo.

Além disso, tem uma coisa que me incomoda demais, que é o moe. Existe um professor pedófilo na série. Pra mim, um personagem altamente dispensável, embora no Japão talvez seja uma piada óbvia quando se trata de um anime ambientado em uma escola. Uma piada de muito mau gosto, que, infelizmente, encontra eco num país onde existe um culto ao moe. Gênero: dizem que é shounen, mas pra mim tem mais cara de seinen.

5. Fruits Basket

Confesso que só comecei a assistir por causa do Shigure, que é um dos meus personagens favoritos de mangá, mas agora já estou criando simpatia por outros, especialmente pela Kagura. Gênero: shoujo.

6. Sailor Moon

HÁ! Clássico da infância de muita gente, com certeza. Tô aqui morrendo de nostalgia e pedindo a Manchete de volta. É um anime tão bobo, tão bobo, e por isso mesmo legal. Gênero: (mahou) shoujo.

7. 311 filmes

…and counting. Na verdade, eu parei de atualizar essa lista há um ano e meio, porque tá me dando medo o tamanho dela. Acho deprimente pensar que não dá pra ver todos os filmes que eu quero numa vida – até dá, mas ainda não arrumei ninguém que me pague salário pra isso. Os primeiros da lista são ‘Tasogare Seibei’, ‘Kundun’, ‘Paprika’ (se não me causar uma convulsão), ‘Le Silence de Lorna’ e ‘La Meglio Giuventù’.

E aí, quem me acompanha?

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Aproveitando o gancho do post, ontem eu finalmente assisti ‘Kagemusha’ e precisava vir aqui indicar. Já assisti ‘Ran’ e ‘Dreams’, mas foi só agora que eu acordei pro Kurosawa. Embora todo mundo fale muito de ‘Ran’, achei ‘Kagemusha’ bastante superior – mas é só a minha opinião, afinal. Eu me apaixonai pelo Nakadai no papel do kagemusha e pelo Ryu Daisuke como Nobunaga.

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Love Hina

Quando estávamos no colegial, minhas amigas e eu éramos loucas por Love Hina. Na verdade, eu era louca por qualquer mangá. Os mangás estavam começando a ganhar espaço no Brasil e eu colecionava – quase – tudo. A história não era das melhores, mas eu era apaixonada pelo traço do Ken Akamatsu. Achava fantástico como ele conseguia ter um traço tão limpo e ao mesmo tempo tão detalhista. Cuidava de coisas minúsculas: cada personagem tinha um guarda-roupa infinito, e estamos falando de pelo menos 10 personagens frequentes. Não tinha grande interesse pelo anime, mas a oportunidade surgiu e eu finalmente assisti nos últimos dias. E não me tive surpresas: é mesmo uma droga.

Love Hina é o típico shounen*: ‘loser dos losers fracassado² que nunca conversou com uma garota de repente se vê cercado e adorado por montes delas’. É uma mistura de mitos femininos com fetiches masculinos (não só) japoneses. O mangá é basicamente a mesma coisa – com uma história mais longa e mais complexa -, mas a diferença aqui é que não existe mais Akamatsu pra iludir. Nada se salva nessa versão.

O desenvolvimento das personagens é péssimo. De personalidades individuais, nós vamos parar num mar de garotas obcecadas por um cara que é, basicamente, nada. A Naru, ok, é apaixonada, é a mocinha, passa. A Motoko é a man-hater reprimida que se sentiu abandonada quando a irmã se casou, e é magicamente salva pelo mocinho quando ele a ensina a ser verdadeiramente (‘emocionalmente’) forte – não pergunte; eu ainda não descobri o que ele fez. A Shinobu, a tímida, sem amigos, também evolui de bullied pra Zangief Kid em um mísero episódio, claro, por amor. Não aguento.

Aí você, amigo mais esperto que eu, nessa situação de não gostar de algo já teria desistido e deixado pra lá, mas não! Eu curto um sofrimento, então ainda assisti ao especial de primavera e aos TRÊS OVAs. Só pra constatar que, claro, são MUITO piores.

Os OVAs ainda têm o agravante de que as personagens mais novas, agora crescidas, pretendem cursar a mesma faculdade que o personagem principal para conquistá-lo. É, tipo, história imbecil elevada à décima potência.

[Especial de primavera.]

[OVAs.]

Mas Love Hina me ensinou muita coisa. Aprendi, por exemplo, que todas as mulheres do Japão são peitudas. Olha que bacana. Mas o mais gostoso de ter baixado o anime, mesmo, vai ser aliviar quase 7GB do meu notebook. Ja nee, Keitarou.

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*Shounen: mangá/anime voltado para garotos (adolescentes/jovens). É o gênero que mais chega ao Brasil. Dragon Ball, Pokemon, YuYu Hakusho, Naruto, Yu-Gi-Oh e afins são exemplos.