SPAC Lions 2010

Mas vamos falar de coisa boa. Vamos falar na iogurteira Top Therm.

O SPAC ganhou, como era de se esperar, embora eu torcesse para uma zebra. E houve uma zebrinha. Achei que ia dar Niterói x SPAC na final, mas o Desterro conseguiu derrubar as cariocas num ponto de ouro.

O BHR, infelizmente, não levou a Taça Prata. Ficamos em 8º depois de perder para o Charrua e para o Vitória. Mas estar entre as oito já é um tremendo feito. No ano passado, o time terminou na 13º posição. Se continuarmos nesse ritmo, ano que vem disputamos a Taça Ouro. Beware.

Classificação final:

1º – SPAC – CAMPEÃO
2º – Desterro
3º – Bandeirantes
4º – Niterói
5º – Charrua – Campeão Taça de Prata
6º – São José
Vitória
8º – BH Rugby
9º – Recife – Campeão Taça de Bronze
10º – Goiânia
11º – USP
12º – EACH
13º – Lions (SPAC B) – Campeão Shield
14º – Pasteur
15º – Tornados
16º – Jacareí

E eu voltei pra casa carregada. Ganhei camiseta ‘Rugby Girl’ do Zeto, comprei uma irresistível com a haka dos All Blacks nas costas, trouxe bola, chaveiro e os chinelos que ganhamos do clube. Os chinelos foram providenciais, aliás, porque eu tinha esquecido os meus. Não que fossem exatamente uma boa ideia, porque 552 lavadas depois, meu pé continuava cheio de barro.

Também ganhei um calendário do Keep Walking Lords Of Rugby, um time paulista de quarentões veteranos. Tive crises de riso ao imaginar a cara do Zeto e do Hugo quando soubessem. Por sugestão da Bani, fomos tietar os ‘musos’ e conseguimos cinco autógrafos. Quando chegar em Barretos, escaneio. É imperdível.

Ficamos em um hotelzinho próximo ao Shopping Morumbi. E tinha uma convenção da HerbaLife por lá. Acho que nunca vi tanta gente junta na minha vida. E nunca senti tanto medo. Sorte que algumas das nossas gurias estavam circulando com camisetas de ‘atleta’ e ninguém ousou nos abordar.

O terceiro tempo foi aquele nonsense bêbado de sempre. Quem basicamente dominou a empolgação dessa vez foi a USP. Gritaram e cantaram alucinadamente, e acabaram arrastando os mais dispostos – ou mais bêbados – pra uma brincadeira que eu não sei como não resultou num pescoço quebrado. Eu fiquei de fora vendo e tendo crises de riso.

Aí veio a raivinha da viagem, aí veio BH. Agora é partir pras comidas boas e pro colo materno no fim de ano. Em janeiro tem Floripa. Agora me pergunta se eu quero outra vida.

Quer transformar sua viagem de 8… ops!, 12 horas em uma ida ao psicólogo? Pergunte-me como.

Posso falar? O BHR é CA-GA-DO pra arrumar motorista. Assim mesmo, em letras maiúsculas e sílabas destacadas. Os motoristas se perdem em TODAS as viagens, não importa se a gente tá andando em São Paulo ou em Colina. E nunca é uma coisa simples; é sempre algo que atrasa tudo em três horas.

Mas o desse fim de semana é o campeão so far. Porque motorista que se perde na ida é ok; a gente entende. Mas motorista que morou vinte anos – segundo o próprio – em São Paulo e consegue se perder saindo da cidade é inédito.

Ele me pediu pra programar o GPS. Só que o GPS não ligou. Até então eu não tinha percebido por que ele precisava tão desesperadamente do aparelho. Fui saber só quando ele entrou na via errada.

Pra você, amigo, que graças a deus nunca teve a infelicidade de andar em São Paulo, é bom saber que dar uma erradinha lá equivale a ir e voltar de Belo Horizonte umas três vezes. Mentira. Mas o drama é quase o mesmo.

E eu tinha me sentado ao lado dele na van. Deixei o time bêbado dormir em paz lá atrás e achei melhor ir ao lado do motorista, já que eu estava sem um pingo de sono. E quase chorei quando ele disse que tinha se perdido. Porque, né, eu sou A perdida. Não sei nada de São Paulo. Tenho um bloqueio com a cidade. Então não poderia ajudar em nada. Nenhuma de nós podia, na verdade. E aí se instaurou o caos.

Ele queria achar a Dutra. Aí eu fui lendo as placas e, por fim, achamos. E eu, muito ingênua, achei que dali em diante ele soubesse prosseguir. E relaxei, me distraí.

– Era aqui que eu tinha que ter entrado?

– Anh?

– Essa via aí da direita? É a Fernão Dias?

Essa hora eu apaguei da memória pra continuar sendo uma pessoa feliz, mas provavelmente o que aconteceu foi que eu virei pro lado e comecei a mascar o vidro da janela pra evitar voar no pescoço dele. Lá fomos nós, DE NOVO, procurar um retorno. Aí o time inteiro já estava querendo deixá-lo na estrada e seguir sozinho.

Um posto de gasolina e muitas informações não assimiladas depois, ele ainda estava perdido. Eu tinha pulado pra trás, sugestão das meninas pra eu não morrer enfartada. Por fim, com o time inteiro lendo as placas em coro pra ele, nós acabamos chegando na tal.

Às 3:30 da madrugada, nós paramos em um posto pra consertar um pneu furado – você realmente achou que ia ser fácil assim? – e constatamos que tínhamos levado cinco horas pra percorrer 200 quilômetros. Um feito para o Guinness.

Junte a isso uma batida na viagem de ida. Ou melhor, uma encostada. Uma coisa simples, que foi culpa de outro motorista e que o outro prontamente assumiu e se dispos a resolver, que quase terminou em uma manchete de jornal envolvendo um louco sem noção provocando um professor de karate.

E você pensava que a emoção do rugby terminasse no terceiro tempo.