Dia 231: The L word is not the T word

Então eu estou aqui, né, em Barretos, curtindo a semana de fér… ops!, a semana da Mostra de Profissões da UFMG. É, tá, eu deveria estar lá ajudando e fingindo ser a aluna exemplar que eu não sou, mas perdoem uma menina que mora longe e que tem saudades de casa.

Antes de vir pra cá, comecei a baixar The L Word, que eu amo, mas que ainda não tinha gravado. Como eu estava baixando temporada por temporada por torrent, a primeira a ser concluída foi a terceira temporada, então eu comecei a reassistir por ela. Muito bom, porque é a minha favorita. É a mais tensa, mas também a melhor.

[ATENÇÃO: Muitos, MUITOS spoilers a seguir.]

E aí, conforme os episódios foram passando, eu comecei a perceber algo que ainda não tinha notado, uma abordagem um pouco, digamos, preconceituosa sobre a transexualidade. Não que eu não soubesse. Na verdade, quando comecei a assistir a série, há uns dois anos e meio, acabei caindo num artigo do AfterEllen que falava justamente sobre isso. Sobre o conflito do que a Ilene Chaiken considerava butch com o que o resto do mundo lésbico considera butch e a forma como a personagem trans (Max/Moira) é sempre ridicularizada. E, de fato, quando eu comecei a assistir essa temporada, senti um desconforto com a personagem, mas não dei muita atenção. Eu estava empolgada com outras coisas.

O feminismo, como todos os outros grandes movimentos, não é homogêneo. Não existe um feminismo só, assim como não existe só uma visão das coisas no movimento gay. E existe uma boa parte dele – e talvez seja nesse ponto que o lado mais conservador e o mais radical se encontrem – que não acredita em transexualidade. Porque acreditam que é uma traição, que é um ‘passar para o outro lado’. Que tudo poderia ser resolvido se o gênero fosse dissociado do sexo e com a compreensão de que você pode ser/fazer o que quiser, ainda que o que queira não corresponda ao que a sociedade espera de você. Como diz Kit, a personagem interpretada pela Pam Grier,

It saddens me to see so many of our strong butch girls giving up their womanhood to be a man. We’re losing our warriors, our greatest women…What’s male inside? What’s female inside? Why can’t you be the butchest butch in the world and keep your body? You’ll be giving up the most precious thing, being a woman. (*)

Eu concordo plenamente que o gênero pode e deve ser dissociado do sexo. Eu sou totalmente a favor e adepta do genderfuck. Sou a favor dos gêneros e de brincar com eles. Mas não dessa forma controladora, ditadora, onde quem não entra na dança é condenado. Nós não sabemos onde começa a transexualidade e qual é sua causa. Nós não sabemos quase nada de sexualidade, é fato. E reduzir o desejo da ‘completude’ que a transexualidade traz a um capricho é pesado e, ao meu ver, errado. É minimizar tudo o que um transexual passa na vida. Acho que já me fiz bastante clara sobre isso aqui.

A Kit, durante o sermão antitrans que faz pro Max, usa o argumento ‘e se eu quisesse virar branca?’ – ela é negra. Que também é um argumento falho. Porque a inconformidade dos não-brancos com a própria cor, creio, vem de uma coisa puramente cultural, de dominação. E sobre a inconformidade do gênero a gente ainda pouco sabe. É só cultural? É por ser o ‘segundo sexo’ que uma mulher quer se tornar homem? Mas então por que um homem abriria mão de sua posição de conforto para não só se transformar em mulher, mas também pra enfrentar toda a carga que ser transexual traz? E os bigêneros? É um território complicado, esse.

A terceira temporada, que é quando o Max aparece e começa sua transição, é a mesma em que a Dana descobre que tem câncer de mama. E daí se seguem diversas comparações simbólicas. Por exemplo, uma conversa que a Dana – depois de já ter operado e retirado o seio – tem com um trans, onde eles discutem as respectivas mastectomias, e ela pergunta para ele quando foi que ele descobriu (que era trans). Ele responde que, desde que os seios começaram a crescer, ele quis operá-los e que até pediu a deus por aquele tórax (masculino). E ela rebate dizendo que costumava agradecer a deus pelos seios que tinha. O trans é o ingrato que não valorizou o que tinha.

Max é o caipira, o que não se adequa ao grupo, às situações, o que só fala besteiras e que vira um monstro quando começa a aplicar testosterona. E que sofre uma reviravolta, no final, quando engravida do parceiro. E tem que engolir todo o discurso da gravidez mágica e salvadora. Aquela mesma que a Kit escolheu interromper quando precisou. Irônico?

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Dia 158: Paredão BBB nº 6

O paredão de hoje me deixou na dúvida. Bem na dúvida. Não tanto pela Maroca. É da turma das samambaias, mas não tenho muito contra ela. Pelo contrário: apesar da gritaria estridente, gostei de vê-la peitando o Eliéser quando ele quis dar uma de machão pra cima dela. Mas tá. É isso.

O problema maior desse paredão, é óbvio, era a duplinha Lena & Lia. Eu gosto da Lena. Muito. Apesar de eu ter demorado um mês pra perceber que ela é a mesma Elenita do HJE – a ausência da comunidade explica; perdão -, devo dizer que ela é gente boa. Mas não se deu bem no BBB. É fato. Começou mal e foi só dando sorte até agora. Falava muito, se perdia demais. Teve bons momentos, é claro, mas estava ficando estressada e – vou admitir – chata. A tentativa furada de deixar o programa foi um tiro no pé dos feios, depois de ter dado uma explicação falsa – e até agora não entendi por que raios ela não disse a verdade – para o monstro que deu para a Fernanda e o Kadu.

A Lia era meu voto. Não por maldade nenhuma. Não acho a Lia maldosa, como todo mundo diz. Ao meu ver, a Lia tem é desordem de personalidade. É isso. Histriônica, talvez. Ela é dramática demais, exagerada demais. Tudo causa uma reação sem tamanho. E é só por isso. Só porque ela me deu uma overdose estilo novela mexicana e me cansou.

No fim, a Lena saiu e foi até bom. Primeiro, porque para de queimar a imagem dela. Segundo, porque o prêmio de Antipático Sem-Noção do ano, apesar de estarmos ainda no começo de 2010, pra mim, vai pro senhor Michel, o pornógrafo pastel. Ele ficaria feliz demais se a Lia saísse, e não pretendo ver ninguém dando esse gostinho pra ele. Fim.

Outros participantes que, por mim, poderiam explodir e virar purpurina são o Dicésar, a Fernanda e o Eliéser. O primeiro, por provar que o que fala não é pura tagarelice desenfreada e, sim, maldade. Depois, temos a Fernanda Teamotá. Decidiu que ser Sandy já saiu de moda e começou a ser Tessália. Por fim, o Eliéser, a porta da vez, que possui a incrível capacidade de gritar com mulheres e abaixar a cabeça pros homens. Beijos pra todos.

A minha torcida atual vai pra Morango, meu quinquagésimo cuspe na testa – notem como eu consegui errar a personalidade de basicamente TODOS os participantes. Agora a Morango tomou como meta me mostrar que ela não é a lésbica chata que parecia no começo e que, na verdade, é a mais – ou a única – íntegra na casa.

Tem muita gente, é óbvio, que não gosta dela. Andei lendo, inclusive, algumas críticas à amizade dela com o Dourado. Sobre isso eu tenho muito a dizer. Só não sei como. Resumo, por ora, com o seguinte: não estranho, não me apavora e até entendo.

Uma coisa é certa: a Lia ficou e vai por fogo na casa durante essa semana. A coisa tá ficando boa!

Dia 149: Rapidinha BBB

Paredão win-win-(win), como diz a Talita. Depois da saída do Alex, Michel ganhou a liderança (FAIL!) e indicou a Lia, a rainha do drama. O Puxadinho indicou o Dourado, o que já era esperando e a Casa de Luxo indicou o Uilliam, coisa muito bem-vinda.

A Lia é a minha última opção. Meu problema com ela é só a overdose que ela é. O Dourado é o que eu quero que saia, mas a verdade é que não sai. O Brasil de vez em quando escorrega e bate a cabeça no chão, aí começa a venerar essas peças raras.

O Uilliam era o típico participante que não fede nem cheira. Aí juntou com o Alex e resolveu ser gostoso. A mudança foi tão significativa – ao menos pra mim – que ele vai ser meu voto.

Torcida para os próximos paredões: Eliéser e Michel. Paredão Dourado x Eliéser x Michel é o winwinwin definitivo.

Dia 143: Big Bore

Big Brother Brasil é o pesadelo de todo cult/pseudointelectual/insiraoutrapalavra. E aí eles viram tremendos estraga-prazeres. O mais chato disso é constatar que algumas pessoas que você gosta também caem nessa.

A questão mais frequente ao meu redor é ‘o que isso muda na nossa vida’? Olha, meu amigo, se tudo o que você faz é pra mudar a sua vida, eu sinto muito pelo estresse que você deve estar sentindo.

O BBB é uma mera diversão na minha timeline. E se a gente se empolga com um ou outro participante, é tudo parte da coisa. Agora mesmo, com a Tessália no paredão, eu tô numa mega guerrinha com muita gente com quem me relaciono. É só uma competição saudável – ou não. Melhor: é que nem torcer pra um time de futebol.

O fato é que, se alguém fica incomodado com o assunto do momento no Twitter, que desligue o pc e vá ler um livro. Não é isso que se prega? Então. Ou então abra uma conta com gente igualmente superior que também não aguenta paixões tão terrenas.

BBB acaba logo. Já, já vocês vão poder tocar cornetas celestiais de novo.

Dia 142: UniTaleban 2.0

Eu acho que assisti uns três BBBs antes desse. Os primeiros. Depois, foi ficando igual, fui achando meio forçado e deixei pra lá. Aí veio o Twitter, deu um novo significado pra coisa toda, e eu voltei a assistir, já na décima edição.

Digo isso só pra esclarecer que eu não sou nenhuma expert em BBB. E, mesmo assim, eu consigo lembrar de algumas boas vezes em que rolou ‘edredon’ na casa. Já deixou de ser novidade há tempos e continua gerando rebuliço.

Eu me assustei, SIM, quando vi o pessoal comentando a noite da Tessália e do Michel no Twitter assim que cheguei. Esse tipo de coisa nunca vai passar em branco pra mim. E não é por qualquer moralismo, ainda que tenha uma certa caretice de minha parte. O fato é que eu, Thais, não me imaginaria fazendo qualquer coisa desse tipo na frente de não sei quantas câmeras, pro Brasil inteiro ver, enquando meus pais e o resto da minha família estariam aqui fora aguentando assédio e comentários desagradáveis.

Como espectadora, eu faço cara de bafão e acho engraçado, comento, rio e vejo os vídeos. Porque é só mais uma história dentro da casa, e pra gente é sempre interessante.

Agora, a boca é dela, ela faz o que bem entender. E é o que uns 95% dos BBBzeiros do Twitter aparentemente não entendem. Fez boquete, é puta. Tem filha, fez boquete, é puta². Tem filha, fez boquete na TV, puta³.

Ninguém fala do Michel. Ninguém lembra que ele recebeu um oral lá dentro sem terminar com a namorada aqui fora. Não. Puta é a Tessália.

Na boa, quer saber? Gente assim não é nada melhor do que os UniTalebans. Me poupem do estilo de vida Idade Média de vocês.

Dia 135: Ana Marcela FAIL

Se eu tivesse metade da sorte da Tessália, faria bungee jumping sem corda. Sério. Essa menina tá de caso com alguém da Globo, não é possível.

É óbvio que a Tessália votou na Marcela por vingancinha. Óbvio. Se fosse por inteligência, teria votado em alguém que realmente fosse sair. E, convenhamos, ela nem sabia quem era Marcela antes de receber o colar.

O nervosismo da Marcela de ter que escolher alguém pra receber os colares ali, na hora, não ajudou. Ela não teve como pensar. Ou teria colocado uma outra pessoa qualquer, já que o resto da casa se incumbiria de botar a Tessália no Paredão, e ela de quebra ainda se livraria da vingancinha da outra.

Joga na Mega Sena, Twittess. Você ganha, hein?

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Como tem gente por aí que ficou com raiva da Tessália por conta do Michel, vou esclarecer minha posição aqui.

O fato de ela ter ficado com o Michel não mudou em nada a minha visão dela. Eu não acho que ela cometeu nenhum pecado gravíssimo e odeio esse moralismo cretino que espera que ela, como mulher, seja casta. O vilão da história, nesse caso, é o Michel, que tinha namorada aqui fora. Puto é ele.

Minha implicância com a Tessália começou com as atitudes dela dentro da casa. Quando ela era só a Twittess, eu nem me importava. Meio mundo desceu a lenha nela por causa dos scripts, como se ninguém mais no mundo usasse. Ela foi só o boi de piranha da história.

Quando entrou no BBB, eu até fiquei com um pé atrás, porque ficou bem óbvio o convite da Globo. Mas no começo do programa eu comecei a achar que ia pagar a língua. Comecei a simpatizar com a moça e a torcer.

Mas, claro, ela logo mostrou a que veio com o Dimmy. Já não gostei. Depois da cena com a Lia, então…

Enfim, ela não muda nada na minha vida, mas que eu bem que quero ver ela comer um pasto, ah… vai falar que não?